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Conheça Oshun, um duo feminino de hip hop de Nova York com influências yorubá

Embora os Estados Unidos tenha sido erguido a partir da exploração de mão de obra escrava negra, tal qual o Brasil e Cuba, fora as menções à prática de vodu nas províncias do sul (como Louisiana e Nova Orleans) muito pouco se ouve falar a respeito de tradições religiosas africanas que se mantiveram vivas no processo de colonização das terras do Tio Sam.

Sendo do candomblé, isso sempre me intrigou. Qual não foi minha surpresa quando conheci esse duo feminino de hip hop chamado Oshun. Formado por  Niambi Sala e Thandiwe, duas jovens negras de apenas 19 anos residentes em Nova York, o duo referencia Oxum, a deusa yorubá das águas doces, da beleza, da riqueza, do amor e da fertilidade.

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Com inspirações musicais que vão de Nas, Lauryn Hill e Erykah Badu à John Coltrane, Miles Davis e Herbie Hancock, a musicalidade de Oshun é descrita pelo duo como iya sol, uma mistura de neo-soul e hip hop. As letras, por sua vez, são carregadas de espiritualidade e mensagens positivas de empoderamento, amor próprio e resgate às raízes.

Nem tudo na dupla, entretanto, é paz e amor. Vivendo em um contexto político explosivo, em que a comunidade negra americana se revolta frente à série de assassinato de jovens negros por policiais brancos, a dupla apresenta maturidade e consciência política, discutindo com propriedade questões sociais.

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A faixa ‘#’ que abre o primeiro EP da dupla (‘Afaye’, que pode ser baixado aqui) é incisiva em afirmar “We’re the kings and the queens and we’re taking power back! It’s over, i’m done keeping my composure, it’s time to get loud… Fuck making them proud! It’s the revolution! I declare war on you”

Na última semana de abril,  pouco depois de se apresentar ao lado de grandes nomes como Erykah Badu e Joey Bada$$ no Broccoli City Festival, em Washington, o duo lançou seu novo disco ‘Asase Yaa’, termo que significa ‘Mãe Terra’.

Segundo a dupla em entrevista à Impose Magazine o objetivo com esse álbum é “permitir que a mulher negra, assim como qualquer pessoa, atinja a transcendência. Estamos presos na escravidão mental. Através desse projeto nós caminhamos para a libertação, libertando a nós próprias e tomando consciência de quem somos.”

Com doze faixas, o disco pode ser baixado aqui.

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quando a alma pede férias do facebook

infelizmente, ainda sou do tipo de pessoa que mesmo chegando em casa com sede, fome, sono ou vontade de fazer xixi, antes de ir no banheiro abre o laptop aos pulos pela bexiga apertada para checar as últimas curtidas e atualizações no facebook.

talvez por ser um quadro relativamente novo na sociedade, as pessoas geralmente não levam muito a sério quando a gente tenta abordar a questão, entretanto, como acontece com qualquer outro vício, o vício em facebook traz consequências reais e dolorosas pra quem sofre com ele.

em mim observo picos de ansiedade; dificuldade extrema de concentração; sentimento de impotência, como se eu não tivesse controle sobre mim e autonomia de sair fora e ir fazer outra coisa, mesmo que não esteja fazendo nada que presta online; picos de humor e alteração do relógio biológico; dificuldade de dormir ainda que morta de cansaço; dificuldade de acordar e ir cumprir minhas obrigações diárias, como trabalhar, pagar contas, encontrar amigos, e assim por diante.

vício em facebook

para me controlar, já tentei aplicativos que limitam o tempo que posso ficar online (mas no meu caso o vício aprendeu a burlar os apps) e também fazer combinados comigo mesma, como por exemplo de que postaria apenas uma coisa por dia, o que deu certo no começo, mas logo também se mostrou ineficaz.

na verdade, acredito que nenhum desses métodos é em si eficaz ou falho, mas reflexo do comprometimento que firmamos com nossa intenção. uma coisa que funciona bem pra mim, e que eu já faço há algum tempo, é pelo menos uma vez por ano, ou quando necessário, tirar um mês de férias do facebook.

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não, a gente não morre sem facebook, nem fica sem emprego nem sem amigos. pelo contrário, acredito que esse período de reclusão nos oferece uma chance e tanto de re-experimentar o presente; assim como a escrita que não é uma escrita pública, mas íntima; a chance de deglutir bem os acontecimentos antes de emitir opiniões; assim se preservar daquelas toneladas de informação e notícia inútil.

uma coisa que acho deliciosa de estar afastada das redes sociais (embora dessa vez eu tenha whatsapp e instagram) é como muda nossa relação com os nossos amigos, e como passamos a dar mais valor para o momento presente e para a singularidade de cada encontro.

para vencer ou diminuir o vício em facebook, nada como provar um pouco de vida real para relembrar o que realmente importa. em abril, estou de férias. pretendo usar as muitas horas que eu ficava no facebook pra tentar uma coisa nova por dia. este blog é uma delas.

persépolis

Reconstruindo a vida amorosa depois de um relacionamento abusivo – Tudo posso, mas nem tudo me convém

Eu ainda vou ter que escrever muito, mas muito mesmo, sobre o relacionamento abusivo que vivi nos últimos quase dois anos. É um assunto difícil, principalmente porquê é fácil colocar o homem como monstro, como único culpado, quando na verdade uma relação é sempre construída por duas pessoas.

Estou trabalhando no esqueleto de um livro sobre o assunto, meu primeiro livro de ficção. A minha história não é uma grande novidade pra ninguém. Com temperos diferentes de acordo com a classe social em que se insere, essa trama se repete cotidianamente.

Quantas e quantas mulheres já viveram exatamente o que vivi (até as falas se repetem) e com certeza todas que passaram por isso sabem bem o quão difícil é sair de um relacionamento que ao mesmo tempo nos afunda e nos prende.

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Depois que eu entrei nesse relacionamento, não demorou para eu criar a consciência de que algo ali estava errado. Entretanto, mesmo depois de ultrapassar meus limites morais e emocionais várias e várias vezes, eu demorei quase um ano para de fato conseguir sair.

Em grande parte porquê o ex continuava me procurando, perseguindo? Sim. Mas também porquê o apego também morava em mim, algo em mim não queria passar aquela página. Um relacionamento abusivo é capaz de aos poucos minar sua saúde mental e principalmente sua auto-estima. Ele corrói sua relação com o mundo e com você própria.

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Para sair de um relacionamento abusivo, ou nesse doloroso processo de soltura, você é obrigada a repassar vezes e mais vezes sua mente, seu corpo, suas memórias. Analisar com frieza cada pedaço de carne, pra entender por qual fissura foi que ele entrou.

Além de entender por onde entrou, pra sair de um relacionamento abusivo, é preciso entender como é que você permitiu que ele ficasse. Por quê? Quais carências suas ele atendia? O que era realmente bom nesse relacionamento? O que te atraía nele? Quais medos você tinha?

