Relacionamentos e Sexualidade
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Sex-gifs, pornografia, pornografia “feminista” e mais: Siririca sem tabu!

Fast-forward. Acelera o filme. Tira a mão da perereca menina. Criança rebelde com sexualidade forte que transava com as amiguinha tudo, mas cuja mãe tinha um grande pavor que virasse lésbica, e era altamente podada de se masturbar, inclusive nunca tendo tido chave do próprio quarto.

Acelera o filme, acelera o filme. Amiga legal da galera, mas que nunca era escolhida pra ficar com os garotos. Nódulo no seio e vergonha de que encostassem nela e sentissem o caroço. Bloqueios com masturbação atualizados com sucesso.

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Acelera o filme. Operação do seio. Vergonha da cicatriz, mas foda-se. Faculdade. Hormônios começam a desacelerar. O corpo desincha, a bochecha (e o nariz?) diminuem. Começar a ser mais desejada.

Perda da virgindade. Namoro. Começa a tomar gosto por sexo. Como tem sexo, acha que não precisa se masturbar. Acelera o filme, acelera o filme. Término pra desbravar o mundo e conhecer outras pessoas além do primeiro pinto.

Um ano de solterice. Muitos corpos e afetos. Orgasmos. Solteira, independente, forte, amante de arte e da imagem de corpos nus, mas ainda assim, masturbação que é bom, nada.

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Segundo namoro sério. Chega na casa do namorado sexta à noite e só sai do quarto segunda, correndo pra ver se chega a tempo pro segundo horário. Descoberta espontânea do tantra e dos orgasmos múltiplos. Pouca comida e muito sexo, olheiras pretas de manhã.

Considerando-me satisfeita sexualmente, mais uma vez nada (ou quase nada) de masturbação. Acelera o filme, acelera o filme. Namoro a distância. Hormônios a fazem subir pela parede. Siriricas pontuais e rapidíssimas, com os dedos nunca. Monta em cima de uma almofada e rela, em três segundos o gozo, nunca tão potente quanto com o parceiro.

Acelera o filme, acelera o filme. Término do namoro longo. Outros corpos, outros afetos. Aprendeu a gozar, goza com qualquer um. Alto nível de satisfação acompanhada, mas não conseguia se (permitir a) ter prazer consigo mesma sozinha. A consciência que alguma coisa estava errada. Por quê esse bloqueio tão grande?

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Mais do que uma sessão de terapia pra investigar meu inconsciente, nesse texto eu quero falar sobre como eu comecei a romper esse bloqueio. Nessa época os filmes pornôs não dialogavam nada comigo. Eu não tinha vontade de assistir aquilo, não me excitava.

E eu já consumia muitas imagens de gente sem roupa (amo corpos nus, amo ficar pelada desde criancinha, nunca me acostumei com roupa), mas isso também não me excitava sexualmente. Mas no meio de tantos tumblrs e etc, uma coisa começou a chamar minha atenção: os sex gifs.

Acredito que hoje em dia, uns bons anos depois dessa história que estou contando, eles já não sejam muita novidade pra ninguém, mas não custa explicar: os sex-gifs são seleções das melhores partes dos filmes pornôs (a parte paia é essa, daonde eles vem).

Eles focam só naquela pegada mais forte no cabelo, ou naquela entrada, enfim, em detalhes que fazem toda a diferença. Eu não sei por quê, mas os gifs me davam muito tesão, e foi com eles que eu comecei a me masturbar mais.

Inclusive uma curiosidade, olhando a frequência de repetição dos gifs que mais me atraíam, eu comecei a entender aos poucos quais eram as posições que eu mais gostava, e quais eram aquelas que eu morria de vontade mas ainda não tinha coragem de fazer.

Segue uma seleção com os melhores pra exemplificar:

Enfim, como efeito colateral, depois que comecei a me sentir mais solta com isso, os sex-gifs me familiarizaram com os vídeos pornôs (ou vocês que compartilham eles no facebook e tumblr acham que essas imagens vêm daonde?)

