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Conheça Oshun, um duo feminino de hip hop de Nova York com influências yorubá

Embora os Estados Unidos tenha sido erguido a partir da exploração de mão de obra escrava negra, tal qual o Brasil e Cuba, fora as menções à prática de vodu nas províncias do sul (como Louisiana e Nova Orleans) muito pouco se ouve falar a respeito de tradições religiosas africanas que se mantiveram vivas no processo de colonização das terras do Tio Sam.

Sendo do candomblé, isso sempre me intrigou. Qual não foi minha surpresa quando conheci esse duo feminino de hip hop chamado Oshun. Formado por  Niambi Sala e Thandiwe, duas jovens negras de apenas 19 anos residentes em Nova York, o duo referencia Oxum, a deusa yorubá das águas doces, da beleza, da riqueza, do amor e da fertilidade.

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Com inspirações musicais que vão de Nas, Lauryn Hill e Erykah Badu à John Coltrane, Miles Davis e Herbie Hancock, a musicalidade de Oshun é descrita pelo duo como iya sol, uma mistura de neo-soul e hip hop. As letras, por sua vez, são carregadas de espiritualidade e mensagens positivas de empoderamento, amor próprio e resgate às raízes.

Nem tudo na dupla, entretanto, é paz e amor. Vivendo em um contexto político explosivo, em que a comunidade negra americana se revolta frente à série de assassinato de jovens negros por policiais brancos, a dupla apresenta maturidade e consciência política, discutindo com propriedade questões sociais.

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A faixa ‘#’ que abre o primeiro EP da dupla (‘Afaye’, que pode ser baixado aqui) é incisiva em afirmar “We’re the kings and the queens and we’re taking power back! It’s over, i’m done keeping my composure, it’s time to get loud… Fuck making them proud! It’s the revolution! I declare war on you”

Na última semana de abril,  pouco depois de se apresentar ao lado de grandes nomes como Erykah Badu e Joey Bada$$ no Broccoli City Festival, em Washington, o duo lançou seu novo disco ‘Asase Yaa’, termo que significa ‘Mãe Terra’.

Segundo a dupla em entrevista à Impose Magazine o objetivo com esse álbum é “permitir que a mulher negra, assim como qualquer pessoa, atinja a transcendência. Estamos presos na escravidão mental. Através desse projeto nós caminhamos para a libertação, libertando a nós próprias e tomando consciência de quem somos.”

Com doze faixas, o disco pode ser baixado aqui.

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quando a alma pede férias do facebook

infelizmente, ainda sou do tipo de pessoa que mesmo chegando em casa com sede, fome, sono ou vontade de fazer xixi, antes de ir no banheiro abre o laptop aos pulos pela bexiga apertada para checar as últimas curtidas e atualizações no facebook.

talvez por ser um quadro relativamente novo na sociedade, as pessoas geralmente não levam muito a sério quando a gente tenta abordar a questão, entretanto, como acontece com qualquer outro vício, o vício em facebook traz consequências reais e dolorosas pra quem sofre com ele.

em mim observo picos de ansiedade; dificuldade extrema de concentração; sentimento de impotência, como se eu não tivesse controle sobre mim e autonomia de sair fora e ir fazer outra coisa, mesmo que não esteja fazendo nada que presta online; picos de humor e alteração do relógio biológico; dificuldade de dormir ainda que morta de cansaço; dificuldade de acordar e ir cumprir minhas obrigações diárias, como trabalhar, pagar contas, encontrar amigos, e assim por diante.

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para me controlar, já tentei aplicativos que limitam o tempo que posso ficar online (mas no meu caso o vício aprendeu a burlar os apps) e também fazer combinados comigo mesma, como por exemplo de que postaria apenas uma coisa por dia, o que deu certo no começo, mas logo também se mostrou ineficaz.

na verdade, acredito que nenhum desses métodos é em si eficaz ou falho, mas reflexo do comprometimento que firmamos com nossa intenção. uma coisa que funciona bem pra mim, e que eu já faço há algum tempo, é pelo menos uma vez por ano, ou quando necessário, tirar um mês de férias do facebook.

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não, a gente não morre sem facebook, nem fica sem emprego nem sem amigos. pelo contrário, acredito que esse período de reclusão nos oferece uma chance e tanto de re-experimentar o presente; assim como a escrita que não é uma escrita pública, mas íntima; a chance de deglutir bem os acontecimentos antes de emitir opiniões; assim se preservar daquelas toneladas de informação e notícia inútil.

uma coisa que acho deliciosa de estar afastada das redes sociais (embora dessa vez eu tenha whatsapp e instagram) é como muda nossa relação com os nossos amigos, e como passamos a dar mais valor para o momento presente e para a singularidade de cada encontro.

para vencer ou diminuir o vício em facebook, nada como provar um pouco de vida real para relembrar o que realmente importa. em abril, estou de férias. pretendo usar as muitas horas que eu ficava no facebook pra tentar uma coisa nova por dia. este blog é uma delas.

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Por quê o sexo hétero continua sendo sinônimo de penetração se a maioria das mulheres goza pelo clitóris?

Quando a gente fala “sexo com consentimento” será que a gente tem realmente escolha do que acontecerá numa relação sexual?

Apesar da grande maioria das mulheres não atingir o orgasmo (e muitas nem sentirem prazer) com a penetração, será que a gente tem liberdade e os homens/sociedade teriam abertura caso quiséssemos nos relacionar com eles sem o coito da forma como é imposta/dada como natural?

Com 7 bilhões de pessoas na terra, não transamos mais para garantir que através da reprodução vivípara nossa espécie não seja extinta.

Pra que (e a quem) serve o sexo? Será que esse sexo que conhecemos é simplesmente uma regra divina que obedece a anatomia dos corpos, afinal pinto e perereca encaixam, ou se trata de uma doutrinação social, cultural e política dos corpos?

…Porquê encaixar por encaixar pinto e cu também encaixam, então todos os homens podiam era transar entre eles próprios.

A sociedade não impõe apenas como devemos transar, mas com quem devemos transar. desde criança todos somos educados como se a única forma possível e certa de se relacionar fosse com alguém do sexo oposto.

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Apesar de sentir atração pelos dois sexos, nunca tive um relacionamento (nem um affair mais prolongado) com uma mulher e sou bem iniciante no rolê sapatão.

Aí outro dia uma amiga me explicava que existem lésbicas ativas e passivas, e que tem mulher que não gosta nem que encoste na perereca.

– E elas gozam do mesmo jeito, miga?
– Do mesmo jeitinho.

Meu coração quase explodiu quando a resposta foi dada segundo o que eu imaginava.

– Ninguém sai metendo a mão na perereca de ninguém sem pedir autorização não, amiga.

Enquanto ela me contava isso, me vinham na cabeça imagens do quão diferente isso é quando se trata de uma relação heterossexual.