No meu caso, pensando sobre o apego que me prendia àquele relacionamento, percebo que haviam crenças muito enraizadas. 1) Que aquela pessoa era um grande amigo e companheiro, apesar de tudo 2) Que eu era feia, complicada e difícil de ser amada 3) Que apesar de tudo ele me amava demais, era doido comigo 4) Que eu nunca mais seria amada na vida, a não ser por aquela pessoa.

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Mesmo quando as duas partes já têm consciência da impossibilidade de viver aquele relacionamento que tanto machuca, algo ainda prende. A gente relativiza os erros, a gente tenta pensar no que existe de bom, além do abuso, além das noções distorcidas de amor. E dá-lhe recaídas, recaídas dolorosas, seguidas por sessões monstruosas de culpa e medo.

O ciclo de dor parece não ter fim. Mas certo momento, depois de muito rasgar o supercílio de tanto dar de cara com o fundo do poço, depois de chorar tudo que havia pra chorar, a gente acaba tomando consciência de que do jeito que tá realmente não dá pra ficar.

Se for pra ficar sozinha pro resto da vida, nunca mais ser amada, tudo bem, que seja. Você já está disposta a isso, uma vez que qualquer coisa é melhor do que o que você está vivendo, e você precisa no mínimo recuperar sua autonomia e o domínio sobre sua vida.

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Depois de muito sofrer, a gente cria coragem e vai embora. Corta os laços.

Você aos poucos vai voltando a cuidar de você, recobra parte da sua antiga espontaneidade, o sorriso volta a brotar. E ao contrário do que você imaginava, que ninguém ia te querer, etc, que nunca mais você ia beijar meia boca na vida (sério, eu tava pensando isso) começa a chover gente legal na sua horta.

Com um você consegue se deitar. Tem uma noite gostosa de carinho e sexo. Mas aí depois quando ele não demonstra o interesse que você imagina merecer, ou a atenção que você precisa naquele momento, você fica tão ansiosa que percebe que ainda tá machucada demais pra ficar com qualquer pessoa.

Com outro você sai e fala pra caralho, fala do ex, fala das suas dores, talvez mais do que devia (vocês ainda não tem intimidade pra tal). Com outro, você percebe que tem um bloqueio, que seu corpo e sua alma estão fechados, retraídos, e que vai ser preciso um pouco mais de jeito para qualquer pessoa entrar no seu templo novamente.

Tá que ainda é muito recente, mas passar por esse relacionamento me desenvolveu um certo bloqueio com homem, além de ter deixado o aprendizado de que nunca mais deixo qualquer pessoa entrar na minha vida sem conhecê-la muito bem antes.

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Adentrando novamente a curiosa vida de solteira

Pois bem, de qualquer forma, o que percebo dessa recente (e maravilhosa) vida de solteira, é que ao contrário do que eu imaginava, tem muita gente legal e solteira na pista.

Não sei se é só sorte de jogador “principiante”, ou se o Universo tá me pregando uma peça e só me oferecendo filé mignon enquanto eu não estou em condições de comer carne, mas ultimamente se eu quisesse dava pra sair com um crush diferente por dia.

Entretanto, eu não tenho energia pra isso. Não tenho disponibilidade emocional pra isso. Principalmente, porquê sei que não é isso que vai me satisfazer.

Primeiro porque eu sei que as feridas e fissuras internas, as carências que me levaram a entrar e permanecer por tanto tempo nesse relacionamento doente, ainda estão aqui. E que eu antes de tudo preciso olhar pra elas, trazer bálsamos de todas as naturezas para curá-las.

Enquanto eu não me curar, enquanto eu não tiver um tempo pra olhar pra dentro, reconhecer o que dói e o que está machucado, o mais provável é que eu acabe voltando vezes e mais vezes a relacionamentos não muito saudáveis.

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Segundo que como já escrevi exaustivamente nesse blog (aqui, aqui, aqui) o tipo de sexo que eu gosto não é em qualquer esquina que acha.

Sou adepta de um sexo que dá preferência ao toque, e relega a penetração a um papel secundário. Não é todo mundo que tá disposto ou tá desperto para essas possibilidades de contato, e nem todo mundo messsssmo que tá disposto ou afim disso. Terceiro que esse tipo de relação demanda intimidade, amizade, conexão… E nada disso é instantâneo.

Sendo tântrico (como acredito e gosto) ou não, o sexo é uma força que mobiliza muuuuita troca de energia. Estando machucada como estou, ou mesmo se estivesse de boa na lagoa, provavelmente seria mais difícil de me manter bem trocando energia em níveis profundos com várias pessoas ao mesmo tempo. (Tem gente que consegue, nem sente, mas eu realmente não consigo).

Então, o que estou fazendo no momento é tentando conhecer as pessoas que querem se aproximar de mim. Nesse último relacionamento, permiti que meu namorado me roubasse o direito de fazer novos amigos. Se fossem de longa data, tudo bem, mas aproximação com homens desconhecidos nem pensar. (Já não bastava ele na minha vida? Pra que mais?)

Então dos homens que me chamam a atenção, tenho gostado muito de levar pra passear. Sair e ir num cinema, ou ir fumar um na rua, tomar um suco, passar uma tarde juntos na cachoeira. Se conhecer.

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Uma coisa que percebo é que às vezes a gente se atrai por uma pessoa, talvez pela personalidade ou inteligência dela, e não conhece outro jeito ainda de viver esse carinho a não ser se pegando.

Acabamos levando pra cama pessoas que sentimos uma afinidade muito forte, mas cuja atração que sentimos talvez fosse uma atração de alma, uma amizade ou parceria criativa, e depois fica aquele clima meio chato, e por falta de maturidade das duas ou de uma das partes não conseguimos mais levar aquele relacionamento de forma leve e acabamos nos afastando.

Quero conhecer muito bem quem estou trazendo pra minha vida, e quero ter a chance de conhecer pessoas novas, e tocá-las, se for o caso, de uma maneira leve e não-sexual. Quero relações em que o toque seja permitido, e não signifique necessariamente sexo.

O problema é que vivemos ainda uma sociedade muito viciada no que tange aos relacionamentos. Fora as tensões sexuais quase intrínsecas da aproximação de homens e mulheres, não estamos acostumados ao toque nem de pele, nem de espírito. Sei que é um papinho meio clichê, mais é tão mais fácil despir o corpo que a alma, né? Transar é mais fácil do que ter uma conversa sincera sobre a vida e nossas emoções.

Como diria o Lulu Santos na eterna abertura de Malhação, hahahaha, “ainda vai levar um tempo pra fechar o que que feriu por dentro, natural que seja assim, tanto pra você quanto pra mim… ainda leva uma cara pra gente poder dar risada, assim caminha a humanidade com passos de formiga e sem vontade”

Se permita tirar esse tempo pra você, esse tempo de cura. Sem pressa, confortável com a sua própria solidão. Que gente legal tem aos montes na rua, e sim você é incrível, e essas pessoas vão reconhecer isso. E no fim a gente sabe que sempre aparece alguém pra dar uns beijos.

