Todos os posts em: bem estar

Como usar drogas e não pegar os carrego-energia-ruim-da-rua, pesquisar

Do mesmo jeitinho que a gente sabe que glitter fode a natureza, mata os peixes, não sai nem por reza, etc, usar drogas no carnaval é o tipo da coisa que quem tem o mínimo de experiência de vida sabe que no(s) dia(s) seguinte(s) vai ser uma merda, que a ressaca vai ser sinistra, que provavelmente depois de se abrir pra todo tipo de energia – positiva e negativa – você vai pro fundo do poço, etc, etc, etc… Mas a gente faz mesmo assim. Embora me assuste um pouco que a gente enquanto sociedade tenha que fazer uso de substâncias para recuperar a espontaneidade para fazer coisas como dançar, conhecer pessoas, trocar ideia e se divertir, o uso de drogas alucinógenas se observa para os mais diversos fins desde a mais remota antiguidade; expandir a consciência é um desejo natural humano. Eu sei que a gente não precisa disso, que existe um paraíso de felicidade dentro de cada um de nós que poderia ser acessado a partir da meditação, por exemplo. eu sei disso …

Sobre capitalismo, frustrações, crise e oportunidades

Terceirizados, freelas e autônomos. Somos parte de uma geração que não tem carteira assinada, que não tem direitos trabalhistas e que provavelmente viverá de aluguel pra sempre – por quê pelo menos por aqui a perspectiva de juntar 300 mil pra comprar um imóvel, ou até mesmo os 20 mil de entrada, é nula. Pelo andar da carruagem, quando ficarmos velhos dificilmente receberemos aposentadoria do governo (ou você acha que a Previdência vai aguentar até quando?) …E então, como nos posicionar frente à crise? Como melhorar nossa relação com o dinheiro? Eu nasci numa família de classe média em decadência, o que quer dizer que meu avô deu pro meu pai uma condição de vida melhor que meu pai conseguiu me dar, e que pelo andar da carruagem, eu darei pros meus filhos uma condição de vida menor que meu pai conseguiu me dar. Isso materialmente falando, é lógico. Ainda assim, durante o ensino fundamental e médio, meus pais fizeram um sacrifício tremendo pra pagar as mensalidades da escola de classe abonada que eu estudei. Acho …

Como me desvinculei das garras do desemprego e depressão

Depois de ter iniciado (e largado) a graduação em Ciências Sociais; no meio de 2014 me formei em Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo. Gostando de escrever, fazer a monografia foi uma das melhores coisas que fiz na vida. Eu amei ter tido a oportunidade de escolher um tema, pesquisar e desenvolver um trabalho à respeito. O ano e meio que se passou depois da graduação, entretanto, foi talvez o pior período da minha vida. Tendo começado a trabalhar aos 14 anos, e tendo sido explorada de todas as formas possíveis em estágios durante a época da faculdade, eu acabei arrumando um bloqueio com trabalho, uma revolta muito grande: simplesmente não aceitava a possibilidade de vender meu tempo para uma agência de publicidade ou empresa cujos valores não me contemplavam em troca de (literalmente) uns trocados. O fundo do poço Uma depressão me tomou e eu nem procurava emprego. Mesmo se procurasse, não acharia. Com a crise, o mercado da comunicação estava especialmente uma bosta, em Belo Horizonte então… Eu simplesmente não via nem ficava …

Clitóris Livre significa: Eu falo do que eu bem entender! ;)

Antes de tudo, por mais piegas que possa parecer, eu gostaria de te agradecer por estar lendo esse texto. Tenho dois vícios na vida: a escrita (que ainda não sei se é vício ou virtude) e a internet, uma combinação perigosa que costumava culminar em horas e mais horas passadas na frente do Facebook.  O blog apareceu como a possibilidade de desenvolver com mais calma e carinho minha escrita, gerando um arquivo de textos que não se perde e acaba que atinge um número muito maior de pessoas. Tenho que admitir, entretanto, que o nome do blog Clitóris Livre às vezes me irrita e limita um pouco. Já aconteceu de, apesar de amar rap, por exemplo, me pegar segurando o impulso de escrever sobre o assunto, como se aqui “não fosse espaço pra isso”, como se houvesse uma fôrma pronta do que significa ser feminista ou dos temas sobre os quais nós mulheres nos interessamos. Além de feminismo gosto de outros mil assuntos na vida. Pra mim o feminismo faz parte de uma luta maior, que envolve também, por …

Quando apenas maquiar os sintomas com remédios não é o suficiente – A busca pela saúde integral

A “roda da medicina” e o caminho do auto-conhecimento: Curando doenças autoimunes segundo a tradição indígena norte-americana [Nota da tradutora: Há um tempo atrás li esse texto “Healing AutoImmune Diseases the Indigenous Way“, em inglês, que me emocionou muito. Por compactuar com os ideais de auto-conhecimento e saúde integral expressos no relato de Tessa Mychael Sayers, uma americana que foi diagnosticada em 2012 com artrite reumática, síndrome de sjogrens e outros sintomas de lúpus, resolvi traduzi-lo. Se você gostar da história da Tessa e quiser falar com ela, o email dela é tessa.mychael@gmail.com.] O começo Tudo começou em 2008. Olhando pelo lado de fora, eu tinha tudo. Por dentro, eu sabia que havia algo muito errado. Eu estava cansada, inchada, meu corpo reagindo mal aos alimentos que ingeria, irritada, ansiosa, e, muitas vezes deprimida. Médicos ocidentais começaram a me pedir suas baterias de exames. Foi quando eu participei de um workshop sobre medicina naturopata e fiquei encantada com as formas alternativas de cuidados de saúde que me foram apresentadas, técnicas essas as quais agora chamo de …