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Como o cara já pressupõe que vai enfiar o pinto em você, o mais comum é que depois de cinco minutos ele já chegue enfiando a mão na sua calcinha, ainda que você claramente esteja longe de co-me-çar a ficar estar excitada. na verdade, eles acham que é isso que vai te excitar, coitados. -.-

Na cama, homens e mulheres tem funcionamentos bem diferentes. enquanto qualquer coisa excita um homem e qualquer coisa o faz gozar (a famosa “vou te dar trabalho a noite inteira” mas não guenta uma rebolada mais forte)…

…Uma mulher demora a entrar no clima e diferentemente do homem que gozou-geralmente-acabou-morreu, a mulher tem a potencialidade de gozar muitas e muitas vezes em sequência.

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Vejo vários homens reivindicando títulos de feministas, e falando que apoiam a causa, se importam com o bem estar feminino, etc, etc, etc, mas tenho certeza que nem 1% destes está disposto a rever, dentre outros, essa suposta obrigatoriedade da penetração nas relações sexuais.

Em uma pesquisa recente onde foram entrevistadas mais de 25 mil mulheres, 86% das mulheres lésbicas afirmaram gozar todas as vezes, contra 65% das mulheres heterossexuais.

Apesar do fetiche falocêntrico que ainda paira sobre a nossa sociedade, cada dia mais cai a ficha de que ninguém precisa de pinto pra gozar (ainda mais que as mulheres que gozam com penetração existem em muito menor grau do que as que o fazem com estimulação clitoriana)

Como fica cada dia mais claro o caráter de * acessório * do pinto – ou seja, é legal mas longe de ser imprescindível – e cada dia mais nos guiamos pela pessoa e não pelo órgão sexual que existe entre as pernas na hora de escolher alguém para se relacionar, seria prudente se homens começassem a se abrir para outros modos se ser e estar numa cama, assim como em todos os demais aspectos da vida.

Sexo é muito mais que penetração, e ó, muito provavelmente se for só penetração, vai ser uma grande bosta. PESSOALMENTE, sou da igreja adventista da massagem do sétimo dia, e acho que a dança é uma das melhores preliminares da vida. Mas isso varia de pessoa pra pessoa, cada um que vá atrás de descobrir do que gosta.

A cor da feminilidade não é a minha

(Por Milena Badu)

Quando se nasce mulher, se é educada desde bem cedo a ser a melhor na performance de feminilidade pra atrair um companheiro.

Quando se é socializada mulher preta, se é convencida que nunca vai ser a melhor na performance de feminilidade pra atrair um companheiro porque os companheiros nunca vão se atrair por você por um motivo muito simples: sua cor.

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Eu como uma boa adolescente sempre esperei um “amor verdadeiro”, aquele cheio de submissão, hierarquia de gênero e cavalheirismo. Nunca alcancei e por bom um tempo (e até hoje em certos dias) achei que o problema das minhas relações nunca prosseguirem fosse meu, totalmente meu.

Eu tentei ser recatada, beber menos, fumar menos, dançar menos, falar mais baixo, deixar o cabelo crescer, usar roupas mais comportadas, sair menos de madrugada, ter menos amigos homens, ser mais reservada, falar menos putaria, transar menos.

Não consegui sucesso em nenhuma dessas tentativas.

Eu demorei a entender que o amor não chega pra mim porque o amor escolhe cor. Aquele mesmo “amor verdadeiro” submisso, hierárquico e cavalheiro… Esse amor também é afromisogino e racista.

É o tipo de amor que só aparece quando o companheiro quer sexo casual em qualquer esquina, quando o companheiro está carente de companhia, quando o companheiro está testando uma negra “quente”.

A feminilidade que construíram pra mulher negra é toda a base da objetificação e hipersexualização e por mais que essa perfomance seja incrivelmente bem feita, o amor não chega pra nós.

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Infecção urinária – Considerações sobre a maldita.

A foto que abre essa matéria é meramente ilustrativa. Não se mate. Sossega Carla, o amor é isso que você está vendo, hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda feira ninguém sabe o que será.

Como a cândida, infecção urinária é uma coisa que infelizmente mais hora menos hora toda mulher vai ter o desprazer de ter. A infecção urinária se caracteriza por uma vontade de fazer xixi toda hora, ainda que quando você sente na privada saiam apenas umas gotinhas, ardendo como o diabo. A gente fica irritada, nervosa, sem conseguir fazer nada direito, com vontade de matar.

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Vejo a saúde íntima feminina como um reflexo de seu estado emocional. A infecção urinária ataca quando nossa imunidade está baixa, quando estamos tristes, ou cansadas, trabalhando demais, dormindo pouco, comendo mal.

Ela pode ser decorrente também de longas sessões de sexo, sexo feito com bexiga cheia ou falta de xixi após as relações sexuais para limpar os canais urinários. por ser uma infecção bacteriana, ela pode acontecer também quando seu ou sua companheira te chupa estando gripado ou gripada.

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Quem já teve sabe que, tratada a tempo, a infecção urinária não causa muitos riscos à saúde. o problema é que nessa medicina alopática estúpida que a gente é submetido, na maioria das vezes que uma mulher toma antibiótico pra curar uma infecção urinária, o antibiótico altera toda a flora bacteriana (natural, de proteção) da vagina, o que muito correntemente acarreta no aparecimento da cândida no final do tratamento. Ou seja, é resolver um problema pra ganhar outro.

É por isso, também, que eu ODEIO tomar antibiótico quando tenho infecção urinária. Existem alguns métodos naturais* que conseguem abrandar ou eliminar com sucesso os sintomas da infecção urinária. O problema é que 1) esses métodos naturais não recebem incentivo em pesquisa e divulgação 2) dependendo do quadro, eles podem funcionar… ou não.

Métodos naturais* que eu uso para tratar infecção urinária: chá de algodão, chá de camomila (os dois são bons para banho de assento, que também pode ser feito com umas gotinhas de própolis), 3 gotinhas de óleo essencial de tea tree na calcinha ou ingerido pela língua. Muuuuita água pra limpar os canais, água morna com limão de manhã para aumentar a imunidade.

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Depois do carnaval, sexta feira acordei extremamente indisposta, sentindo os sintomas de infecção. Tentei óleos essenciais, chás, etc, que até aliviaram os sintomas, mas não foram capazes de curar. O tempo foi passando e ontem, segunda feira, eu não estava conseguindo andar, de tanta dor. Foi uma das dores mais fortes que já senti na vida. no hospital, depois de exames, recebi a notícia que a infecção estava subindo para os rins, e por isso a dor absurda.

Uma infecção urinária não tratada pode subir pros rins, afetando para sempre o funcionamento desses órgãos, isso sem falar na dor in-su-por-tá-vel. tenho inclusive uma amiga que já passou uma semana no CTI por infecção urinária, que assintomática a princípio, subiu para os pulmões!