Vamos ter coragem de ficar sozinhas e nos curar para vivermos no futuro relacionamentos cada vez mais verdadeiros e profundos, principalmente com a gente mesmo. A gente merece.

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Você não é melhor que ninguém porquê não come carne

Se você nascesse na década de 90 em uma família branca de classe média, depois de concluído o ensino médio a o acesso à universidade era uma coisa dada como certa, simplesmente a continuação natural da vida.

Se você além disso tudo nascesse meio diferentona, gostasse um pouco mais de ler, escrever e debater que o resto de seus colegas, certeza que acabaria caindo numa faculdade de humanas.

Ali, descobriria a luta de classes, os horrores do capitalismo. Entre baseados, cigarros de palha e cafés que derretem copos de plástico, você e seus amigos discutiriam animadamente todas mazelas do mundo e as soluções para cada uma elas.

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Nessa época provavelmente você acreditaria com todas as suas forças que o dinheiro é a fonte de todo mal do mundo e que para provar seu posicionamento político você deveria rejeitá-lo.

Quando seu pai viesse te questionar qualquer coisa acerca do futuro, você bateria no peito e falaria que um salário de R$1.500,00 por mês te atenderia perfeitamente, e que você não precisava de muito mais que isso pra viver.

Da mesma forma como a faculdade tinha sido reservada pra você já na infância, no seu inconsciente você nutria uma certeza quase palpável que depois de formada haveria uma vaga qualquer na área de arte e cultura especialmente te esperando.

Depois de pesquisar e entender o agronegócio, você provavelmente pararia de comer carne, e começaria a torcer o nariz pro macarrão à bolonhesa da sua mãe no almoço domingo enquanto faria longos e exaltados discursos sobre o consumo desenfreado de carne, a soja que devasta o Cerrado e a Amazônia para alimentar bois e porcos na China e nos Estados Unidos, e o quanto o metano do pum da vaca é o principal causador do efeito estufa, e etc.

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Bom, nessa época provavelmente você também se interessaria por religiões de matriz africana, e depois de resolver de alguma forma na sua cabeça o paradoxo entre sua opção alimentar e os sacrifícios animais realizadas por muitas delas, você começaria a conviver mais com seus praticantes.

Se você realmente fosse uma pessoa sensível e observadora, começaria a perceber que não existe uma relação direta entre comer carne e ser escroto ou ser vegetariano e ser legal, ou ser vegetariano e ser saudável e ser carnívoro e se alimentar mal.

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Olha a Rebeca, por exemplo. É vegana, mas só come pastel frito de palmito, coca cola, e negresco, fica na frente do computador o dia inteiro. A Larissa pedala a cidade de cabo à rabo, come frango ensopado no almoço e enrolado de salsicha no lanche.

O Ricardo é vegetariano, tem um emprego que rende um bom dinheiro, mas está em profunda depressão. O Robson come carne todos os dias, bebe cerveja umas 4 vezes por semana, toca pagode enquanto come churrasco e tropeiro no domingo, e é muito feliz.

Comer ou não comer carne é mais ou menos a mesma coisa de acreditar ou não em Deus. Tem gente que não acredita em nada mas que faz muito mais o bem para si mesmo, para os outros e para o mundo do que quem tá na Igreja toda semana e sai de lá profanando todo tipo de preconceitos e intolerâncias.

No portão do céu, pode ter certeza que não é comer carne ou não que vai te impedir ou facilitar o acesso. Tem uma frase boa de um cara que eu adoro que fala “O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem.”

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O agronegócio é uma das indústrias mais prejudiciais pro mundo todo? É sim. O plantio de soja e a pecuária estão destruindo o cerrado do centro-oeste e a Amazônia? Estão sim. A carne que está no nosso prato é cheia de tortura e sofrimento animal? É sim. É estranho a pessoa amar cachorros e gatos, mas comer bois, porcos e galinhas? É sim.

Acho que é importante a pessoa ter consciência de suas escolhas. O mundo é cheio de contradições, cada um escolhe quais vai chamar de suas. Porquê a gente sabe que Iphone tem mão de obra escrava, e a Forever 21 também, e a Zara também, e que o Temer tá no poder, e várias outras coisas escrotas… e não faz nada a respeito.

Tipo aquela história do glitter no carnaval, que mata peixes e tal. Péssimo, realmente péssimo. Mas e a Samarco que matou o Rio Doce inteirinho e a gente não fez nada a respeito, SACA?

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Não dá pra julgar o que vale mais e menos. Uma patricinha que é vegana, tem carro próprio dado pelos pais, faz yoga todo dia por semana… Ou uma mana que come carne e tá lutando na sua ocupação, ou simplesmente para ficar de pé, trampar e garantir o pão de cada dia pros seus filhos.

Ser vegetariano é maravilhoso mesmo. Uma qualidade de vida incrível e uma ajuda e tanto pro planeta. Muito foda quem é vegetariano, e vegetariano e vegano de quebrada eu dou ainda mais moral. Só que SEJAMOS SINCEROS demanda tempo e/ou dinheiro, dois tipos de recursos escassos hoje em dia.

Ou você tem tempo de fazer sacolão e cozinhar em casa com frequência, ou você tem grana pra comer em restaurantes vegetarianos na rua (que sim, infelizmente em sua maioria são mais caros). Não dá pra cobrar que todas as pessoas façam (ou tenham a possibilidade de fazer) essa opção, ainda que quisessem. Ainda mais pessoas que durante a vida mal e mal tiveram acesso à carne e frango.

Pra finalizar, gostaria de citar mais um caso bem curioso. O caso da pessoa que decidiu parar de comer carne, seja lá pela razão que for, e uma vez que não está conseguindo bancar a escolha (pública) fica num sofrimento danado, ou comendo carne escondido… Me ajuda.

Ser ou não vegetariano é uma escolha sua. É uma escolha sua para com o seu corpo e a sua relação com o seu meio exterior. Não tá dando conta? Quer voltar a comer carne? Ninguém tem nada a ver com isso. Na verdade você não deve satisfação pra ninguém sobre isso.

Parar de comer carne não te torna um anjo ou um mártir político-social, e voltar a comer carne também não te faz um babaca despolitizado.

(Ah, e da mesma forma, se você é vegetariano, mas um dia tava com fome e não tinha nada pra comer e precisou comer um pão com presunto, tá de boa viu? Você pode continuar com sua opção alimentar no dia seguinte, de boa)

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O resumo desse texto é DEIXA AS PESSOAS. Quer ser vegetariano, ótimo, arrasou, de coração, você está fazendo sua pequena parte para promover um bem danado pro planeta. Não quer? Bom também. Isso não te faz melhor ou pior que ninguém.

Tem um texto do Mooji, um guru jamaicano que eu adoro (ele se apresenta como um saco vazio de barba e dreads) que diz:

“Se você acha que é mais “espiritual” andar de bicicleta ou usar transporte público para se locomover, tudo bem, mas se você julgar qualquer outra pessoa que dirige um carro, então você está preso em uma armadilha do ego.

