Todos os posts em: Mulher na Arte

“Minha gangue é do guettho, e elas são más”! Lurdez da Luz, Lay e outras gang$taz do rap de mina nacional

Muita gente que me acompanha nesse blog não sabe, mas entre outras ocupações da pós-modernidade, sou DJ de hip hop e funk. Felizmente, a gente é composto por muitos interesses e assuntos. Tenho falado muito de amor e sexo por aqui, mas se eu tenho uma paixão e um vício na vida, uma arte que me interessa, muito mais do que homem, é a música. Já falei um pouco da minha relação com o rap nesse post aqui: Mulher também gosta, faz, pensa e escuta hip hop Vou me esforçar em escrever mais sobre som por aqui, selecionar umas músicas, fazer umas playlists. Pra agora, selecionei uns lançamentos do rap de mina que acabaram de sair do forno! E as mina tão gang$ta viu? Lay – Ghettho Woman “Minha gang é do guettho… e elas são más!!! Representam o que vários dizem jamais” Lurdez da Luz – Niaja  “Por que eu sou da pior quebrada do Mundaréu E eu vou que vou, melhor ser suspeita do que ser réu” Karol Conka – É o poder  “Só não vem dizer que eu …

Guerrilla Girls: um coletivo de mulheres que desde 1985 luta contra a hegemonia masculina no mundo das artes-

“Those who tell the stories rule society.” – Plato As narrativas contam e constroem o mundo. Quem conta a história, conta de um determinado ponto de vista; aumentando a importância de certos personagens, diminuindo e subjugando outros. Por mais que pareça neutro, há diversas relações que sustentam o poder do narrador em contar aquela história segundo seu ponto de vista e consequentemente de modo a garantir e preservar seus interesses e privilégios. Não é atoa que os movimentos de direitos civis, como o feminismo (em suas diversas vertentes) e os movimentos negros e LGBT dão tanta importância ao modo como são representados na arte e na mídia como um todo e se esforçam em reconquistar sua voz e seu poder de construir suas próprias narrativas. Muito dessa consciência da importância da representatividade nas mais diversas narrativas vem de um coletivo de mulheres artistas do meio dos anos 80 em NY. Em 1985 houve um escândalo no mundo das artes de Nova York. Uma exposição no Museum of Modern Art pretendia reunir os nomes mais significativos …

Mulher também gosta, faz, pensa e escuta hip hop

Fui bloqueada por trinta dias do Facebook por quê postei o link – nem foi a imagem em si! – do meu portifolio de um ensaio com duas amigas nuas. Naturalmente, não é a primeira vez que o facebook me deixa de castigo (reclusa de postar, curtir ou comentar qualquer coisa) por ter compartilhado fotos de mamilos femininos. Zuckerberg e sua equipe já chegaram a deletar permanentemente uma conta minha por causa de uma foto de uma mulher grávida de peitos de fora, depois de consecutivos avisos e bloqueios de 7 ou 31 dias. Engraçado que mamilos são vetados; mas vídeos de decaptação, tortura e incitação ao ódio, não. #lovewins Enfim, estando proibida de postar em minha conta pessoal, comecei a usar mais a página do Clitóris Livre. Apesar de amar rap, foi engraçado me observar segurando o impulso de escrever sobre o assunto, como se aqui “não fosse espaço pra isso”, como se houvesse uma fôrma pronta do que significa ser feminista ou dos assuntos sobre os quais nós mulheres nos interessamos. Na real, ser feminista não tem receita, não tem regra> …

Conheça Oshun, um duo feminino de hip hop de Nova York com influências yorubá

Embora os Estados Unidos tenha sido erguido a partir da exploração de mão de obra escrava negra, tal qual o Brasil e Cuba, fora as menções à prática de vodu nas províncias do sul (como Louisiana e Nova Orleans) muito pouco se ouve falar a respeito de tradições religiosas africanas que se mantiveram vivas no processo de colonização das terras do Tio Sam. Sendo do candomblé, isso sempre me intrigou. Qual não foi minha surpresa quando conheci esse duo feminino de hip hop chamado Oshun. Formado por  Niambi Sala e Thandiwe, duas jovens negras de apenas 19 anos residentes em Nova York, o duo referencia Oxum, a deusa yorubá das águas doces, da beleza, da riqueza, do amor e da fertilidade. Com inspirações musicais que vão de Nas, Lauryn Hill e Erykah Badu à John Coltrane, Miles Davis e Herbie Hancock, a musicalidade de Oshun é descrita pelo duo como iya sol, uma mistura de neo-soul e hip hop. As letras, por sua vez, são carregadas de espiritualidade e mensagens positivas de empoderamento, amor próprio e resgate às raízes. Nem tudo …

Projeto “Despudorados”: Explicando melhor a proposta – Convite e instruções

Ainda que parecidos, não há neste mundo um ser que seja exatamente como outro. Cada indivíduo traz à Terra sua história, que é unica, suas particularidades físicas, psicológicas, emocionais, espirituais… Na idiossincrasia de cada ser, ou seja, nas características únicas de cada pessoa, reside sua beleza. O problema é que em um mundo cada vez mais padronizado, onde até mesmo o dito ‘alternativo’ tem regras próprias e receitas a serem seguidas, tendemos a negar nossas particularidades, nossa essência, para nos encaixar de alguma forma nos moldes que nos foram apresentados.Na rígida disciplina social imposta sobre nossos corpos, instaura-se qual é o tipo de cabelo ideal, o formato da barriga e do peito aceitável, a quantidade de pêlos permitida, o tamanho do pinto, e assim por diante. Racionalmente todo mundo sabe que a capa da revista recebeu quilos de Photoshop para ficar com aquela pele, aquela bunda, aquela cintura e aquela axila branca e lisinha… e que na verdade, até mesmo mulheres que dedicam sua vida em prol de esculpir o corpo também possuem celulite, estrias, um peito …

Submissa? Yijun Liao inverte papeis de gênero em série fotográfica

Ainda que a mulher alemã trabalhe mais fora do que a iraniana, ou que em alguns países as mulheres possuam mais autonomia sobre seus corpos e destinos do que em outros, um fator que atravessa as mais diversas culturas e religiões é o papel de submissão e servilidade que a mulher tradicionalmente ocupa nos relacionamentos afetivos. Espera-se que a mulher seja sempre doce e paciente; discreta, delicada e prestativa; resignada na execução de suas tarefas; disposta a abdicar da própria vida e sonhos em prol de maridos e filhos. Como diria Vinicius de Moraes em Soneto da Mulher Ideal, é preciso que a mulher saiba “sofrer pelo seu amor e ser só perdão”. É de bom tom que ela tenha apetite sexual moderado e monogâmico e esteja sempre disposta a servir e agradar. Com acidez e bom humor, a artista chinesa Yijun Liao questiona todos esses pressupostos em “Experimental Relationship” (Relacionamento Experimental), uma série de fotos que tira com seu namorado Moro. Nas imagens, o casal subverte os tradicionais papéis de gênero estabelecidos pelos padrões heteronormativos de afetividade, experimentando uma nova forma de se relacionar. “Como uma …