Todos os posts em: Crônicas

os menor correria

dos bons encontros da vida: fui fumar um com um amigo na barragem, trombei três menor mil grau, dois deles gêmeos. um dos gêmeos pediu o isqueiro, a gente começou a trocar ideia. contei pra eles que eles acreditassem ou não, que eu era DJ e tocava funk na noite. começamo a trocar ideia sobre funk e um deles começa a desembolar um funk mais doido do mundo, autoria dele. falou que gosta de cantar sobre maconha, consciente e putaria.. mas que também grada de fazer apologia. falou que tem mais de 35 sons compostos, que gosta de escrever, que não é de belo horizonte, que a quebrada dele tá lombrada, que tá aqui só de passagem. falando sobre putaria, perguntei se ele usava camisinha. ele soltou um “claro” tão sonoro que deu uma esperança a mais nesse dia azul. daí falei com ele, zuando, que eu era feminista, e que gostava dos funks das minas. e perguntei se ele pensava no prazer da mina quando tava transando. aí ele falou “lógico, cê acha que …

Meu amor platônico está de cabelos trançados

“…Saravá mineira guerreira / que é filha de Ogum com Iansã…” Tenho olheiras escuras de quem dorme pouco e olhos grandes, daqueles que vazam branco embaixo da íris, feitos para desvender das pessoas o interior e o invisível em torno delas. Ando pelas ruas desatenta aos buracos mas especialmente desperta aos tipos humanos, o contorno de suas dores, a especificidade de sua beleza, a magia de sua presença. Tenho uma alma viva, apaixonada pela existência humana, em sua matéria e densidade, mas que no geral se satisfaz em apenas reconhecer a beleza do outro, abaixar os olhos e seguir meu caminho, ou no máximo, em dias mais alegres, sustentar brevemente o olhar que se cruza e permitir que do rosto floresça um sorriso. Ao lado dessa alma comunicativa e instintiva, nascida com necessidade de expressão e poesia, habitam em mim vários outros eu’s com personalidades distintas e muitas vezes divergentes. Um deles é meu censor/vigia, uma presença soturna, meio mal humorada, extremamente auto-crítica e um tanto pessimista, mas que ao mesmo tempo eu agradeço pela …

Abrindo os trabalhos: Minha história pessoal e o por quê fazer esse blog

Há quem acredite que nossas grandes questões, assim como as predisposições de nossa alma, já se pronunciam desde a infância, e que portanto, a gente deve observar o que fazia quando criança pra entender o que deve fazer pro resto da vida. Tenho 25 anos, entrei pela primeira vez na internet devia ter uns 8, 9. Sou da geração de teste da internet, aquela faixa etária que esperava ansiosamente o sábado e domingo pra conectar o computador no fio do telefone e entrar no ICQ, fotologs, etc. Por volta dos 11 anos tive meu primeiro blog, que infelizmente, por vergonha, deletei. Hoje seria uma delícia ler tudo aquilo que eu escrevia e conhecer de novo a criança que fui. O fato é que sempre gostei muito de escrever e desde nova, sempre tive uma sexualidade muito forte, apesar de vir a perder a virgindade tarde, aos 18 anos. Quando nova, como tantas crianças, brincar de sexo era uma de minhas brincadeiras favoritas. Costumava inventar mil histórias, mil roteiros, que levavam sempre ao mesmo final: eu e …