Se você acha que é mais “espiritual” não ver televisão porque fode com o seu cérebro, tudo bem, mas se julgar aqueles que ainda assistem, então você está preso em uma armadilha do ego.

Se você acha que é mais “espiritual” evitar saber de fofocas ou noticias da mídia , mas se encontra julgando aqueles que leem essas coisas, então você está preso em uma armadilha do ego.

Se você acha que é mais “espiritual” fazer Yoga, se tornar vegano, comprar só comidas orgânicas, comprar cristais, praticar reiki, meditar, usar roupas “hippies”, visitar templos e ler livros sobre iluminação espiritual, mas julgar qualquer pessoa que não faça isso, então você está preso em uma armadilha do ego.

Sempre esteja consciente ao se sentir superior.
A noção de que você é superior é a maior indicação de que você está em uma armadilha egóica.

O ego adora entrar pela porta de trás. Ele vai pegar uma ideia nobre, como começar yoga e, então, distorce-la para servir o seu objetivo ao fazer você se sentir superior aos outros; você começará a menosprezar aqueles que não estão seguindo o seu “caminho espiritual certo”.

Superioridade, julgamento e condenação.
Essas são armadilhas do ego.”

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É mais ou menos por aí.
😃 Beijo!

 

Como acabar com a cândida com um só ingregiente que todo mundo tem em casa

Tem quase um ano que eu não escrevo no blog, e a penúltima vez, coincidência ou não, foi quando fui parar no hospital sem conseguir andar direito de tanta dor por uma infecção urinária que estava quase chegando nos meus rins.

Esse episódio reflete bem uma época da minha vida que a cada mês e meio lá estava eu, ligando chorando implorando pedindo pelo amor de jesus cristo pra minha ginecologista me marcar uma consulta de urgência.

Era só dar uma descuidada da saúde, beber álcool demais, água de menos, ter um baque emocional mais forte… que atacava ou a infecção urinária, ou a cândida. Ou vinha uma, e logo depois a outra.

Quando a infecção urinária atacava e os métodos naturais não davam jeito e eu tinha que apelar pro antibiótico, já sabia de antemão que logo em seguida a cândida viria.

A razão pra isso é muito simples. Na vagina há toda uma flora de fungos e bactérias que naturalmente a compõe. Inclusive, a cândida é um fungo que toda mulher tem. De vez em quando, quando sua imunidade abaixa, ou quando esse equilíbrio microbiótico é afetado… passamos pelo inferno dessas crises e infecções.

Meus quadros eram tão recorrentes que a ginecologista me mandou prum alergista, que detectou que eu tinha alergia ao fungo da cândida, e me receitou uma série de vacinas caríssimas e semanais que teoricamente dariam um jeito na alergia.

Pão durice ou hippongagem, não animei entrar nesse tratamento.

Tratamentos naturais

Bom, nessa época, depois de tantos quadros, eu já era uma especialista em tratamentos naturais tanto pra infecção urinária quanto pra cândida.

Também já estava ligada que não existe nada pior para a saúde de uma perereca do que esses sabonetes íntimos industriais tipo Dermacyd (ainda que na embalagem venha escrito que é recomendado por ginecologistas) que alteram drasticamente o PH da vagina e são um prato cheio para o surgimento de infecções e desequilíbrios.

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Então comecei a usar um sabonete íntimo líquido de uma marca muito massa daqui de Belo Horizonte chamada Pachamama (não estou ganhando um centavo por isso, eu juro).Essa marca é feita por mulheres para mulheres, e todos seus produtos são à base de extratos naturais e óleos essenciais.

Pois bem, o sabonete íntimo delas, que parece um shampoo bem escuro, leva extrato de barbatimão e óleos essenciais de tea tree e ylang ylang. Uma gotinha dele é o suficiente para deixar sua perereca fresca como se tivesse acabado de escovar os dentes.

Usei por meses (anos?) esse sabonete íntimo natureba (não muito barato), e me sentia muito bem com ele, pra ser sincera. Até que um dia conversando com minha cabeleireira sobre cândida e etc, ela me deu a dica de um milhão de dólares: que lavava sua perereca apenas com água e que nunca mais tinha tido nenhum tipo de cândida ou infecção desde então.

“Mas Liza, e o cheiro, como fica?”
“Miga, não aumenta o cheiro em nada”
“Como assim, cê é doida?”
“Confia em mim, faz o teste e depois me conta”

E sim, eu fiz o teste. Não só não mudou em nada nem o cheiro nem o gosto (segundo o meu namorado na época) como milagrosamente eu nunca mais tive uma crise nem de infecção urinária, nem de cândida. Sim, eu, a garota que tava na fila de espera da ginecologista a cada mês e meio.

Tudo isso graças à… água. E nada mais que água.

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A perereca é um órgão auto-limpante, quanto menos produtos químicos você colocar nela, melhor.

Pra lavar ela tudo que você precisa é água abundante… e dedos. Lava por dentro, tira qualquer excesso que tiver por dentro, delicadamente. Durante o banho você pode até provar pra ver com que gosto está. Eu tenho certeza que o gosto só vai melhorar ao longo do processo.

Pras garoutas que não conseguem pensar em ficar sem passar nada na perereca, uma outra dica, que eu fazia muito na época que sofria com cândida: passar óleo de côco na sua menina, durante ou depois do banho.

Outros métodos para controlar a cândida

A cândida é um fungo que se alimenta de açúcar (e consequentemente de lactose, o açúcar do leite). Então, quando sentir que ela tá tentando aproximar corta o açúcar e os laticínios. O café e a bebida também, para dar um grau na imunidade.

Uma gotinha de óleo essencial de tea tree na calcinha quando a candidíase tá pensando em se aproximar também salvam vidas.

Minha ginecologista recomenda muito banhos de assento com bicabornato de sódio, mas eu, pra ser sincera, não tenho muita paciência.

Minha experiência é essa,
Por hoje é só, pessoal.
🙂

Por quê o sexo hétero continua sendo sinônimo de penetração se a maioria das mulheres goza pelo clitóris?

Quando a gente fala “sexo com consentimento” será que a gente tem realmente escolha do que acontecerá numa relação sexual?

Apesar da grande maioria das mulheres não atingir o orgasmo (e muitas nem sentirem prazer) com a penetração, será que a gente tem liberdade e os homens/sociedade teriam abertura caso quiséssemos nos relacionar com eles sem o coito da forma como é imposta/dada como natural?

Com 7 bilhões de pessoas na terra, não transamos mais para garantir que através da reprodução vivípara nossa espécie não seja extinta.

Pra que (e a quem) serve o sexo? Será que esse sexo que conhecemos é simplesmente uma regra divina que obedece a anatomia dos corpos, afinal pinto e perereca encaixam, ou se trata de uma doutrinação social, cultural e política dos corpos?

…Porquê encaixar por encaixar pinto e cu também encaixam, então todos os homens podiam era transar entre eles próprios.

