Relacionamentos e Sexualidade
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Por quê a rejeição torna tão atraentes os homens que não nos querem?

Não acontece com todas as mulheres, conforme minhas pesquisas empíricas de boteco têm apontado. “Ficar mais afim do cara quando ele não me quer? Cê tá doida? Pois eu tenho tesão é justamente em quem me quer… e muito”.

Tudo bem, como vocês bem sabem esse blog é uma tentativa bem cara de pau de terapia meia tigela e narcisista, se alguém se identificar, beleza, mas claro que o que eu falo diz mais de mim e do meu ponto de vista, que, óbvio, não é universal.

Sei que comigo (e com algumas outras mulheres/seres humanos) é assim que acontece: A gente pode ter nove crushs chamando pra sair e dar uns beijos no whatsapp, se tiver um que a gente quer e esse não quiser a gente de volta advinha em qual a gente vai focar toda a nossa preciosa energia?

Bingo.

Nada pra tornar aquele paquerinha despretensioso em amor da sua vida do que ele não te querer mais, correto?  Então… Por quê diabos a gente se comporta assim? Por quê são tão atraentes os homens que não nos querem?

Vamos falar sobre rejeição

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Foto: Geebird&Bamby

No último fim de semana uma amiga queria que eu fizesse umas fotos sensuais dela. Ela recebia na sua casa um dos melhores amigos do ex, ambos designers de joias, e sabia que se fizesse as fotos com as peças do amigo, o ex acabaria vendo, e percebendo o quanto ela estava maravilhosa e gostosa, e o quanto errou em ter trocado-a por outra.

Meu último rolo tinha o pinto enorme. Insistia constantemente em comer meu cu e em me levar em casa de swing, duas coisas que eu nunca animei. Tá, aí a gente terminou, por outros motivos. Eu fiquei tão surtada com a rejeição que quando dei por mim estava no whatsapp com ele propondo pra fazer exatamente tudo aquilo que nunca tinha topado, esperando com isso talvez trazê-lo de volta, embora eu mesma já tivesse sabendo que o relacionamento não ia bem há um tempo e também estivesse com vontade de terminar.

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Minha tia, uma mulher que sempre foi muito bonita, casou por volta dos vinte anos e ficou casada por mais de trinta. Dedicou abdicou parte de sua vida pela família. O casamento já não ia bem há um tempo e o marido a trocou por outra. Isso deve ter uns dois anos. Ela ainda está se esforçando para ficar bem. E, apesar da dor e do rancor, já voltou e terminou e voltou de novo com ele algumas vezes. (Tá, esse caso é um pouco mais complicado que os dois acima, mas enfim)

Jogos de conquista – O papel da mulher passiva

Minha primeira hipótese do por quê a pessoa que não nos quer se torna tão atraente é por que tem gente – uns trouxas como eu aqui o/ – que adora um desafio e um draminha na vida. Mas isso ainda não explica esse gosto quase masoquista de querer tanto quem nos rejeita.

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Isso é geral, para homens e mulheres. Mas no jogo da conquista (aff, odeio), tem uma coisa que pesa mais para o lado feminino: embora muitas de nós já tomemos a iniciativa, ainda paira no inconsciente coletivo o mito da mulher passiva, que deve dar pistas do seu interesse mas não pode correr muito atrás.

A real é que a rejeição pesa muito mais forte sobre nós. Um homem chega em uma menina e leva um toco, muito provavelmente estará dando risada e tomando cerveja com os amigos daí cinco minutos. Como não estamos tão acostumadas ao processo de tomar iniciativa, somos menos acostumadas à tomar tocos. Ser rejeitada nesse nível primário de paquerinha, então, pode ser que nos cause um impacto emocional mais intenso.

“Algumas pessoas tem dificuldade de tolerar não serem correspondidas, como se aquilo fosse um ataque pessoal. É como se o alvo de sua paixão fosse obrigado a responder positivamente seus sentimentos. Mesmo num relacionamento de longa duração, as vidas e as personalidades podem tomar rumos diferentes e aquilo que motivava inicialmente a união se perde no meio do caminho”.

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Claro que o ego fica meio ressentido toda vez que é preterido, mas vamos pensar aqui: Quantos caras interessantes você já não quis ficar na vida? Quantas pessoas já chegaram em você e você não quis, ou já namoraram você e depois você não quis mais? A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro nessa vida.

