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Abrindo os trabalhos: Minha história pessoal e o por quê fazer esse blog

Há quem acredite que nossas grandes questões, assim como as predisposições de nossa alma, já se pronunciam desde a infância, e que portanto, a gente deve observar o que fazia quando criança pra entender o que deve fazer pro resto da vida. Tenho 25 anos, entrei pela primeira vez na internet devia ter uns 8, 9. Sou da geração de teste da internet, aquela faixa etária que esperava ansiosamente o sábado e domingo pra conectar o computador no fio do telefone e entrar no ICQ, fotologs, etc. Por volta dos 11 anos tive meu primeiro blog, que infelizmente, por vergonha, deletei. Hoje seria uma delícia ler tudo aquilo que eu escrevia e conhecer de novo a criança que fui. O fato é que sempre gostei muito de escrever e desde nova, sempre tive uma sexualidade muito forte, apesar de vir a perder a virgindade tarde, aos 18 anos. Quando nova, como tantas crianças, brincar de sexo era uma de minhas brincadeiras favoritas. Costumava inventar mil histórias, mil roteiros, que levavam sempre ao mesmo final: eu e …

Submissa? Yijun Liao inverte papeis de gênero em série fotográfica

Ainda que a mulher alemã trabalhe mais fora do que a iraniana, ou que em alguns países as mulheres possuam mais autonomia sobre seus corpos e destinos do que em outros, um fator que atravessa as mais diversas culturas e religiões é o papel de submissão e servilidade que a mulher tradicionalmente ocupa nos relacionamentos afetivos. Espera-se que a mulher seja sempre doce e paciente; discreta, delicada e prestativa; resignada na execução de suas tarefas; disposta a abdicar da própria vida e sonhos em prol de maridos e filhos. Como diria Vinicius de Moraes em Soneto da Mulher Ideal, é preciso que a mulher saiba “sofrer pelo seu amor e ser só perdão”. É de bom tom que ela tenha apetite sexual moderado e monogâmico e esteja sempre disposta a servir e agradar. Com acidez e bom humor, a artista chinesa Yijun Liao questiona todos esses pressupostos em “Experimental Relationship” (Relacionamento Experimental), uma série de fotos que tira com seu namorado Moro. Nas imagens, o casal subverte os tradicionais papéis de gênero estabelecidos pelos padrões heteronormativos de afetividade, experimentando uma nova forma de se relacionar. “Como uma …

menos internet, mais vida real

prazeres esquecidos pra se resgatar enquanto se está longe do facebook encontrar as amigas aprender a dançar o passinho escrever sem ser julgada treinar uma nova posição de yoga ler uns bons capítulos de um livro muito bom todo dia ir no cinema meditar com amigos e ter boas conversar depois ajudar no terreiro aprender uma receita nova doce, salgada e crudívora (nham!) cozinhar pra mim e pra quem eu gosto tomar suco verde fazer sexo sair pra dançar germinar umas sementes – plantar uma árvore ia ser doido, mas se pá é revolucionário demais pra ela ainda – dar rolê com um grupo que se reúna semanalmente pra fazer uma coisa bem estranha dançar butô com os anarquistas declamar poesia alto no metrô ir em festa de gente vegana e também roda de samba com fartura de cerveja e churrasco sentar em boteco sujo escuro e cheio de gente pra falar das tristezas da vida e conspirar revolução beijar na boca enquanto se faz amor saber que passa, mas não ter medo de paixão …

quando a alma pede férias do facebook

infelizmente, ainda sou do tipo de pessoa que mesmo chegando em casa com sede, fome, sono ou vontade de fazer xixi, antes de ir no banheiro abre o laptop aos pulos pela bexiga apertada para checar as últimas curtidas e atualizações no facebook. talvez por ser um quadro relativamente novo na sociedade, as pessoas geralmente não levam muito a sério quando a gente tenta abordar a questão, entretanto, como acontece com qualquer outro vício, o vício em facebook traz consequências reais e dolorosas pra quem sofre com ele. em mim observo picos de ansiedade; dificuldade extrema de concentração; sentimento de impotência, como se eu não tivesse controle sobre mim e autonomia de sair fora e ir fazer outra coisa, mesmo que não esteja fazendo nada que presta online; picos de humor e alteração do relógio biológico; dificuldade de dormir ainda que morta de cansaço; dificuldade de acordar e ir cumprir minhas obrigações diárias, como trabalhar, pagar contas, encontrar amigos, e assim por diante. para me controlar, já tentei aplicativos que limitam o tempo que posso ficar online (mas no meu caso o vício aprendeu a …