A sociedade não impõe apenas como devemos transar, mas com quem devemos transar. desde criança todos somos educados como se a única forma possível e certa de se relacionar fosse com alguém do sexo oposto.

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Apesar de sentir atração pelos dois sexos, nunca tive um relacionamento (nem um affair mais prolongado) com uma mulher e sou bem iniciante no rolê sapatão.

Aí outro dia uma amiga me explicava que existem lésbicas ativas e passivas, e que tem mulher que não gosta nem que encoste na perereca.

– E elas gozam do mesmo jeito, miga?
– Do mesmo jeitinho.

Meu coração quase explodiu quando a resposta foi dada segundo o que eu imaginava.

– Ninguém sai metendo a mão na perereca de ninguém sem pedir autorização não, amiga.

Enquanto ela me contava isso, me vinham na cabeça imagens do quão diferente isso é quando se trata de uma relação heterossexual.

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Como o cara já pressupõe que vai enfiar o pinto em você, o mais comum é que depois de cinco minutos ele já chegue enfiando a mão na sua calcinha, ainda que você claramente esteja longe de co-me-çar a ficar estar excitada. na verdade, eles acham que é isso que vai te excitar, coitados. -.-

Na cama, homens e mulheres tem funcionamentos bem diferentes. enquanto qualquer coisa excita um homem e qualquer coisa o faz gozar (a famosa “vou te dar trabalho a noite inteira” mas não guenta uma rebolada mais forte)…

…Uma mulher demora a entrar no clima e diferentemente do homem que gozou-geralmente-acabou-morreu, a mulher tem a potencialidade de gozar muitas e muitas vezes em sequência.

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Vejo vários homens reivindicando títulos de feministas, e falando que apoiam a causa, se importam com o bem estar feminino, etc, etc, etc, mas tenho certeza que nem 1% destes está disposto a rever, dentre outros, essa suposta obrigatoriedade da penetração nas relações sexuais.

Em uma pesquisa recente onde foram entrevistadas mais de 25 mil mulheres, 86% das mulheres lésbicas afirmaram gozar todas as vezes, contra 65% das mulheres heterossexuais.

Apesar do fetiche falocêntrico que ainda paira sobre a nossa sociedade, cada dia mais cai a ficha de que ninguém precisa de pinto pra gozar (ainda mais que as mulheres que gozam com penetração existem em muito menor grau do que as que o fazem com estimulação clitoriana)

Como fica cada dia mais claro o caráter de * acessório * do pinto – ou seja, é legal mas longe de ser imprescindível – e cada dia mais nos guiamos pela pessoa e não pelo órgão sexual que existe entre as pernas na hora de escolher alguém para se relacionar, seria prudente se homens começassem a se abrir para outros modos se ser e estar numa cama, assim como em todos os demais aspectos da vida.

Sexo é muito mais que penetração, e ó, muito provavelmente se for só penetração, vai ser uma grande bosta. PESSOALMENTE, sou da igreja adventista da massagem do sétimo dia, e acho que a dança é uma das melhores preliminares da vida. Mas isso varia de pessoa pra pessoa, cada um que vá atrás de descobrir do que gosta.

A cor da feminilidade não é a minha

(Por Milena Badu)

Quando se nasce mulher, se é educada desde bem cedo a ser a melhor na performance de feminilidade pra atrair um companheiro.

Quando se é socializada mulher preta, se é convencida que nunca vai ser a melhor na performance de feminilidade pra atrair um companheiro porque os companheiros nunca vão se atrair por você por um motivo muito simples: sua cor.

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Eu como uma boa adolescente sempre esperei um “amor verdadeiro”, aquele cheio de submissão, hierarquia de gênero e cavalheirismo. Nunca alcancei e por bom um tempo (e até hoje em certos dias) achei que o problema das minhas relações nunca prosseguirem fosse meu, totalmente meu.

Eu tentei ser recatada, beber menos, fumar menos, dançar menos, falar mais baixo, deixar o cabelo crescer, usar roupas mais comportadas, sair menos de madrugada, ter menos amigos homens, ser mais reservada, falar menos putaria, transar menos.

Não consegui sucesso em nenhuma dessas tentativas.

Eu demorei a entender que o amor não chega pra mim porque o amor escolhe cor. Aquele mesmo “amor verdadeiro” submisso, hierárquico e cavalheiro… Esse amor também é afromisogino e racista.

É o tipo de amor que só aparece quando o companheiro quer sexo casual em qualquer esquina, quando o companheiro está carente de companhia, quando o companheiro está testando uma negra “quente”.

A feminilidade que construíram pra mulher negra é toda a base da objetificação e hipersexualização e por mais que essa perfomance seja incrivelmente bem feita, o amor não chega pra nós.

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Infecção urinária – Considerações sobre a maldita.

A foto que abre essa matéria é meramente ilustrativa. Não se mate. Sossega Carla, o amor é isso que você está vendo, hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda feira ninguém sabe o que será.

Como a cândida, infecção urinária é uma coisa que infelizmente mais hora menos hora toda mulher vai ter o desprazer de ter. A infecção urinária se caracteriza por uma vontade de fazer xixi toda hora, ainda que quando você sente na privada saiam apenas umas gotinhas, ardendo como o diabo. A gente fica irritada, nervosa, sem conseguir fazer nada direito, com vontade de matar.

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Vejo a saúde íntima feminina como um reflexo de seu estado emocional. A infecção urinária ataca quando nossa imunidade está baixa, quando estamos tristes, ou cansadas, trabalhando demais, dormindo pouco, comendo mal.

Ela pode ser decorrente também de longas sessões de sexo, sexo feito com bexiga cheia ou falta de xixi após as relações sexuais para limpar os canais urinários. por ser uma infecção bacteriana, ela pode acontecer também quando seu ou sua companheira te chupa estando gripado ou gripada.

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Quem já teve sabe que, tratada a tempo, a infecção urinária não causa muitos riscos à saúde. o problema é que nessa medicina alopática estúpida que a gente é submetido, na maioria das vezes que uma mulher toma antibiótico pra curar uma infecção urinária, o antibiótico altera toda a flora bacteriana (natural, de proteção) da vagina, o que muito correntemente acarreta no aparecimento da cândida no final do tratamento. Ou seja, é resolver um problema pra ganhar outro.

É por isso, também, que eu ODEIO tomar antibiótico quando tenho infecção urinária. Existem alguns métodos naturais* que conseguem abrandar ou eliminar com sucesso os sintomas da infecção urinária. O problema é que 1) esses métodos naturais não recebem incentivo em pesquisa e divulgação 2) dependendo do quadro, eles podem funcionar… ou não.

Métodos naturais* que eu uso para tratar infecção urinária: chá de algodão, chá de camomila (os dois são bons para banho de assento, que também pode ser feito com umas gotinhas de própolis), 3 gotinhas de óleo essencial de tea tree na calcinha ou ingerido pela língua. Muuuuita água pra limpar os canais, água morna com limão de manhã para aumentar a imunidade.