É normal, a roda da vida sempre a girar… A rejeição mais dia menos dia vai bater na sua porta e é preciso recebê-la com leveza, entendendo que é assim mesmo que a banda toca. Algumas coisas precisam partir pra outras boas poderem chegar.

Sentimento de posse e a projeção do relacionamento
como a resolução das nossas carências afetivas

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Ilustração de Toshio Saeki

Frequentemente projetamos toda a nossa necessidade afetiva (família, amigos, satisfação espiritual, etc) para o relacionamento amoroso, esperando que aquela pessoa nos supra integralmente, coisa que obviamente, nunca vai acontecer.

Em épocas em que nosso self é editado e submetido a uma infinidade de redes e filtros, o medo de se mostrar verdadeiramente, com seus defeitos (e não seus ângulos e qualidades milimetricamente selecionadas) e demonstrar sentimentos segue maior do que nunca, assim como nossa carência.

Quando a gente enfim se permite se abrir pra alguém, se entregar, e essa pessoa frustra nossas expectativas, a gente surta.

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Esculturas de Michael Beitz

Uma coisa que acontece muito comigo é: eu sou difícil de me entregar (capricorniana) mas quando me entrego é fácil eu tornar a outra pessoa o eixo da minha vida (lua em câncer + padrão familiar feminino de submissão). Eu páro de fazer minhas coisas, minhas meditações, meus estudos, etc, pra entrar no ritmo de vida da outra pessoa.

Quando você age assim, deixando de lado seu desenvolvimento pessoal pra apostar todas as fichas da sua felicidade em um outro alguém, e essa pessoa vai embora… você fica meio sem eixo mesmo. Daí vem o sentimento de posse com os dois pés na porta, desestabilizando completamente nossa sanidade mental.

Isso acontece por quê ainda acreditamos naquela historinha do “é impossível ser feliz sozinho”, que o outro, o relacionamento afetivo, etc, é um dos pilares básicos da nossa felicidade terrena. Nosso valor é dado pelo outro, não por nós mesmas. Projetamos nossa completude no outro, e assim quando o outro parte, nos sentimos corrompidas, insuficientes.

(Por quê que quando considera-se que uma menina tá madura, fala-se com ela que já pode casar ao invés de dizermos que ela já pode morar sozinha?)

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Arte: Serpent Fire Tarot

Estamos longe de compreender a partir da experiência (do coração, da vivência; não simplesmente através do entendimento racional), que o que procuramos fora reside dentro. Somos nós próprias a fonte abundante de todo amor que precisamos. Na medida em que permitimos que este amor flua, de dentro pra fora, a abundância em todas as esferas da vida com certeza se manifesta.

Fixação no passado e anseio pelo futuro
Medo do presente e dos relacionamentos possíveis

Compramos a ideia de que pra ser feliz é preciso estar num relacionamento amoroso (ainda que estejamos todas bagunçadas por dentro e não dando conta nem de nós mesmas, quiçá de mais outro alguém).

Na nossa cabeça, sofrer por amor é quase amar. É ter um objeto pra ocupar esse espaço na prateleira do coração que a mídia e toda a nossa tradição ocidental e patriarcal nos ensinou que deve estar constantemente preenchido… Ainda mais se você for mulher, uma vez que segundo fomos ensinadas, o valor de uma mulher é fortemente dado pelo fato dela ter ou não um companheiro.

No meu caso, depois de muito bater a cabeça e sofrer um bocado, rejeitar todas as pessoas que me queriam verdadeiramente e ansiar apenas por aquelas mais difíceis impossíveis, que não me oferecem nenhuma possibilidade de acolhimento real, tenho percebido que tenho agido assim (deliberadamente me jogando em um ciclo de rejeição) por quê ainda estão abertas as feridas dos meus relacionamentos passados.

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Foto: Corey Arnold

Não estou com vontade de me relacionar profundamente com ninguém. Infelizmente ainda não se curou completamente a rejeição antiga, machucado que se pararmos para investigar deve ter antecedentes muito mais antigos, que talvez remontem à infância e às relações com a minha família…

A partir do momento que eu entendo que não estou pronta pra um novo relacionamento e identifico meus padrões de comportamento e o que eu realmente quero no momento (umas paquerinhas mais leves, superficiais e sem compromisso) fico menos tentada a colocar no posto de amor da minha vida um paquerinha irreal, que eu mal conheço e que eu projetei sobre ele características que valorizo segundo minhas próprias expectativas.