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Hoje já estou medicada, tomando antibiótico como um mal necessário. por ter um plano de saúde (pago por meus pais) fui atendida rapidamente no Hospital Madre Tereza, fiz tomografia e tudo o mais. enquanto esperava pra ser atendida, pensava nas mulheres que não têm plano de saúde, na carência de ginecologistas nos postos de saúde e no absurdo que cobram ginecologistas por uma sessão particular (de 200 a 400 reais, pra quem não sabe!)

Com o salário que eu ganho, eu não sou capaz de pagar um plano de saúde. no futuro, quando meus pais não tiverem mais condição ou paciência pra me ajudarem nisso, eu também não terei acesso a Unimed, e pelo andar da carruagem dificilmente terei condições de pagar planos de saúde para os meus filhos.

A questão da saúde pública é uma questão de TODAS nós. Uma coisa pequena, como uma infecção urinária, pode ter desdobramentos seríssimos. precisamos cobrar a existência de atendimento ginecológico no SUS, assim como a pesquisa e divulgação de métodos e tratamentos menos abusivos que os (caros) antibióticos.

E você? Como trata a infecção urinária quando ela vem? Tem alguma experiência marcante com a maledita? Escreve nos comentários pra nóis! Para acompanhar todos os posts do Clitóris Livre, curta a gente no Facebook, é só clicar aqui. 

O empreendorismo não é novidade para as mulheres negras

(Por Raíssa Haizer)

À frente de um grupo de mulheres negras empreendedoras todo dia fico a par de inúmeras situações desgastantes e preconceituosas para nós. A sociedade segue não valorizando o  trabalho de pessoas negras, e os brancos por debaixo dos panos muitas vezes continuam achando que estamos aqui para continuar servindo e doando nossos corpos para trabalhos mal remunerados, quase escravos.

Por isso hoje decidi escrever sobre afroempreendedorismo na sua mais pura essência e ação diante de vidas negras. Me lembro bem de quando aos 14 anos dei entrada na ONG na rua debaixo da minha para começar o curso de cabeleireira, e meus colegas de escola me perguntarem porque não havia escolhido um curso de informática ou inglês. Respondi que ser cabeleireira meu sonho, logicamente uma mentira. Meu sonho era ser bailarina mas isso não daria dinheiro, não pra mim, negra e pobre.

Quando decidi me tornar cabeleireira, minha visão não era de futuro, eu não pretendia me tornar uma profissional reconhecida, nem nada do tipo. O que motivava eram as necessidades que gritavam no momento presente: eu queria e precisava ajudar meus pais nas despesas da casa.

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Logo depois de terminar o curso, já comecei a trabalhar como gente grande, como a vida sempre acaba ensinando à pessoas negras. Recebia cinco reais no final do dia depois de lavar muitas cabeças e varrer muitos cabelos, e isso já me deixava mais tranquila e satisfeita, uma vez que pelo menos o pão já estaria garantido.

Se eu fosse uma garota branca, com pais estudados, morando longe de uma favela, aos 14 anos trabalharia? Não. Somos empurrados e locados em lugares invisíveis. Somos uma massa feita para consumir e descartar, feitos para gerar lucro e lixo.

Agora depois de sete anos analisando minha vida, tenho um saldo de dois cursos de graduação inacabados, uma boa clientela e minha visão continua sendo do presente, o futuro continua longe demais pra mim.

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Li certa vez que “O afroempreendedorismo é a única saída para uma pessoa negra”. De primeira achei extremista e até uma alucinação. Vagando pelos textos da internet e na minha própria mente pude concluir que pessoas negras tem que criar as suas oportunidades, por isso empreender seja como for é a nossa alforria, nossa porta de saída dos laços históricos racistas.

Deixar de consumir de grandes empresas, comprar do pequeno negócio é dar a mim uma chance de avançar todo dia, é fazer com que mulheres negras afastadas do mercado de trabalho possam ter uma saída.

Nunca escolhi o afroempreendedorismo, ele veio de uma necessidade como para a maioria que se encaixa nessa categoria. Criar, cuidar, vender produtos e serviços para pessoas negras é negar um sistema que não nos permite escolher, é cortar um cabelo igual ao meu, de uma mulher negra igual a mim sem incita-la a alisar o cabelo.

É atender uma pessoa branca de cabelos lisos e mostrar pra ela que igual aos outros profissionais sou capacitada e profissional. Basicamente o afroempreendedorismo é poder fazer por mim aquilo que ninguém se dispôs a fazer. Por isso amanhã começo ás 8:00.

Para as mulheres negras, só o amor próprio não basta

(Por Milena Badu)

Alguns dias eu acordo querendo ser mulher branca, pedindo todo tempo pra Deus cabelos lisos e olhos claros. E antes que elogiem minha beleza e a estética da mulher negra, entendam que isso é sobre racismo e privilégios.

Quando eu oro pra acordar como uma mulher branca, a oração não vem porque minha pele não me agrada e sim porque agressões diárias são cansativas.

Eu oro pra ter acesso aquela cargo de emprego que me é negado, eu oro pra ser hipervalorizada pela sociedade, eu oro pra ser enaltecida pelos meus traços, eu oro pra que eu não tente mais mudar meu cabelo, meu nariz, meus lábios, eu oro pra não tenham mais nojo dos meus mamilos e vagina preta.

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A luta, a força e a garra são cansativas. A oração é o pedido mais sincero que eu faço pra que eu tente sair desse campo minado de machismo, misoginia e racismo. E o que a oração me traz como resposta é que só o amor próprio não basta, só a guerra, a luta e a força não basta. Eu tenho que estar lúcida de todo o espaço que a sociedade me exclui e que da forma que ela tenta me inferiorizar.

O conforto que eu recebo de Deus pra continuar são as energias dos meus ancestrais pra continuar e prosseguir sem que o desânimo tome todo o espaço do meu coração. E como mulher negra, que a energia que gira entre nós é a mais forte e é que não vai nós fazer desistir de ocupar tudo que é nosso.

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(Auto)gordofobia

(Por Maíra Rodrigues)

Chamei uma amiga ontem para conversar porque eu precisava de ajuda. Passei o dia andando na rua, aqui em Beagá, um dia frio, de vestido. O motivo? Ouvi dizer que tremer de frio faz emagrecer. A vontade de emagrecer era tanta que eu perdi o apetite. Me forcei a comer duas vezes ao longo do dia, mas comia e arrependia. Pra que ingerir aquelas calorias “a mais”? Ela foi fofa, como sempre é, ela entende o que é isso.

Uma vida inteira sendo criada para se odiar, para achar que beleza está ligada a um tipo físico que é bem claro – claro mesmo: mulher bonita é branca, tem cabelo liso, comprido, pele lisinha-sem-manchas, é magra – não é esbelta, é magra mesmo. O que for diferente disso pode ser gostosa, exótica, estilosa, “com personalidade”, mas bonita não é.

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Tive uma fase quase magra quando criança. Fora isso, sempre fui gorda. “Mas, Maíra, você não é gorda”, tem amigues que sempre dizem isso. Não sei se estão tentando ser “legais” (porque ser gorda é algo terrivelmente horrível na nossa sociedade) ou se o padrão deles é diferente mesmo. Se você acha que eu não sou gorda, saia pra comprar roupas comigo.