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Depois do carnaval, sexta feira acordei extremamente indisposta, sentindo os sintomas de infecção. Tentei óleos essenciais, chás, etc, que até aliviaram os sintomas, mas não foram capazes de curar. O tempo foi passando e ontem, segunda feira, eu não estava conseguindo andar, de tanta dor. Foi uma das dores mais fortes que já senti na vida. no hospital, depois de exames, recebi a notícia que a infecção estava subindo para os rins, e por isso a dor absurda.

Uma infecção urinária não tratada pode subir pros rins, afetando para sempre o funcionamento desses órgãos, isso sem falar na dor in-su-por-tá-vel. tenho inclusive uma amiga que já passou uma semana no CTI por infecção urinária, que assintomática a princípio, subiu para os pulmões!

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Hoje já estou medicada, tomando antibiótico como um mal necessário. por ter um plano de saúde (pago por meus pais) fui atendida rapidamente no Hospital Madre Tereza, fiz tomografia e tudo o mais. enquanto esperava pra ser atendida, pensava nas mulheres que não têm plano de saúde, na carência de ginecologistas nos postos de saúde e no absurdo que cobram ginecologistas por uma sessão particular (de 200 a 400 reais, pra quem não sabe!)

Com o salário que eu ganho, eu não sou capaz de pagar um plano de saúde. no futuro, quando meus pais não tiverem mais condição ou paciência pra me ajudarem nisso, eu também não terei acesso a Unimed, e pelo andar da carruagem dificilmente terei condições de pagar planos de saúde para os meus filhos.

A questão da saúde pública é uma questão de TODAS nós. Uma coisa pequena, como uma infecção urinária, pode ter desdobramentos seríssimos. precisamos cobrar a existência de atendimento ginecológico no SUS, assim como a pesquisa e divulgação de métodos e tratamentos menos abusivos que os (caros) antibióticos.

E você? Como trata a infecção urinária quando ela vem? Tem alguma experiência marcante com a maledita? Escreve nos comentários pra nóis! Para acompanhar todos os posts do Clitóris Livre, curta a gente no Facebook, é só clicar aqui. 

O empreendorismo não é novidade para as mulheres negras

(Por Raíssa Haizer)

À frente de um grupo de mulheres negras empreendedoras todo dia fico a par de inúmeras situações desgastantes e preconceituosas para nós. A sociedade segue não valorizando o  trabalho de pessoas negras, e os brancos por debaixo dos panos muitas vezes continuam achando que estamos aqui para continuar servindo e doando nossos corpos para trabalhos mal remunerados, quase escravos.

Por isso hoje decidi escrever sobre afroempreendedorismo na sua mais pura essência e ação diante de vidas negras. Me lembro bem de quando aos 14 anos dei entrada na ONG na rua debaixo da minha para começar o curso de cabeleireira, e meus colegas de escola me perguntarem porque não havia escolhido um curso de informática ou inglês. Respondi que ser cabeleireira meu sonho, logicamente uma mentira. Meu sonho era ser bailarina mas isso não daria dinheiro, não pra mim, negra e pobre.

Quando decidi me tornar cabeleireira, minha visão não era de futuro, eu não pretendia me tornar uma profissional reconhecida, nem nada do tipo. O que motivava eram as necessidades que gritavam no momento presente: eu queria e precisava ajudar meus pais nas despesas da casa.

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Logo depois de terminar o curso, já comecei a trabalhar como gente grande, como a vida sempre acaba ensinando à pessoas negras. Recebia cinco reais no final do dia depois de lavar muitas cabeças e varrer muitos cabelos, e isso já me deixava mais tranquila e satisfeita, uma vez que pelo menos o pão já estaria garantido.

Se eu fosse uma garota branca, com pais estudados, morando longe de uma favela, aos 14 anos trabalharia? Não. Somos empurrados e locados em lugares invisíveis. Somos uma massa feita para consumir e descartar, feitos para gerar lucro e lixo.

Agora depois de sete anos analisando minha vida, tenho um saldo de dois cursos de graduação inacabados, uma boa clientela e minha visão continua sendo do presente, o futuro continua longe demais pra mim.

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Li certa vez que “O afroempreendedorismo é a única saída para uma pessoa negra”. De primeira achei extremista e até uma alucinação. Vagando pelos textos da internet e na minha própria mente pude concluir que pessoas negras tem que criar as suas oportunidades, por isso empreender seja como for é a nossa alforria, nossa porta de saída dos laços históricos racistas.

Deixar de consumir de grandes empresas, comprar do pequeno negócio é dar a mim uma chance de avançar todo dia, é fazer com que mulheres negras afastadas do mercado de trabalho possam ter uma saída.

Nunca escolhi o afroempreendedorismo, ele veio de uma necessidade como para a maioria que se encaixa nessa categoria. Criar, cuidar, vender produtos e serviços para pessoas negras é negar um sistema que não nos permite escolher, é cortar um cabelo igual ao meu, de uma mulher negra igual a mim sem incita-la a alisar o cabelo.

É atender uma pessoa branca de cabelos lisos e mostrar pra ela que igual aos outros profissionais sou capacitada e profissional. Basicamente o afroempreendedorismo é poder fazer por mim aquilo que ninguém se dispôs a fazer. Por isso amanhã começo ás 8:00.

Para as mulheres negras, só o amor próprio não basta

(Por Milena Badu)

Alguns dias eu acordo querendo ser mulher branca, pedindo todo tempo pra Deus cabelos lisos e olhos claros. E antes que elogiem minha beleza e a estética da mulher negra, entendam que isso é sobre racismo e privilégios.

Quando eu oro pra acordar como uma mulher branca, a oração não vem porque minha pele não me agrada e sim porque agressões diárias são cansativas.

Eu oro pra ter acesso aquela cargo de emprego que me é negado, eu oro pra ser hipervalorizada pela sociedade, eu oro pra ser enaltecida pelos meus traços, eu oro pra que eu não tente mais mudar meu cabelo, meu nariz, meus lábios, eu oro pra não tenham mais nojo dos meus mamilos e vagina preta.

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A luta, a força e a garra são cansativas. A oração é o pedido mais sincero que eu faço pra que eu tente sair desse campo minado de machismo, misoginia e racismo. E o que a oração me traz como resposta é que só o amor próprio não basta, só a guerra, a luta e a força não basta. Eu tenho que estar lúcida de todo o espaço que a sociedade me exclui e que da forma que ela tenta me inferiorizar.

O conforto que eu recebo de Deus pra continuar são as energias dos meus ancestrais pra continuar e prosseguir sem que o desânimo tome todo o espaço do meu coração. E como mulher negra, que a energia que gira entre nós é a mais forte e é que não vai nós fazer desistir de ocupar tudo que é nosso.

