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Sobre capitalismo, frustrações, crise e oportunidades

Terceirizados, freelas e autônomos. Somos parte de uma geração que não tem carteira assinada, que não tem direitos trabalhistas e que provavelmente viverá de aluguel pra sempre – por quê pelo menos por aqui a perspectiva de juntar 300 mil pra comprar um imóvel, ou até mesmo os 20 mil de entrada, é nula.

Pelo andar da carruagem, quando ficarmos velhos dificilmente receberemos aposentadoria do governo (ou você acha que a Previdência vai aguentar até quando?) …E então, como nos posicionar frente à crise? Como melhorar nossa relação com o dinheiro?

Sem título

Eu nasci numa família de classe média em decadência, o que quer dizer que meu avô deu pro meu pai uma condição de vida melhor que meu pai conseguiu me dar, e que pelo andar da carruagem, eu darei pros meus filhos uma condição de vida menor que meu pai conseguiu me dar. Isso materialmente falando, é lógico.

Ainda assim, durante o ensino fundamental e médio, meus pais fizeram um sacrifício tremendo pra pagar as mensalidades da escola de classe abonada que eu estudei. Acho que foi lá, vendo a disparidade do poder de compra entre eu e meus colegas que iam pra Disney todo ano e ostentavam coleções de Nike Shox horrorosos, que eu comecei a me ligar a respeito da luta de classes e dos privilégios daquela bolha isolada do mundo em que eu vivia.

Depois de um tempo, tomei nojo. Na faculdade, fui para um caminho oposto às promessas de muito dinheiro que ambicionavam meus colegas que prestariam vestibular para Direito, Medicina e Engenharia. Entrei à princípio na Ciências Sociais, e depois querendo um curso que me possibilitasse agir mais no mundo de maneira prática, fiz um novo vestibular para Comunicação Social.

A escolha dos cursos que fiz já dizia da minha falta de ambição monetária. Eu via que o mundo estava todo errado, todo desigual, escroto, falido, e acreditava que para sustentar meu posicionamento político, eu não podia ganhar dinheiro.

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O sonho de algodão-doce com que cresceu a geração que hoje tem vinte e poucos anos

Faço parte de uma geração que cresceu ouvindo que poderia ser o que quisesse, que deveria trabalhar com o que amava. Na faculdade de Comunicação, acreditei que quando formasse iria arrumar um trabalho que me estimularia tanto criativa quanto intelectualmente, preferencialmente em um ambiente descolado em que as pessoas pensassem como eu.

Quando formei, levei um belo dum murro na cara da realidade. O mercado de trabalho não era nada disso que eu achava que ia ser. Aliás, com a crise, o mercado de trabalho na minha área mal existia… E se existia, não estava contratando. E na verdade nem eu queria me prostituir vendendo meu tempo para agências de publicidade pra fazer propaganda pra Vale e outros mineradoras e empreiteiras.

Escrevi um pouco sobre a depressão que me assolou depois que me formei aqui

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Eu queria viver dos meus próprios projetos e da minha criatividade.

Outro dia uma amiga me falou que no mundo há dois tipos de pessoas que fazem as coisas: os especialistas e os experimentalistas. Eu definitivamente me encaixo no segundo grupo. Minha cabeça pipoca ideias e projetos, nas mais diversas mídias e linguagens, e no momento ainda estou longe de conseguir trazer tudo que quero pro mundo.

No momento, eu trabalho, sem carteira assinada, como assessora de comunicação em uma companhia de teatro. É o que me dá o pão de cada dia, embora com o que eu ganhe eu ainda não consiga nem sair de casa. Além disso, sou fotógrafa, DJ, produtora de eventos e escrevo esse blog.

Percebo, enfim, que o dinheiro em si não é ruim nem bom, é neutro. O dinheiro é um facilitador de trocas. O dinheiro é o que fazemos com ele. Se eu tenho na cabeça tantos projetos pra parir, eu preciso de um mínimo de recursos pra colocá-los em circulação no mundo. O dinheiro é uma possibilidade de investimento… E se bem utilizado, pode fazer coisas incríveis.

Eu acredito que ao invés de rejeitar o dinheiro em si (utopia), nós devemos é fazer o dinheiro circular entre os nossos. Ao invés de comprar roupa da C&A ou Zara ou qualquer outra fast-fashion que usa de trabalho escravo e materiais de baixa qualidade, vale valorizar a mina que tá no corre pra firmar sua marca no mercado e que tem mó cuidado nos materiais que escolhe usar, sua sustentabilidade, etc. Ao invés de comprar o caderno naquela grande rede de papelarias, você compra da mão da mina que faz ela própria, e assim por diante.

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Na real, eu preciso me manter, se eu quero evoluir no que eu faço, eu preciso de dinheiro pra comprar equipamentos, fazer cursos, me aprimorar, etc. Então não é vergonha nenhuma cobrar pelos meus serviços e aceitar que os outros me paguem pelo que eu faço bem, ainda mais se isso for útil pro mundo. (Inclusive, eu começo a ter vontades de começar a empreender e aprender a ganhar dinheiro de verdade. Me aguardem)

Foi por isso que eu não pensei duas vezes quando a Lolla Sex Shop me procurou propondo uma parceria com o blog. Além de acreditar no trabalho e nos produtos deles, que realmente possuem os menores preços da web (pesquisa aí procê ver), eles patrocinarão uma série de posts que eu já tava afimzona de escrever há um tempão, uma espécie de Manual de Masturbação.

Composto por uma série de 10 posts, neste “Manual de Masturbação” falarei um pouco sobre os mitos e tabus acerca da velha e boa siririca, assim como técnicas de obtenção de mais prazer sozinha, produtos quentes e daí por diante. Vamo que vamo? O primeiro post da série sai em breve. 😉

SexShop Lolla.com.br

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2 comentários

  1. Muito obrigada por este texto, Luísa. De verdade.
    Estou passando pelo processo de sair da C. Sociais e uma vontade absurda de entrar de vez na Comunicação Social e minhas angústias são exatamente estas.

    Obrigada mais uma vez por mostrar que não estamos sozinhas e que de uma forma ou outra, é possível.

    abraços

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  2. lollasexshop diz

    É um prazer fazer parte deste projeto Luísa.Admiramos pessoas que lutam pelo que acreditam. Podemos sempre transformar a necessidade de trabalhar em uma forma de ajudar as pessoas. Uma boa semana pra você, beijos.

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