Embora me sentisse incomodada com o modo que as mulheres fossem retratadas e tratadas na pornografia, eu comecei a fuçar e descobri algumas tags que eu me sentia mais a vontade (ou com mais tesão) e relevei toda aquela violência.

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Com o tempo, entretanto, e a aproximação das ideias feministas, eu comecei a problematizar mais e mais a pornografia. Por quem e para quem aqueles vídeos eram feitos? Por quê as mulheres eram sempre retratadas em posições submissas (e sendo violentadas)? Quem eram aquelas mulheres? Como eram suas carreiras? O que ficava pra elas da ultra-lucrativa indústria pornográfica?

É grande o número de homens que vem apresentando disfunção erétil, e não por razões orgânicas, mas por um vício em pornografia. Além de criar uma consrução falsa sobre o que é o corpo feminino, como o sexo funciona, sempre da mesma forma (a mulher sempre começa chupando, aí depois papai mamãe, depois de quatro, depois ela se ajoelha no chão e ele goza nos peitos ou na cara dela), quanto tempo dura, com que intensidade vai, etc.

Você pode ler mais textos feministas que problematizam a pornografia aqui, aqui e aqui.

Pessoalmente, eu ainda não tenho um posicionamento final a respeito da pornografia. Entendo que num mundo extremamente conectado, em que se fotografa e filma de tudo, obviamente o sexo também será retratado. O maior problema na indústria da pornografia, na minha humilde opinião, é quem detém seus meios de produção, a hegemonia de quem a produz e o público alvo, que é sempre masculino.

E se ao invés da câmera focar apenas no close da penetração ela explorasse o toque, o contato da pele com pele? E se ao invés de corpos padronizados e siliconados, perfeitamente depilados, tivéssemos uma diversidade de corpos, cores e tamanhos? E se ao invés da mesma sequência de posições e fetiches que só querem satisfazer o ego masculino, nós tivéssemos imagens que excitassem as mulheres?

Essa é a proposta do pornô-feminista, vertente que tem Erika Lust como uma de suas maiores representantes (acesse seu portal para conhecer melhor seus filmes). Além dela, indicamos Blue Artichoke Films, A Four Chambered Heart e Candida Royalle.

O assunto é polêmico e não há consenso a respeito dele. O que expressei aqui foi simplesmente a minha opinião e vivência, e não uma verdade absoluta a respeito do assunto. Apresento opções para minas que como eu tem ou tiveram bloqueios com a conquista do próprio prazer.

Claro que o mais legal de tudo seria a mulher descobrir espontaneamente seu próprio corpo e sexualidade, ter a liberdade de tocar-se de todas as formas, independente de estar na frente de um computador. A gente já passa grande parte do nosso tempo conectado e claro que seria melhor ser só ela e sua imaginação, eu sei disso tudo. Mas sinceramente? Ruim mesmo é ficar sem gozar. Então se a tecnologia taí, que ela esteja a nosso favor e nos ajude!

No próximo post, vamos falar de um outro excelente aliado que envolve a tecnologia e orgasmo: o maravilhoso mundo dos vibradores!  ❤ Se você ainda não curtiu, dá um like na nossa página no Facebook e fique por dentro de todos os posts. Até mais!

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4 comentários

  1. Pingback: Chupar é fácil, quero ver fazer massagem | Clitóris Livre

  2. conversandosozinha diz

    Loes, sempre que te vejo nas festas, minha vontade é beijar sua boca!
    Obrigada pelos textos estão me ajudando muito ❤

    Curtido por 1 pessoa

  3. de um escritor para uma escritora: a pornografia [literária ou fotográfica] sempre foi fonte de polêmica e controvérsia. eu juro que eu estou tentando entender o ponto de vista das feministas radicais que são contra a pornografia. chegam a ser parecidas com os conservadores cristãos pois concordam que pornô e prostituição devem ser proibidos, censurados.

    Curtir

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