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(Auto)gordofobia

(Por Maíra Rodrigues)

Chamei uma amiga ontem para conversar porque eu precisava de ajuda. Passei o dia andando na rua, aqui em Beagá, um dia frio, de vestido. O motivo? Ouvi dizer que tremer de frio faz emagrecer. A vontade de emagrecer era tanta que eu perdi o apetite. Me forcei a comer duas vezes ao longo do dia, mas comia e arrependia. Pra que ingerir aquelas calorias “a mais”? Ela foi fofa, como sempre é, ela entende o que é isso.

Uma vida inteira sendo criada para se odiar, para achar que beleza está ligada a um tipo físico que é bem claro – claro mesmo: mulher bonita é branca, tem cabelo liso, comprido, pele lisinha-sem-manchas, é magra – não é esbelta, é magra mesmo. O que for diferente disso pode ser gostosa, exótica, estilosa, “com personalidade”, mas bonita não é.

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Tive uma fase quase magra quando criança. Fora isso, sempre fui gorda. “Mas, Maíra, você não é gorda”, tem amigues que sempre dizem isso. Não sei se estão tentando ser “legais” (porque ser gorda é algo terrivelmente horrível na nossa sociedade) ou se o padrão deles é diferente mesmo. Se você acha que eu não sou gorda, saia pra comprar roupas comigo.

Pesava quase 100kg na adolescência, me escondia em roupas largas, anos sem usar vestidos ou saias, outros tantos usando somente cores neutras (cinza, marrom, preto, bege). Mas isso não é o pior. Pouquíssimas pessoas sabem disso, mas eu me auto flagelava por causa disso. Fazia cortes e arranhões na barriga – afinal de contas era um lugar escondido que ninguém ia ver – ou você acha que eu tinha coragem?

Pra minha sorte, não ficaram marcas. Por que eu me cortava? Porque era horrível demais, feia demais, gorda demais, esquisita demais, alta demais, meu cabelo era “ruim” demais, “duro” demais, meu quadril largo demais, meu nariz muito grande, minha boca, nem se fala, meu pé grande demais, minhas pernas grossas demais, meus braços flácidos demais.

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“Ah mas isso é coisa de adolescente blablabla”. Não. Não é. Eu me cortei dos 15 aos 28 anos. Parei de me cortar em 2013. Três anos atrás. Por um comentário simples que fez cair muitas fichas e me fez entender que os cortes eram tradução da minha culpa. Uma gratidão sem fim a quem me fez conseguir enxergar isso.

Me cortava com certa frequência, usando minhas unhas. As vezes que tentei com estilete, eu conseguia me controlar. Não era algo premeditado, entende? Mas em alguns momentos eu precisava daquela válvula de escape. Nem sempre era sempre, mas às vezes era mais de uma vez na mesma semana. Era uma forma de me punir por ser quem eu era, por ser muito diferente de tudo o que eu deveria ser.

Quando eu parei de me cortar, já tinha feito a transição do cabelo. Já falava sobre feminismo. Já me achava empoderada. É contraditório: falo sobre autoaceitação, autoestima, discurso contra a gordofobia mas sou eu mesma a maior gordofóbica comigo mesma.

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O padrão foi tão martelado e tão bem martelado na minha cabeça que me peguei pi-ran-do porque engordei. 4kg. Quebrei o dedo do pé, fiquei sem dançar um mês (e, consequentemente, ansiosa por causa disso, e consequentemente, comendo mais) e ganhei 4kg. Me senti horrível.

Olho minhas fotos e me acho horrível, não tem uma em que me ache bonita hoje em dia. Vejo fotos de 3 anos atrás, do início do ano e sinto saudades. Danço e sinto meu corpo lento, demorando a responder. Visto minhas roupas favoritas e todas ficam horrorosas em mim. Alguém me elogia e eu acho que a pessoa está mentindo pra mim, embora fique feliz em ouvir. Caminho contraindo o abdome na rua, na esperança de parecer mais magra, mais bonita.

Como e me arrependo de comer, fico feliz quando perco a fome, não ligo para a dor de estômago ou se fico tonta. Sinto saudades de quando fazia uma única refeição no dia (que durante um mês consistiu em uma pipoca aritana).

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Uma vez tentei por conta própria uma reeducação alimentar. Não deu certo. Perdi o apetite. Enjoava quando sentia o cheiro de comida. Mais de um mês quase sem comer comida de sal. Terminei um namoro em 2012 e sentia tanta raiva dele que não conseguia comer.

Perdi 7kg em um mês e meio. Fiquei feliz porque tinha emagrecido. Não fazia diferença se eu passava mal, eu me preocupava, claro, mas a felicidade por ter emagrecido superava todas as sensações.

Você pode achar que é drama. Mas o que eu sei é que se você pensa assim é porque provavelmente nunca viveu nada parecido. Na adolescência, minhas amigas eram as bonitas, as gostosas, que todo menino queria ficar  etc. Eu? Eu era a amiga legal, inteligente, a que todos queriam estudar com ela, aquela que os amigos homens dizem que é praticamente um deles.

Como não era “desejada”, aprendi que se quisesse ficar com alguém eu teria que me relacionar com quem quisesse ficar comigo. Então, eu me interessava pelos caras que demonstravam interesse em mim. Os amigos que demonstravam algum interesse o faziam escondido. Com várias desculpas – porque elas sempre existem -, ficavam comigo quando ninguém conhecido estava por perto.

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Cheguei em Belo Horizonte e descobri que no forró era mais fácil ficar com as pessoas. Eu ficava com um cara diferente a cada forró, com algumas poucas exceções que eu repetia. Muitas vezes, ficava com pessoas que não tinham nada a ver comigo, mas poxa vida, ele tá me dando mole e eu vou negar?

Demorou muito até que eu tivesse coragem de demonstrar interesse por qualquer cara, até aquele mais bonito da festa que todxs querem. Demorou até eu conseguir fazer isso e estar pronta pra receber um não sem desabar de novo. Demorou até eu fazer isso e entender que poderia ser um sim a resposta.

O padrão de beleza que a gente impõe para as pessoas é muito cruel. E a gente o faz todos os dias. Todos os dias. “Nossa, como você emagreceu! Tá bonita, hein?”. Você fala sobre seu cabelo crespo/cacheado, nariz grande, boca grande e o comentário da outra pessoa é: “é, eu sei como é, também puxei tudo de ruim da minha família” (WTF!!!).

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E aí, coleguinha, você que é magrx ou esbeltx ou sei lá como, mas que não é gordx, enche a boca pra dizer “NOSSA, COMO EU TÔ OBESA” “AI, TENHO QUE PARAR DE COMER, TÔ GORDX” (puxando um tiquim de pele da barriga)”NOSSA QUE BALEIA QUE EU TÔ”. Sabe o que é FODA? Você não sabe o que é ser gordx de verdade.

Você não sabe o que é as pessoas não quererem sentar do seu lado no ônibus. Você não sabe o que é as pessoas não quererem dançar com você porque acham que você é pesadx (e eu me divirto ao mesmo tempo em que fico me roendo de raiva por dentro com a cara de surpresa quando vêem que não é verdade) e o primeiro comentário – com cara de muita surpresa – é: nossa, como você é leve pra dançar.

