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Com 12 mil likes, a página do blog Clitóris Livre é arbitrariamente deletada do Facebook

Sobre proibições de se dizer o que pensa Aconteceu no começo do ano. Eu estava bloqueada há um mês de postar, curtir ou comentar qualquer coisa no Facebook por algo que tinha postado na página do blog, acho que um gif de uma ilustração (isso mesmo, um desenho!) de uma menininha de cabelos curtos que recebia um oral. Passei o ano novo no interior de Minas, num pico lindo, e quando cheguei em casa me deparei com a notícia que a página tinha sido deletada por não estar de acordo com os valores da rede social. A página do Clitóris Livre, que agora refeita, conta 300 e poucas curtidas, antes de ser deletada tinha mais de doze mil. À princípio eu não liguei muito, ou não tive reação, mas depois fiquei pensando nos significados simbólicos disso, e fiquei bolada. O Facebook que se diz à favor dos direitos dos gays e da liberdade do relacionar-se e o cacete, faz avatar de bandeirinha colorida e tudo o mais, é o mesmo que silencia uma mina que …

Apesar da ampliação, discurso feminista ainda continua muito restrito à classe média

Como já escrevi por aqui antes, muito do meu despertar enquanto feminista (e mais! enquanto mulher) se deu quando comecei a perceber o papel desempenhado por minha mãe dentro de casa e, por ser mulher como ela, reconhecer-me como possuidora de um destino social análogo ao seu. De forma similar, depois de ter me assumido feminista foi novamente observando minha mãe, e o modo como apesar de meu discurso emancipador eu continuava a tratando, permitindo que ela acumulasse praticamente sozinha quase a totalidade das tarefas domésticas da casa, que comecei a questionar a validade desse meu rótulo de feminista e a despertar para a importância urgência de alinhar discurso e prática. Eu acho que você pode falar o que você quiser – ser de esquerda, bradar feminismos, anarquias e revoluções – mas enquanto não for capaz de aplicar na prática, no campo micro, o que você pensa e fala, seu discurso não vale de nada. Foi a partir desse e outros incômodos com o modo como parte da militância vem sendo levada, que escrevi o texto “O feminismo não está acima …

O feminismo não está acima de críticas: Por uma militância que saiba ouvir (e dialogar)

Como outras milhões de mulheres, vibrei quando tive notícias que a prova do ENEM contou com questões que envolviam Simone de Beauvoir, Gloria Evangelina Anzaldúa e a violência contra a mulher. Para mim, foi mais uma confirmação da importância da temática na agenda brasileira, que agora além de pautar discussões nas redes sociais e na grande mídia, passa também a ser considerado conhecimento básico para ingresso nas Universidades públicas do país. Desde o surgimento do Feminismo em meados do século XIX e início do século XX (a dita “Primeira Onda”, em que mulheres de países como Reino Unido, Canadá e Estados Unidos lutavam principalmente pelo direito ao voto) acredito que nunca tantas mulheres se assumiram feministas como nos últimos cinco anos. As redes sociais tiveram um papel preponderante nisso. A profusão intensa de discussões, memes, relatos, textos, blogs (inclusive como esse) falando de temáticas femininas e feministas foi positiva na medida em que ajudou a promover o despertar de uma consciência coletiva da opressão e desse estar no mundo que é ser mulher. Frente à dificuldade …

Kunyaza – ou a melhor siririca que você vai receber na vida – a técnica africana voltada para o prazer delas

Ilustração que abre a matéria: Carlo Giovani Kunyaza é uma técnica sexual desenvolvida e praticada principalmente na África Central (em algumas províncias da Ruanda, Congo, no Leste da Uganda e no Leste da Tanzânia) para promover poderosos orgasmos femininos em relações heterosexuais. Naturalmente não há nada que impeça mulheres homossexuais de praticar a técnica, só que como o Kama Sutra indiano, essa técnica foi desenvolvida (ou transmitida) como sendo uma prática entre homens e mulheres. Acredito que casais homossexuais femininos podem praticá-la trocando a glande do pênis pelos dedos ou algum outro objeto de estimulação. As dicas dadas também são preciosas para melhorar a masturbação, já que a técnica foca em alguns pontos principais que se estimulados podem levar sozinha a mulher ao orgasmo. 😉 Wet Sex A palavra Kunyaza, originária dos povos Rundi da Ruanda, é derivada do verbo kunyaàra que significa tanto 1) fazer xixi, quanto 2) o ato da ejaculação feminina decorrente da prática. No Kunyaza, a mulher costuma expelir um litro ou mais de líquidos vaginais, motivo pelo qual o termo pode significar …

Estamos sexualmente mais livres, mas não necessariamente mais satisfeitas

Vira e mexe alguma amiga compartilha no Facebook uma pesquisa estilo “um a cada três homens tem nojo de perereca/dois a cada três não gostam de fazer oral”, um meme que diz “não finja orgasmo, deixe o cara saber que fode mal”, ou algo do tipo. Por um lado, é um sinal que a mulher está cada vez mais interessada em seu próprio prazer e não está mais apenas disposta a servir, o que é ótimo. Depois de séculos de subjugação, caminhamos enfim para a nossa tão sonhada liberdade sexual. Além do longo histórico de auto-centramento (para não dizer egoísmo) masculino no que diz respeito ao sexo, o que explica em parte o desempenho marromenos que os homens parecem estar apresentando, arrisco outro palpite do por quê em geral as pessoas no geral não estão muito satisfeitas sexualmente. Para construir um bom sexo entre um casal (ou para descobrir suas preferências sexuais ou o que for) é preciso entrega, intimidade, respeito, carinho e amor; é preciso um interesse sincero na outra pessoa e em seu prazer e …

Amor livre ou sexo livre? Sobre amor, relacionamentos abertos e amizade

Para ler ao som de Marriage is for old folks – Nina Simone Por maior que seja o amor entre um casal, mais dia menos dia (sempre) chega o momento em que um dos dois se percebe atraído por uma outra pessoa além do conjugue em questão. Geralmente incompreendido e demonizado por nossas mães e avós como reles “putaria” e “sem vergonhice”, o impulso de beijar ou ter relações sexuais extra-conjugais vem sendo cada dia mais debatido e vivido pelas gerações mais novas. Essa nova forma de relacionamento ganha nomes simpáticos e diversos, tais como “relacionamento aberto”, “amor livre”, “poli-amor”… Mas a situação está longe de ser tão simples ou bem resolvida quanto indicam os termos que a referenciam. Mesmo refletindo sobre a “Ética do tesão na pós modernidade”, conforme ilustrou a genial Katzen Minze/Garota Siririca, em que medida os homens continuam privilegiados nas relações poligâmicas e/ou nos triângulos amorosos? Se nossos avôs já traíam nossas avós, abertamente ou por debaixo dos panos, talvez não haja muito nada de novo nessa história de relacionamento aberto. Uai, mas …