Pesava quase 100kg na adolescência, me escondia em roupas largas, anos sem usar vestidos ou saias, outros tantos usando somente cores neutras (cinza, marrom, preto, bege). Mas isso não é o pior. Pouquíssimas pessoas sabem disso, mas eu me auto flagelava por causa disso. Fazia cortes e arranhões na barriga – afinal de contas era um lugar escondido que ninguém ia ver – ou você acha que eu tinha coragem?

Pra minha sorte, não ficaram marcas. Por que eu me cortava? Porque era horrível demais, feia demais, gorda demais, esquisita demais, alta demais, meu cabelo era “ruim” demais, “duro” demais, meu quadril largo demais, meu nariz muito grande, minha boca, nem se fala, meu pé grande demais, minhas pernas grossas demais, meus braços flácidos demais.

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“Ah mas isso é coisa de adolescente blablabla”. Não. Não é. Eu me cortei dos 15 aos 28 anos. Parei de me cortar em 2013. Três anos atrás. Por um comentário simples que fez cair muitas fichas e me fez entender que os cortes eram tradução da minha culpa. Uma gratidão sem fim a quem me fez conseguir enxergar isso.

Me cortava com certa frequência, usando minhas unhas. As vezes que tentei com estilete, eu conseguia me controlar. Não era algo premeditado, entende? Mas em alguns momentos eu precisava daquela válvula de escape. Nem sempre era sempre, mas às vezes era mais de uma vez na mesma semana. Era uma forma de me punir por ser quem eu era, por ser muito diferente de tudo o que eu deveria ser.

Quando eu parei de me cortar, já tinha feito a transição do cabelo. Já falava sobre feminismo. Já me achava empoderada. É contraditório: falo sobre autoaceitação, autoestima, discurso contra a gordofobia mas sou eu mesma a maior gordofóbica comigo mesma.

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O padrão foi tão martelado e tão bem martelado na minha cabeça que me peguei pi-ran-do porque engordei. 4kg. Quebrei o dedo do pé, fiquei sem dançar um mês (e, consequentemente, ansiosa por causa disso, e consequentemente, comendo mais) e ganhei 4kg. Me senti horrível.

Olho minhas fotos e me acho horrível, não tem uma em que me ache bonita hoje em dia. Vejo fotos de 3 anos atrás, do início do ano e sinto saudades. Danço e sinto meu corpo lento, demorando a responder. Visto minhas roupas favoritas e todas ficam horrorosas em mim. Alguém me elogia e eu acho que a pessoa está mentindo pra mim, embora fique feliz em ouvir. Caminho contraindo o abdome na rua, na esperança de parecer mais magra, mais bonita.

Como e me arrependo de comer, fico feliz quando perco a fome, não ligo para a dor de estômago ou se fico tonta. Sinto saudades de quando fazia uma única refeição no dia (que durante um mês consistiu em uma pipoca aritana).

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Uma vez tentei por conta própria uma reeducação alimentar. Não deu certo. Perdi o apetite. Enjoava quando sentia o cheiro de comida. Mais de um mês quase sem comer comida de sal. Terminei um namoro em 2012 e sentia tanta raiva dele que não conseguia comer.

Perdi 7kg em um mês e meio. Fiquei feliz porque tinha emagrecido. Não fazia diferença se eu passava mal, eu me preocupava, claro, mas a felicidade por ter emagrecido superava todas as sensações.

Você pode achar que é drama. Mas o que eu sei é que se você pensa assim é porque provavelmente nunca viveu nada parecido. Na adolescência, minhas amigas eram as bonitas, as gostosas, que todo menino queria ficar  etc. Eu? Eu era a amiga legal, inteligente, a que todos queriam estudar com ela, aquela que os amigos homens dizem que é praticamente um deles.

Como não era “desejada”, aprendi que se quisesse ficar com alguém eu teria que me relacionar com quem quisesse ficar comigo. Então, eu me interessava pelos caras que demonstravam interesse em mim. Os amigos que demonstravam algum interesse o faziam escondido. Com várias desculpas – porque elas sempre existem -, ficavam comigo quando ninguém conhecido estava por perto.

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Cheguei em Belo Horizonte e descobri que no forró era mais fácil ficar com as pessoas. Eu ficava com um cara diferente a cada forró, com algumas poucas exceções que eu repetia. Muitas vezes, ficava com pessoas que não tinham nada a ver comigo, mas poxa vida, ele tá me dando mole e eu vou negar?

Demorou muito até que eu tivesse coragem de demonstrar interesse por qualquer cara, até aquele mais bonito da festa que todxs querem. Demorou até eu conseguir fazer isso e estar pronta pra receber um não sem desabar de novo. Demorou até eu fazer isso e entender que poderia ser um sim a resposta.

O padrão de beleza que a gente impõe para as pessoas é muito cruel. E a gente o faz todos os dias. Todos os dias. “Nossa, como você emagreceu! Tá bonita, hein?”. Você fala sobre seu cabelo crespo/cacheado, nariz grande, boca grande e o comentário da outra pessoa é: “é, eu sei como é, também puxei tudo de ruim da minha família” (WTF!!!).

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E aí, coleguinha, você que é magrx ou esbeltx ou sei lá como, mas que não é gordx, enche a boca pra dizer “NOSSA, COMO EU TÔ OBESA” “AI, TENHO QUE PARAR DE COMER, TÔ GORDX” (puxando um tiquim de pele da barriga)”NOSSA QUE BALEIA QUE EU TÔ”. Sabe o que é FODA? Você não sabe o que é ser gordx de verdade.

Você não sabe o que é as pessoas não quererem sentar do seu lado no ônibus. Você não sabe o que é as pessoas não quererem dançar com você porque acham que você é pesadx (e eu me divirto ao mesmo tempo em que fico me roendo de raiva por dentro com a cara de surpresa quando vêem que não é verdade) e o primeiro comentário – com cara de muita surpresa – é: nossa, como você é leve pra dançar.

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Você não sabe o que é dizer que trabalha com dança e a pessoa olhar seu corpo de cima a baixo pra “avaliar” se com aquele corpo é possível mesmo que você trabalhe com dança. Você não sabe o que é as pessoas mal mal darem trela pra você a sua vida inteira, mas se derreterem todxs quando te vêem bonita, dançando numa festa – e, claro, menos gorda do que quando te conheceram.

Você não imagina a raiva que me faz sentir. Você não imagina o quanto eu queria poder ter gravadas certas cenas da minha memória e te mostrar pra ver se você entende do que eu tô falando. Mas nem isso ia adiantar. Eu não ia conseguir te mostrar do meu ponto de vista, com as minhas sensações e com todo o histórico por trás delas. Então, por gentileza, a próxima vez que for falar alguma asneira nesse sentido, re-pense. Eu, sinceramente, não sei qual a graça em lutar contra opressão de um lado e oprimir de outro.

