Mês: abril 2017

A cor da feminilidade não é a minha

(Por Milena Badu) Quando se nasce mulher, se é educada desde bem cedo a ser a melhor na performance de feminilidade pra atrair um companheiro. Quando se é socializada mulher preta, se é convencida que nunca vai ser a melhor na performance de feminilidade pra atrair um companheiro porque os companheiros nunca vão se atrair por você por um motivo muito simples: sua cor. Eu como uma boa adolescente sempre esperei um “amor verdadeiro”, aquele cheio de submissão, hierarquia de gênero e cavalheirismo. Nunca alcancei e por bom um tempo (e até hoje em certos dias) achei que o problema das minhas relações nunca prosseguirem fosse meu, totalmente meu. Eu tentei ser recatada, beber menos, fumar menos, dançar menos, falar mais baixo, deixar o cabelo crescer, usar roupas mais comportadas, sair menos de madrugada, ter menos amigos homens, ser mais reservada, falar menos putaria, transar menos. Não consegui sucesso em nenhuma dessas tentativas. Eu demorei a entender que o amor não chega pra mim porque o amor escolhe cor. Aquele mesmo “amor verdadeiro” submisso, hierárquico …