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Os relacionamentos podem sim ser um processo de cura. Mas amar quer dizer lidar e acolher os defeitos e dificuldades da outra pessoa, construir uma parada junto. Ser capaz de amar querendo o bem absoluto do outro, ainda que isso signifique que os caminhos dele sigam rumos distintos do seu. E isso, esse amor puro, só é possível quando a gente tá bem com a gente mesma.

Quando a gente pára de ocupar nossa cabeça com as lembranças do passado, e a com a ansiedade, as projeções e as expectativas com o futuro. Quando a gente aceita lidar com o presente, nosso estado, o que temos à mão: nossa solidão, nossa solitude, a riqueza do nosso ser, nossa presença, o desenrolar de nosso próprio caminhar.

Entre meditação, arte, amigos, família, espiritualidade, estudos, existem inúmeras possibilidades que podem nos nutrir emocionalmente sem que isso envolva necessariamente tentativas amorosas. Você não precisa de ninguém para se sentir completa!

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Última observação: Acontece muito de ficarmos frágeis por homens que não nos querem. Quando nos reconstruímos e ficamos fortes, eles passam a nos querer de volta… Cada caso é um caso, cada um sabe de si e ninguém sabe mais de um relacionamento do que as pessoas que o vivem, mas no geral recomendo que nesse caso você manda ele ir se fuder pra lá (ou caso volte esteja muito consciente de onde está pisando e de quais são os velhos padrões para não tornar a repeti-los).

Abraço apertado!

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8 comentários

  1. Kátia diz

    Mas… Gente! Parece que fui eu que escrevi esse texto! :O
    Eu tenho vivido nos últimos 3 anos cada palavra do que vc escreveu.
    Sorte e força pra nós! Vamos nos libertar!

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  2. Carolina Crud diz

    Caraaa, sendo uma capricorniana com lua em câncer, o paragrafo que dizia sobre o remanejar a sua vida INTEIRA em função de ter alguém que você deve se doar, unir e praticamente virar um ‘único ser’ – obviamente, este, hiper congestionado/conflituoso – foi ô, certeiro!! Muito obrigada pela texto. Conheci a pagina hoje e to amando. Super contemplada. ❤

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  3. Bom, achei interessante o texto, mas confesso que discordo em muitos pontos.
    1) Discordo dessa história que mulher tem tendência a ser atrair por homens que não as querem. Até porque se você entrar em um grupo masculinista (pick up artists, por exemplo), o que você mais vai ouvir falar são homens incentivando seus semelhantes a rebaixarem, ignorar e maltratar as mulheres porque “elas gostam disso” pois são “narcisistas, egocêntricas e dependente de homens”. Um dia tava no reddit e vi um cara falando que nenhuma mulher é verdadeiramente feminista pois ~algumas~ parceiras dele “amavam sentir minhas mãos apertado o pescoço delas durante o orgasmo” segundo as palavras nojentas dele. Acho importante discutir-se sobre essas posições masoquistas que querem impor às mulheres.
    2) Não acho que um homem que leve uma rejeição fique “de boa”, afinal de conta os caras também tem sentimentos. Isso mexe com a autoestima de qualquer um. Ficar falando isso não abre muito espaço para se discutir sobre masculinidade tóxica e como isso afeta os homens.
    3) Acho a afirmação “acontece muito de nos sentirmos frágeis por homens que não nos querem”
    meio distante de uma das pautas que o feminismo defende, que é justamente fortalecer a autoestima feminina e mandar ir se foder o que os homens acham.
    Não tô falando isso com a intenção de querer rebaixar a autora ou querer ridicularizar o texto, mas só para abrir uma discussão mesmo. Afinal de contas aqui é um site que também fala de feminismo, então não me sinto restringida para falar, especialmente quando se trata de relacionamentos, que também deve ser um tema muito discutido entre feministas.

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  4. Sei nem dizer q importância de ler esse texto pra mim! Principalmente ao falar sobre ser dificil de se entregar, mas quando se entrega torna a pessoa o eixo da minha vida. Sou assim tbm e estou tentando mudar isso urgentemente, mas eu sinceramente não sei nem por onde começar.

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    • Julieta c diz

      Você foi educada para isso, amiga. Desde os desenhos da Disney(que a princesa só existe para servir o principe) até as novelas.
      Mulheres, se livertem! Foco em si!
      Nunca lavei uma cueca, estou casada pela segunda vez. Nunca deixei de sair com minhas amigas e cuidar da minha micro empresa.
      Homens vem e vão.

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