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Como usar drogas e não pegar os carrego-energia-ruim-da-rua, pesquisar

Do mesmo jeitinho que a gente sabe que glitter fode a natureza, mata os peixes, não sai nem por reza, etc, usar drogas no carnaval é o tipo da coisa que quem tem o mínimo de experiência de vida sabe que no(s) dia(s) seguinte(s) vai ser uma merda, que a ressaca vai ser sinistra, que provavelmente depois de se abrir pra todo tipo de energia – positiva e negativa – você vai pro fundo do poço, etc, etc, etc… Mas a gente faz mesmo assim.

Embora me assuste um pouco que a gente enquanto sociedade tenha que fazer uso de substâncias para recuperar a espontaneidade para fazer coisas como dançar, conhecer pessoas, trocar ideia e se divertir, o uso de drogas alucinógenas se observa para os mais diversos fins desde a mais remota antiguidade; expandir a consciência é um desejo natural humano.

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Eu sei que a gente não precisa disso, que existe um paraíso de felicidade dentro de cada um de nós que poderia ser acessado a partir da meditação, por exemplo. eu sei disso tudo, mas na vida real as pessoas usam drogas e eu trabalho com a vida real, na tentativa de ser o mais verdadeira e menos hipócrita possível.

Não faz sentido criticar ou demonizar o uso de drogas enquanto se entope o rabo de café, álcool, remédios de todos os tipos, sal, açúcar e farinha branca. aliás, você já reparou como fica uma criança depois de consumir uma grande quantidade de açúcar? E você continua dando açúcar pro seu filho do mesmo jeito, não continua? Então pronto.

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Aaaah, e dos litros e mais litros de agrotóxicos, muitos desses proibidos internacionalmente, que a gente consome na nossa comida todos os dias, você também não fala nada não né?

Além da importância do indivíduo poder escolher as substâncias que consome, a “guerra às drogas” é uma das principais desculpas para a política genocida do estado, que prende e mata milhares de pobres e pretos todos os dias, enquanto os verdadeiros traficantes seguem de helicóptero, terno e gravata. Aecim!

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Bom, voltando ao tema que orienta esse texto, nos perguntamos: como minimizar os danos, físicos e espirituais, decorrentes do uso de drogas na cidade grande ou em grandes aglomerações humanas onde se circula energia de todo tipo? Como se blindar das energias que entram em nós quando estamos mais abertos pelo uso de entorpecentes?

Acho que a primeira coisa, mais básica de todas, é o seu estado emocional quando você faz uso de drogas, incluindo aqui o álcool. Se você está bem, pode ser que você fique bem (ou não), se você está mal, é quase certo que a droga só vai te potencializar esse estado emocional negativo.

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Outra coisa fundamental é o auto-conhecimento e auto-observação. cada corpo é um corpo, assim como cada indivíduo é único. eu tenho amigos que tomam um pack de cerveja e continuam tranquilos, trocando ideia normal, acordam com uma ressaca moderada no dia seguinte, vão trabalhar como se nada tivesse acontecido e seguem suas vidas. Eu, por contrapartida, se tomo quatro latinhas de brahma já tô chapada e no dia seguinte parece que sou só cacos de vidro, de tanta ressaca.

Uma vez que pela experiência e observação, eu sei que eu reajo assim, eu não posso beber como meu amiguinho, ainda que ele insista, e “fale só mais copinho, vai”. Tanto no consumo de álcool como das demais drogas, acho interessante ir tomando aos poucos, ao invés de grandes quantidades, e observando o efeito daquela substância no seu corpo, para saber quando parar.

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Além disso, é muito comum que as drogas nos tirem o sono e a fome. Pessoas adultas, entretanto, sabem que seu bem estar depende da correta alimentação e sono. Então, vê se come, mesmo que não estiver que com fome, e vê se dorme, senão nos dias seguintes você vai ficar um caco, sem resistência, e pode ser que seu corpo fragilizado até mesmo adoeça.

Bom, em relação às energias que nos cercam, tente usar drogas na companhia de pessoas que você gosta e verdadeiramente confia. Pessoas que você tem certeza que vão cuidar de você caso qualquer coisa aconteça. usando drogas ou não, esteja atento a seu sexto sentido, e se você sentiu que a energia pesou, ou que o clima tá esquisito, pegue um amigo de confiança e vá embora pra um lugar mais tranquilo.

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Em caso de badtrip, teto preto, ou qualquer coisa que o valha, tente ter a consciência de que aquilo ali VAI PASSAR. Fique o mais tranquilo possível, que logo passa. De vez em quando é normal usar droga e dar ruim, mas se esses efeitos negativos continuarem se repetindo, pode ser que essa substância não seja pra você.

Como falou meu amigo Preto Amparo, “acredito que não exista como não “pegar” essas energias (negativas quando se faz o uso de drogas), mas… com a mesma intensidade que uma esponja suga ela libera energia ao ser movimentada. Qual o movimento da sua esponja?

Não são apenas drogas que nos trazem energias ruins, as drogas não são PIORES energeticamente que um abraço mal intencionado. Energia é movimento. Movimente sua esponja. O equilíbrio não está em bloquear as más energias, ele está em como conseguir movimentá-las.”

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Bom, no mais, o dia seguinte geralmente é uma merda mesmo. Se a gente vai artificialmente ao topo, é bem provável que depois a gente caia, e quanto maior a escada, maior a queda. assim, é sempre bom pesar na balança, o prazer que você tem na hora, com o sofrimento que a droga implica no dia seguinte. Tá valendo a pena mesmo?

De qualquer forma, assim como uma badtrip, a ressaca também passa. ao invés de se chafurdar na merda, tente fazer coisas que te fazem bem. comer direito, ir dormir, fazer coisas saudáveis, arrumar o quarto, acender um incenso, tomar um banho de ervas, se você gostar de fazê-lo. Pouco a pouco a gente vai resgatando a dignidade e a vida volta a seguir seu curso normal.

Ah, último pitaco, tão ruim quanto usar drogas é transar com pessoas com a energia desequilibrada, fica a dica. Feliz ano novo pra geral.

 

Chupar é fácil, quero ver fazer massagem

Não é raro a gente encontrar homens que dizem que amam chupar uma perereca. Quando esses homens se deitam com uma mulher, eles só enxergam três coisas: peito, bunda e perereca.

Eu poderia apostar que esse tipo quando chupa uma mulher é mais para que ela fique molhada rápido, do que pensando realmente no seu prazer. Provavelmente, o mesmo cara que se vangloria que adora chupar, e que fala no seu ouvido que vai te comer a noite toda, é o mesmo que não aguenta três reboladas mais fortes que já goza.

Ele mete rápido, como um coelho, e advinha, também goza na velocidade da luz, deixando suas parceiras geralmente pensando o que tem errado com elas (afinal de contas, nós mulheres ainda temos dificuldade de nos desvencilhar da mania de assumir a culpa por tudo de ruim que acontece com a gente).