A dificuldade de falar (ou ser levada a sério) sobre vício em Facebook

Fumei meu primeiro filtro branco há uns doze anos atrás; não devia ter nem treze anos na época. Tenho uma relação super gostosa com cigarro: fumo estritamente aqueles que me dão prazer, tipo aquele pra fazer fluir melhor a conversa pós-baseado ou tomando um café depois da sobremesa. Continuo fumando na mesma frequência de quando comecei, um cigarro por dia… ou menos. Passo tranquilamente uma semana, dez dias sem fumar. Nunca viciei. Não é por isso, entretanto, que quando alguém chega perto de mim falando que fuma três maços por dia e que o cigarro atrapalha sua vida, que eu vou minimizar a dor dessa pessoa e falar que “Não, na real ela adora cigarro, cigarro não faz mal algum”… Cada um sabe onde dói seu calo. Ainda assim, toda vez que tenho coragem de desabafar sobre o quanto eu ODEIO o Zuckerberg e sua rede social e o quanto ela me prejudica em estar presente no dia a dia, vem alguém falando que não, que na real eu amo o Facebook e que é por isso gasto tantas horas …

Cozinha ritual e magia de mãe na cozinha

Cozinha é ritual, cozinha é magia. Como todo ritual, a cozinha só dá certo se for feita com amor e atenção. por isso não existe isso de cozinhar mexendo no facebook ou falando no telefone… Pra comida sair boa é preciso presença. Boa música e boa companhia geralmente ajudam. Maconha, nem sempre. Cozinhar chapado às vezes é bom, por quê dá inspiração; mas outras vezes atrapalha, tipo quando você fica doido demais, e, estando muito disperso perde a vontade de cozinhar e prefere comer um sanduíche e ir fazer outra coisa. Então, isso tudo pra dizer que a gente pode até fazer uma pasta de grão de bico e ela ficar boa, mas aí chega a mãe da gente e faz um hummus tirando a pelinha de cada grão, um por um, e a parada explode e fica divina. Quando dei a primeira mordida tive vontade de gozar, mas não era bem isso, era meu corpo sentindo que ali naquela parada tinha muito amor concentrado. Isso faz diferença, sempre, em todos os rolês. A gente …

As dores e as delícias da vida de uma yawô – Hanna ti Logunedé

Hannaly Oliveira, de 22 anos, tinha 16 quando começou a frequentar o candomblé. Por muito tempo, porém, a ideia de “fazer santo”, passar pelo recolhimento e por todos resguardos, era uma perspectiva remota, na qual a adolescente não pensava muito. “Isso nem me cruzava os pensamentos. Até que Logun Edé achou o melhor lugar para nós, e eu automaticamente aceitei. Passou o medo, embora tenham ficado outros. Mas foi bem no momento que papai decidiu que estava no lugar certo, que a iniciação passou a ser uma consequência lógica na minha cabeça, sem que eu precisasse ser convencida. Eu quis”, afirma Hanna. Iniciada para Logun Edé – o jovem e belo filho de Oxóssi e Oxum – na nação Jeje-Mahi, raiz Cèjá Hundè, Hanna afirma que além de ter promovido uma revisão completa de seus valores e prioridades, o axé a modificou até mesmo fisicamente. “Pode parecer bobagem, mas me sinto mais bonita depois que uni minha energia com a de Logun Edé. E eu gosto quando dizem que mudei. Hoje só luto pelo que realmente vale a pena, …

menos internet, mais vida real

prazeres esquecidos pra se resgatar enquanto se está longe do facebook encontrar as amigas aprender a dançar o passinho escrever sem ser julgada treinar uma nova posição de yoga ler uns bons capítulos de um livro muito bom todo dia ir no cinema meditar com amigos e ter boas conversar depois ajudar no terreiro aprender uma receita nova doce, salgada e crudívora (nham!) cozinhar pra mim e pra quem eu gosto tomar suco verde fazer sexo sair pra dançar germinar umas sementes – plantar uma árvore ia ser doido, mas se pá é revolucionário demais pra ela ainda – dar rolê com um grupo que se reúna semanalmente pra fazer uma coisa bem estranha dançar butô com os anarquistas declamar poesia alto no metrô ir em festa de gente vegana e também roda de samba com fartura de cerveja e churrasco sentar em boteco sujo escuro e cheio de gente pra falar das tristezas da vida e conspirar revolução beijar na boca enquanto se faz amor saber que passa, mas não ter medo de paixão …

quando a alma pede férias do facebook

infelizmente, ainda sou do tipo de pessoa que mesmo chegando em casa com sede, fome, sono ou vontade de fazer xixi, antes de ir no banheiro abre o laptop aos pulos pela bexiga apertada para checar as últimas curtidas e atualizações no facebook. talvez por ser um quadro relativamente novo na sociedade, as pessoas geralmente não levam muito a sério quando a gente tenta abordar a questão, entretanto, como acontece com qualquer outro vício, o vício em facebook traz consequências reais e dolorosas pra quem sofre com ele. em mim observo picos de ansiedade; dificuldade extrema de concentração; sentimento de impotência, como se eu não tivesse controle sobre mim e autonomia de sair fora e ir fazer outra coisa, mesmo que não esteja fazendo nada que presta online; picos de humor e alteração do relógio biológico; dificuldade de dormir ainda que morta de cansaço; dificuldade de acordar e ir cumprir minhas obrigações diárias, como trabalhar, pagar contas, encontrar amigos, e assim por diante. para me controlar, já tentei aplicativos que limitam o tempo que posso ficar online (mas no meu caso o vício aprendeu a …