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Você não sabe o que é dizer que trabalha com dança e a pessoa olhar seu corpo de cima a baixo pra “avaliar” se com aquele corpo é possível mesmo que você trabalhe com dança. Você não sabe o que é as pessoas mal mal darem trela pra você a sua vida inteira, mas se derreterem todxs quando te vêem bonita, dançando numa festa – e, claro, menos gorda do que quando te conheceram.

Você não imagina a raiva que me faz sentir. Você não imagina o quanto eu queria poder ter gravadas certas cenas da minha memória e te mostrar pra ver se você entende do que eu tô falando. Mas nem isso ia adiantar. Eu não ia conseguir te mostrar do meu ponto de vista, com as minhas sensações e com todo o histórico por trás delas. Então, por gentileza, a próxima vez que for falar alguma asneira nesse sentido, re-pense. Eu, sinceramente, não sei qual a graça em lutar contra opressão de um lado e oprimir de outro.

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Como usar drogas e não pegar os carrego-energia-ruim-da-rua, pesquisar

Do mesmo jeitinho que a gente sabe que glitter fode a natureza, mata os peixes, não sai nem por reza, etc, usar drogas no carnaval é o tipo da coisa que quem tem o mínimo de experiência de vida sabe que no(s) dia(s) seguinte(s) vai ser uma merda, que a ressaca vai ser sinistra, que provavelmente depois de se abrir pra todo tipo de energia – positiva e negativa – você vai pro fundo do poço, etc, etc, etc… Mas a gente faz mesmo assim.

Embora me assuste um pouco que a gente enquanto sociedade tenha que fazer uso de substâncias para recuperar a espontaneidade para fazer coisas como dançar, conhecer pessoas, trocar ideia e se divertir, o uso de drogas alucinógenas se observa para os mais diversos fins desde a mais remota antiguidade; expandir a consciência é um desejo natural humano.

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Eu sei que a gente não precisa disso, que existe um paraíso de felicidade dentro de cada um de nós que poderia ser acessado a partir da meditação, por exemplo. eu sei disso tudo, mas na vida real as pessoas usam drogas e eu trabalho com a vida real, na tentativa de ser o mais verdadeira e menos hipócrita possível.

Não faz sentido criticar ou demonizar o uso de drogas enquanto se entope o rabo de café, álcool, remédios de todos os tipos, sal, açúcar e farinha branca. aliás, você já reparou como fica uma criança depois de consumir uma grande quantidade de açúcar? E você continua dando açúcar pro seu filho do mesmo jeito, não continua? Então pronto.

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Aaaah, e dos litros e mais litros de agrotóxicos, muitos desses proibidos internacionalmente, que a gente consome na nossa comida todos os dias, você também não fala nada não né?

Além da importância do indivíduo poder escolher as substâncias que consome, a “guerra às drogas” é uma das principais desculpas para a política genocida do estado, que prende e mata milhares de pobres e pretos todos os dias, enquanto os verdadeiros traficantes seguem de helicóptero, terno e gravata. Aecim!

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Bom, voltando ao tema que orienta esse texto, nos perguntamos: como minimizar os danos, físicos e espirituais, decorrentes do uso de drogas na cidade grande ou em grandes aglomerações humanas onde se circula energia de todo tipo? Como se blindar das energias que entram em nós quando estamos mais abertos pelo uso de entorpecentes?

Acho que a primeira coisa, mais básica de todas, é o seu estado emocional quando você faz uso de drogas, incluindo aqui o álcool. Se você está bem, pode ser que você fique bem (ou não), se você está mal, é quase certo que a droga só vai te potencializar esse estado emocional negativo.

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Outra coisa fundamental é o auto-conhecimento e auto-observação. cada corpo é um corpo, assim como cada indivíduo é único. eu tenho amigos que tomam um pack de cerveja e continuam tranquilos, trocando ideia normal, acordam com uma ressaca moderada no dia seguinte, vão trabalhar como se nada tivesse acontecido e seguem suas vidas. Eu, por contrapartida, se tomo quatro latinhas de brahma já tô chapada e no dia seguinte parece que sou só cacos de vidro, de tanta ressaca.

Uma vez que pela experiência e observação, eu sei que eu reajo assim, eu não posso beber como meu amiguinho, ainda que ele insista, e “fale só mais copinho, vai”. Tanto no consumo de álcool como das demais drogas, acho interessante ir tomando aos poucos, ao invés de grandes quantidades, e observando o efeito daquela substância no seu corpo, para saber quando parar.

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Além disso, é muito comum que as drogas nos tirem o sono e a fome. Pessoas adultas, entretanto, sabem que seu bem estar depende da correta alimentação e sono. Então, vê se come, mesmo que não estiver que com fome, e vê se dorme, senão nos dias seguintes você vai ficar um caco, sem resistência, e pode ser que seu corpo fragilizado até mesmo adoeça.

Bom, em relação às energias que nos cercam, tente usar drogas na companhia de pessoas que você gosta e verdadeiramente confia. Pessoas que você tem certeza que vão cuidar de você caso qualquer coisa aconteça. usando drogas ou não, esteja atento a seu sexto sentido, e se você sentiu que a energia pesou, ou que o clima tá esquisito, pegue um amigo de confiança e vá embora pra um lugar mais tranquilo.

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Em caso de badtrip, teto preto, ou qualquer coisa que o valha, tente ter a consciência de que aquilo ali VAI PASSAR. Fique o mais tranquilo possível, que logo passa. De vez em quando é normal usar droga e dar ruim, mas se esses efeitos negativos continuarem se repetindo, pode ser que essa substância não seja pra você.

Como falou meu amigo Preto Amparo, “acredito que não exista como não “pegar” essas energias (negativas quando se faz o uso de drogas), mas… com a mesma intensidade que uma esponja suga ela libera energia ao ser movimentada. Qual o movimento da sua esponja?

Não são apenas drogas que nos trazem energias ruins, as drogas não são PIORES energeticamente que um abraço mal intencionado. Energia é movimento. Movimente sua esponja. O equilíbrio não está em bloquear as más energias, ele está em como conseguir movimentá-las.”

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Bom, no mais, o dia seguinte geralmente é uma merda mesmo. Se a gente vai artificialmente ao topo, é bem provável que depois a gente caia, e quanto maior a escada, maior a queda. assim, é sempre bom pesar na balança, o prazer que você tem na hora, com o sofrimento que a droga implica no dia seguinte. Tá valendo a pena mesmo?

De qualquer forma, assim como uma badtrip, a ressaca também passa. ao invés de se chafurdar na merda, tente fazer coisas que te fazem bem. comer direito, ir dormir, fazer coisas saudáveis, arrumar o quarto, acender um incenso, tomar um banho de ervas, se você gostar de fazê-lo. Pouco a pouco a gente vai resgatando a dignidade e a vida volta a seguir seu curso normal.

Ah, último pitaco, tão ruim quanto usar drogas é transar com pessoas com a energia desequilibrada, fica a dica. Feliz ano novo pra geral.