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Pessoalmente, eu odeio homem que chega pondo a mão direto nas minhas intimidades. Pra mim o órgão sexual mais potente do corpo é a pele. Como já escrevi por aqui, eu gosto de ser tocada com calma, da mesma forma como se adora uma deusa.

Não tenho recursos pra pesquisas científicas, mas tenho uma teoria seríssima de que a mulher que recebe uma massagem antes do ato sexual em si (aliás, o que é o ato sexual em si? pra mim a massagem já é parte dele!) aumenta milhões de vezes suas chances de gozar.

Grande parte do sucesso em atingir um orgasmo reside em estar relaxada. Pensa comigo, quando uma mulher recebe uma massagem que a relaxa, as chances dela atingir o orgasmo aumentam exponencialmente!

Quando uma mulher é tocada em toda a dimensão do seu corpo, com toques que variam de velocidade e intensidade, todo o corpo se desperta, e então, quando o orgasmo vem não é aquele orgasmo aflito, de três segundos, é um orgasmo de corpo todo, que faz a mulher tremer inteira, perder o chão, para então voltar renovada à vida.

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O tipo de sexo que acredito e pratico não tem regras. Não existe uma receita única de sucesso, uma bíblia de posições e técnicas infalíveis que vão atender a multiplicidade de corpos e gostos. Isso não existe.

O que eu posso recomendar, entretanto, é que a gente desaprenda tudo que nos foi metido guela abaixo ensinado pela pornografia e pela indústria cultural, e nos tornemos mais abertos a escutar nosso próprio desejo.

tumblr_n59a83o8dc1qghjduo1_400Eu sou da escola do toque. Gosto de quem come pelas beiradas (o que não significa em absoluto uma pegada mole ou fraca!) Gosto quando ao invés de ir direto me chupando, o cara me excite toda, de modo a eu ter que praticamente implorar pra que ele me chupe.

Gosto de dedos quentes que percorrem o corpo todo. Gosto de gente que não conhece limites. Gente que chupa tornozelo (sério, experimenta!). Gente que lambe todas as articulações (sabia que isso faz liberar ferormônios?). Gente que lambe o dedão do pé se tiver com vontade.

tumblr_o5wsjvac411qimr0ko1_400Sim, é fundamental saber onde fica o clitóris. Mas uma vez que você já aprendeu, vá além dele! Explore todo o corpo. Faça uma bela massagem nos pés, nas mãos, na cabeça.

Andamos tão estressados. Ajude ela a relaxar com uma bela massagem nas têmporas. Passe os dedos pelos lábios dela. Beije. Beije. Beije. Beije a boca com a mesma intensidade com que você lhe faz o sexo oral. Puxe seu cabelo. Acaricie. Ouse.

Descubra qual é o lugar do corpo que realmente lhe dá tesão. Experimente a orelha, a nuca. Beije seus mamilos, sim, mas também experimente beijá-la na altura do coração (sim na parte do osso). Quando estiver a chupando, não chupe só o clitóris. Chupe tudo. Beije a coxa. Beije a parte superior da vulva.

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Pra quem não é “o” expert em massagem tântrica, uma dica quente! Tudo fica 10000000x mais prazeroso quando a mão desliza com facilidade.

Ou seja, suas chances aumentam muito quando você faz a massagem no corpo dela com óleo próprio pra massagem. Na Lolla Sex Shop tem várias opções de óleos pra massagem, sabonetes para banhos sensuais, excitantes, velas que viram óleo de massagem na medida em que queimam, etc.

O importante é fazer da cama um lugar prazeroso, leve, de brincadeira. O corpo tem sua sabedoria própria. Mais hora menos hora a penetração vai acontecer. Take your time. Vai com leveza e carinho que tudo vai dar certo.

E ah! Em caso de ejaculação precoce, lembre-se de respirar sempre. E parar um pouquinho a penetração pra continuar depois não é vergonha pra ninguém. Sejam felizes!

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Sex-gifs, pornografia, pornografia “feminista” e mais: Siririca sem tabu!

Fast-forward. Acelera o filme. Tira a mão da perereca menina. Criança rebelde com sexualidade forte que transava com as amiguinha tudo, mas cuja mãe tinha um grande pavor que virasse lésbica, e era altamente podada de se masturbar, inclusive nunca tendo tido chave do próprio quarto.

Acelera o filme, acelera o filme. Amiga legal da galera, mas que nunca era escolhida pra ficar com os garotos. Nódulo no seio e vergonha de que encostassem nela e sentissem o caroço. Bloqueios com masturbação atualizados com sucesso.

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Acelera o filme. Operação do seio. Vergonha da cicatriz, mas foda-se. Faculdade. Hormônios começam a desacelerar. O corpo desincha, a bochecha (e o nariz?) diminuem. Começar a ser mais desejada.

Perda da virgindade. Namoro. Começa a tomar gosto por sexo. Como tem sexo, acha que não precisa se masturbar. Acelera o filme, acelera o filme. Término pra desbravar o mundo e conhecer outras pessoas além do primeiro pinto.

Um ano de solterice. Muitos corpos e afetos. Orgasmos. Solteira, independente, forte, amante de arte e da imagem de corpos nus, mas ainda assim, masturbação que é bom, nada.

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Segundo namoro sério. Chega na casa do namorado sexta à noite e só sai do quarto segunda, correndo pra ver se chega a tempo pro segundo horário. Descoberta espontânea do tantra e dos orgasmos múltiplos. Pouca comida e muito sexo, olheiras pretas de manhã.

Considerando-me satisfeita sexualmente, mais uma vez nada (ou quase nada) de masturbação. Acelera o filme, acelera o filme. Namoro a distância. Hormônios a fazem subir pela parede. Siriricas pontuais e rapidíssimas, com os dedos nunca. Monta em cima de uma almofada e rela, em três segundos o gozo, nunca tão potente quanto com o parceiro.

Acelera o filme, acelera o filme. Término do namoro longo. Outros corpos, outros afetos. Aprendeu a gozar, goza com qualquer um. Alto nível de satisfação acompanhada, mas não conseguia se (permitir a) ter prazer consigo mesma sozinha. A consciência que alguma coisa estava errada. Por quê esse bloqueio tão grande?

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Mais do que uma sessão de terapia pra investigar meu inconsciente, nesse texto eu quero falar sobre como eu comecei a romper esse bloqueio. Nessa época os filmes pornôs não dialogavam nada comigo. Eu não tinha vontade de assistir aquilo, não me excitava.

E eu já consumia muitas imagens de gente sem roupa (amo corpos nus, amo ficar pelada desde criancinha, nunca me acostumei com roupa), mas isso também não me excitava sexualmente. Mas no meio de tantos tumblrs e etc, uma coisa começou a chamar minha atenção: os sex gifs.

Acredito que hoje em dia, uns bons anos depois dessa história que estou contando, eles já não sejam muita novidade pra ninguém, mas não custa explicar: os sex-gifs são seleções das melhores partes dos filmes pornôs (a parte paia é essa, daonde eles vem).

Eles focam só naquela pegada mais forte no cabelo, ou naquela entrada, enfim, em detalhes que fazem toda a diferença. Eu não sei por quê, mas os gifs me davam muito tesão, e foi com eles que eu comecei a me masturbar mais.

Inclusive uma curiosidade, olhando a frequência de repetição dos gifs que mais me atraíam, eu comecei a entender aos poucos quais eram as posições que eu mais gostava, e quais eram aquelas que eu morria de vontade mas ainda não tinha coragem de fazer.

Segue uma seleção com os melhores pra exemplificar:

Enfim, como efeito colateral, depois que comecei a me sentir mais solta com isso, os sex-gifs me familiarizaram com os vídeos pornôs (ou vocês que compartilham eles no facebook e tumblr acham que essas imagens vêm daonde?)

Embora me sentisse incomodada com o modo que as mulheres fossem retratadas e tratadas na pornografia, eu comecei a fuçar e descobri algumas tags que eu me sentia mais a vontade (ou com mais tesão) e relevei toda aquela violência.

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Com o tempo, entretanto, e a aproximação das ideias feministas, eu comecei a problematizar mais e mais a pornografia. Por quem e para quem aqueles vídeos eram feitos? Por quê as mulheres eram sempre retratadas em posições submissas (e sendo violentadas)? Quem eram aquelas mulheres? Como eram suas carreiras? O que ficava pra elas da ultra-lucrativa indústria pornográfica?

É grande o número de homens que vem apresentando disfunção erétil, e não por razões orgânicas, mas por um vício em pornografia. Além de criar uma consrução falsa sobre o que é o corpo feminino, como o sexo funciona, sempre da mesma forma (a mulher sempre começa chupando, aí depois papai mamãe, depois de quatro, depois ela se ajoelha no chão e ele goza nos peitos ou na cara dela), quanto tempo dura, com que intensidade vai, etc.

Você pode ler mais textos feministas que problematizam a pornografia aqui, aqui e aqui.

Pessoalmente, eu ainda não tenho um posicionamento final a respeito da pornografia. Entendo que num mundo extremamente conectado, em que se fotografa e filma de tudo, obviamente o sexo também será retratado. O maior problema na indústria da pornografia, na minha humilde opinião, é quem detém seus meios de produção, a hegemonia de quem a produz e o público alvo, que é sempre masculino.

E se ao invés da câmera focar apenas no close da penetração ela explorasse o toque, o contato da pele com pele? E se ao invés de corpos padronizados e siliconados, perfeitamente depilados, tivéssemos uma diversidade de corpos, cores e tamanhos? E se ao invés da mesma sequência de posições e fetiches que só querem satisfazer o ego masculino, nós tivéssemos imagens que excitassem as mulheres?

Essa é a proposta do pornô-feminista, vertente que tem Erika Lust como uma de suas maiores representantes (acesse seu portal para conhecer melhor seus filmes). Além dela, indicamos Blue Artichoke Films, A Four Chambered Heart e Candida Royalle.

O assunto é polêmico e não há consenso a respeito dele. O que expressei aqui foi simplesmente a minha opinião e vivência, e não uma verdade absoluta a respeito do assunto. Apresento opções para minas que como eu tem ou tiveram bloqueios com a conquista do próprio prazer.

Claro que o mais legal de tudo seria a mulher descobrir espontaneamente seu próprio corpo e sexualidade, ter a liberdade de tocar-se de todas as formas, independente de estar na frente de um computador. A gente já passa grande parte do nosso tempo conectado e claro que seria melhor ser só ela e sua imaginação, eu sei disso tudo. Mas sinceramente? Ruim mesmo é ficar sem gozar. Então se a tecnologia taí, que ela esteja a nosso favor e nos ajude!

No próximo post, vamos falar de um outro excelente aliado que envolve a tecnologia e orgasmo: o maravilhoso mundo dos vibradores!  ❤ Se você ainda não curtiu, dá um like na nossa página no Facebook e fique por dentro de todos os posts. Até mais!

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O por quê penetrar sem camisinha sua parceira contra sua vontade também é uma forma de estupro

 

– Ai, mas sem camisinha é tão mais gostoso.
– A camisinha não cabe no meu pinto direito.
– Me aperta.
– Me faz brochar.
– Odeio essa coisa de parar o que a gente tá fazendo pra colocar camisinha.
– Com camisinha eu gozo rápido, sem camisinha eu duro muito mais.
– Deixa eu sentir só o molhadinho vai, só a cabecinha.
– Vamo começar sem, daqui a pouco a gente coloca.
– Eu não vou gozar dentro, eu juro.

23 anos. A impressão que me dá é que tu é feito Teresa, a namorada de Manuel Bandeira. Teresa que tinha os olhos muito mais velhos que o resto do corpo. Diz ele que os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse. Minha cabeça se encaixa perfeitamente no seu ombro. Quando a gente tá bem perto assim – os narizes colados um no outro praticamente, respirando o mesmo ar – e eu te olho bem de perto, barba bigode testa, não há nada no seu rosto que revele sua pouca idade.

Já te falei isso. Você é do tipo de pessoa que tem ao mesmo tempo 8, 20 e 790 anos. Gosto de você. Gosto do carinho que cê me dá, que a gente troca. Tenho aprendido muito com você… Coisas que você me ensina em silêncio. No carinho que você faz no seu gato, na consideração que tem com os seus amigos, na atenção que você dá pra sua vó, na paixão e na seriedade (e ao mesmo tempo no bom humor!) com que você leva sua vida e seu trabalho. Na sua escolha de não reclamar de nada e sempre tentar ver a vida sempre por um lado positivo. Eu realmente gosto de você.

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E talvez tenha sido justamente por gostar de você que eu não levantei e fui embora ontem à noite assim que aconteceu.

Acordei hoje bem mais cedo que tu. Fiquei te olhando, fazendo carinho, mas não conseguia mais dormir. Estava triste, com raiva, preocupada. Você sabe desde o começo o quanto me preocupo com usar camisinha, o quanto tomo cuidado com isso. E mesmo assim, por mais que eu sempre tenha te falado isso, que não queria transar sem proteção, ontem quando eu estava no ápice do prazer – quase em outro planeta – enquanto você me chupava, você rapidamente subiu pra cima de mim e me penetrou no pêlo, apesar de todas as conversas que a gente já teve a respeito e apesar de todos os meus nãos.

Você argumentou que foi “irresistível” (“ai, tava tão molhadinha, nem pensei direito”), que não pensou no que fez, pediu mil desculpas me olhando no olho, disse que não faria de novo; ao mesmo tempo que no sub-entendido das suas palavras algo já se pronunciava que “se já tinha ido sem mesmo né, por quê não continuar”.

Apesar deu ter pegado o celular e te mostrado no aplicativo que estava no meu período fértil, você fez de novo, e de novo. A cada vez meu olhar ficando mais e mais triste. O seu pedido de desculpa o mesmo. “Me desculpa, eu juro que não vou fazer isso de novo. Não fica com essa carinha vai, não preocupa com isso não, vem cá, deita aqui no meu ombro”. Na manhã de domingo, meio nessa onda tá na chuva é pra se molhar, você gozou dentro e fez aquela carinha de não consegui me segurar, “estava irresistível”.

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Você me deixou em casa e foi trabalhar. Embora nervosa, preocupada, já sabendo que teria que tomar pílula do dia seguinte, cheguei em casa achando que tava tudo bem, afinal de contas o sexo tinha sido gostoso, eu tinha gozado até. Mas na medida em que sozinha eu via a tarde passar, e aos poucos sentia aquela mistura de líquidos descer pela minha calcinha, fui ficando mais e mais incomodada. Alguma coisa não estava bem. Meu coração estava apertado por quê eu sentia que minha vontade e meu corpo tinham sido violados.

Eu não havia pedido nem concordado com aquela mistura de líquidos dentro de mim. Eu não tomaria uma pílula do dia seguinte por um descuido meu, ou nosso – por quê às vezes acontece, de comum acordo a gente mete o louco e decide transar sem camisinha e se olha nos olho e fala “foda-se”, “entra”, “vem” – mas não foi o caso. Você entrou por quê deu na sua cabeça de entrar. Você me pegou no estágio de um leve torpor e não me pediu permissão e entrou. Não satisfeito (ou já naquela “ajoelhou tem que rezar”) ainda gozou dentro.

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Enquanto tomava banho fiquei pensando no por quê eu não reagi, por quê eu não simplesmente levantei e fui embora assim que aconteceu. Talvez por ter um histórico de ser abusada por homens do círculo mais próximo de confiança, às vezes eu tenho uma certa de dificuldade de assumir até pra mim mesma que eu fui vítima de algum abuso.  Me lavava e sentia raiva e vergonha, me culpando que eu devia ter estado mais alerta, mais vigilante! Mas mano, se eu faço sexo é justamente por quê eu não quero estar vigilante, eu quero relaxar… e pra isso acontecer eu preciso me entregar e (para isso) confiar no meu parceiro. Sem entrega e sem confiança, o sexo serve pra quê?

Eu acredito em uma outra forma de sexo, cê tá ligado. E eu tenho que ser honesta com o que eu sinto, se me incomoda eu não vou ficar calada e não vou fingir que está tudo bem, que te perdôo, que não foi nada simplesmente pra você ficar menos triste por quê sabe que vacilou.

Se eu falei que não é não. Se eu falei que eu não queria transar sem camisinha cê não pode me chupar, me deixar molhada e simplesmente por isso entrar falando que é irresistível. Isso não rola. Não tem camisinha não trepa. A gente transou com camisinha todas as vezes antes, e você gostava, não gostava? Sei lá. Óbvio que sem é melhor, mas isso tem que ser quando os dois estão de acordo a respeito de fazer sem, não só quando uma das partes decide.

Eu continuei lá com você por quê gosto de você, gosto de transar com você. Mas, na moral, já conversamos sobre isso, algumas vezes. Não vou ficar fazendo o mesmo discurso de novo e de novo. Eu odeio dar bronca. Eu não sou gato pra ter filho de bigode. Não vou ficar explicando o óbvio, como se você não tivesse capacidade de entender uma coisa tão simples. Se isso acontecer de novo eu simplesmente vou embora, e pra não voltar nunca mais. Na real, se isso acontecer de novo como eu te falei cara-à-cara eu corto seu pau fora, môo no moedor e misturo no Whyskaz dos seus gatos.

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Tudo tem que ter consentimento. senão é abuso. Se só exigir já é um ato de machismo, chegar às vias de fato e penetrar sem camisinha sendo que a mulher falou que não queria, é o quê? Fazer qualquer coisa na cama sem o consentimento da sua companheira é estupro. Ela pode ser sua namorada, sua esposa, ou sua ficante, se ela não estiver a fim, você não pode penetrá-la de forma alguma. Você não tem nenhum direito sobre ela e ela não te deve nenhuma obrigação.

Você não pode fazer nada com uma mulher que vá contra a vontade que ela deixou expressa em palavras e/ou em atos. E mesmo que ela não tenha dito nada te proibindo, como por exemplo num estado de torpor ou embriaguez, você não tem direito de entrar nela (muito menos sem camisinha) a não ser que ela te convide pra entrar. ISSO TEM QUE FICAR MUITO CLARO.

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Não se transa com uma mulher embriagada, talvez nem bêbada demais. Se a pessoa não te der a chave muito clara de que QUER fazer algo com você, você não faz. Se você tenta alguma coisa com uma mina na cama, tipo comer o cu dela por exemplo, e ela não quer ou não deixa, e você insiste loucamente e faz à força, indo contra a vontade dela, ISSO É ESTUPRO. Você não tem direito de fazer nada com uma pessoa simplesmente por quê VOCÊ quer. (E mano, você não pode embriagar uma pessoa ou fazer nada que ela não consinta)

Se você goza dentro da mina, sendo que o combinado era não gozar, eu não sei falar se é estupro ou não. Mas que é muito escroto é. Se você não consegue segurar, não faça. É aquela velha história não sabe brincar não desce pro play. É a mina que tem que tomar pílula do dia seguinte, que vocês muitas vezes nem se oferecem pra dividir, e aguentar a sensação desoladora de ressaca de cocaína que é tomar essa bomba de hormônio. É a mina que pode ficar grávida, e ter que passar pela decisão difícil pra caralho de ter um filho ou de abortar. Vocês não tem ideia do que é isso. É muita irresponsabilidade (ou filha da putagem mesmo) achar que você tem direito de decidir sobre o corpo de uma outra pessoa.

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Fiquei na dúvida se escrevia ou não esse texto, e o que faria com ele. Mas você já me conheceu assim, e é através das palavras que eu me entendo e me curo. Não é a primeira vez que eu tenho que conversar sobre posturas machistas e abusivas no sexo com homens que eu estava me relacionando. E muitas vezes até com caras muito fodas, que eu gostava muito. Aconteceu antes já, com um namorado incrível, com um sexo delicioso, que a gente tinha uma super sintonia na cama, mas que em certa altura do nosso relacionamento em uma viagem inventou de achar que eu era obrigada a responder ao apetite sexual dele e transar com ele sempre que ele estivesse com vontade.

Pode-se alegar que isso seja coisa de criança, que é por quê ele é muito novo. Tem muito homem velho de guerra fazendo as mesmas coisas. E com essa educação machista e patriarcal que é ensinada à todos os homens pela sociedade, e no sexo o que é ensinado sobre respeito à mulher, todo homem precisa ser re-educado. Mas não cola a desculpa de que você é muito novo. Isso devia ser básico. Não passarão ainda que tenham um rostinho bonito, um papo bom e um pinto gostoso. Mais uma vez, nenhuma mulher te deve nada, muito menos sexo. O corpo de cada pessoa é um templo. Show some respect.