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Como me desvinculei das garras do desemprego e depressão

Depois de ter iniciado (e largado) a graduação em Ciências Sociais; no meio de 2014 me formei em Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo.

Gostando de escrever, fazer a monografia foi uma das melhores coisas que fiz na vida. Eu amei ter tido a oportunidade de escolher um tema, pesquisar e desenvolver um trabalho à respeito. O ano e meio que se passou depois da graduação, entretanto, foi talvez o pior período da minha vida.

Tendo começado a trabalhar aos 14 anos, e tendo sido explorada de todas as formas possíveis em estágios durante a época da faculdade, eu acabei arrumando um bloqueio com trabalho, uma revolta muito grande: simplesmente não aceitava a possibilidade de vender meu tempo para uma agência de publicidade ou empresa cujos valores não me contemplavam em troca de (literalmente) uns trocados.

O fundo do poço

Uma depressão me tomou e eu nem procurava emprego. Mesmo se procurasse, não acharia. Com a crise, o mercado da comunicação estava especialmente uma bosta, em Belo Horizonte então… Eu simplesmente não via nem ficava sabendo de oportunidades na minha área. Eu queria fazer as coisas por mim mesma, desenvolver os meus próprios projetos, pôr em prática as milhões de ideias que eu tinha na cabeça.

Foi nessa época que comecei esse blog, comecei a produzir eventos e também a discotecar em festas. Como é tudo no começo, nessa época nada rendia dinheiro direito (esse blog na real até hoje não dá… e nem sei se um dia vai).

As discotecagens em sua maioria eram de graça, e os eventos, além de incertos e esporádicos, embora dessem algum dinheirinho, significavam muita-muita ansiedade em um mês inteiro de trabalho na frente do computador.

Morando na casa dos meus pais, e trabalhando no meu quarto, eu dormia (todo dia às 2h da madrugada), acordava (às 10h), comia, existia, enfim, apenas num mesmo espaço, sem ver a luz do dia, sem saber em que lua o céu estava.

Eu vivia na frente do computador, trancafiada em uma baia, com preguiça de cozinhar, comer, cuidar de mim. Estava surtando, chorava o dia inteiro. Não tinha dinheiro. Não sabia como procurar freelas. Tinha me afastado dos meus verdadeiros amigos em prol de manter contatos com pessoas “influentes” da rua.

Tinha me afastado da umbanda. Embora trabalhasse com festas e coisas divertidas, andava constantemente triste e deprimida, uma angústia que às vezes se fazia notar nas redes sociais e nas noitadas, às vezes não, motivo pelo qual meus amigos tinham dificuldade em acreditar quando eu falava que não, as coisas realmente não estavam bem.

A luz no fim do túnel

Uma hora a ficha finalmente caiu de que eu precisava de um emprego fixo, ter uma rotina, sair de casa todo dia, ver o mundo lá fora, etc… e eu fui atrás. Tentei site de empregos (furada tá, gente), disparei meu currículo pra tudo quanto é canto.

No começo do ano, depois de várias e mais várias entrevistas, finalmente consegui um trampo de assessora de comunicação na Luna Lunera, uma companhia de teatro super massa da minha cidade. Acredite se quiser, a experiência com festas, discotecagens e outros projetos mirabolantes (inclusive esse blog!) foram decisivas para eu conquistar a vaga.

Ainda produzo eventos, mas minha sobrevivência financeira não depende mais exclusivamente deles, e assim a capricorniana em mim pode respirar mais aliviada com a certeza de que todo mês terá algum dinheirinho em sua conta.

Além de permitir entrar pro pilates (um investimento que come uma parte considerável do meu salário mas que me traz um bem-estar e uma disposição inéditas na vida), trabalhar fixo me permitiu comprar mais equipamentos de DJ, melhorar a qualidade das minhas discotecagens, e, consequentemente, receber mais por elas.

– O próximo investimento será umas lentes novas pra minha câmera e um computador novo e potente, que me permita editar vídeos. Como se vê, “disposição pra dono, eu tô pra dominar o mundo, e acabar com a porra todo em um segundo…”

Se ano passado não chegava nenhuma oportunidade de trampo pra mim, esse ano, mesmo com a crise, começou a vir muita, muita coisa mesmo, mais até do que eu conseguia pegar (e com a dificuldade que tenho de dizer não, estavam me deixando exausta, novamente triste e pouco realizada).

No momento em que escrevo esse texto, optei por deliberadamente recusar algumas ofertas de trabalhos e parcerias, para focar em meus projetos pessoais, muitos dos quais se encontravam abandonados.

Ainda sonho em viver unicamente de meus projetos, mas para isso eu tenho de parar de postergar os meus sonhos, assumir o controle sobre minha vida e pôr minhas ideias em atividade. Percebo enfim (e mais uma vez) o quanto o tempo é um dos recursos mais valiosos que tenho, e assim não posso sair vendendo todo este meu recurso à preço de banana…

…E nem ver a vida passar enquanto acumulo likes no Facebook.

A procrastinação ainda é um grande problema na minha vida, mas aos poucos, apostando muito no auto-conhecimento, vou identificando o que realmente importa pra mim e como eu me saboto de realizar os intentos que residem, ainda tímidos, no meu coração.

/Pauta para escrever depois: Como o vício nas redes sociais pode estar te impedindo de correr atrás de seus sonhos

Uma coisa que percebo hoje, mais estabilizada, é que mesmo nos períodos mais sombrios, e talvez justamente nesses, é fundamental a gente se manter em movimento (sério, essa é uma das coisas mais importantes – não se permita ficar parado, crie!). Aos poucos, a mente se clarifica e alguma hora as coisas começam a acontecer.

Vitória sem luta é só pra playboy,
boa sorte pra você aí do outro lado! ❤

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Este post foi publicado em: bem estar

por

Jornalista, 26 anos. Uso criativo do pensamento e da palavra.

13 comentários

  1. Ótimo texto, passei por uma situação mto difícil esse ano, me identifiquei com algumas coisas e estou me reerguendo agora. Parabéns pela força de vontade e sucesso pra vc do fundo do meu coração! Sei exatamente como vc se sentiu nesse per período de dificuldade.

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  2. super isso, mesmo. passando ainda por essa fase. difícil sacar o que realmente move a gente. por isso estar em movimento é bom. o que te paralisa é o que você não quer. o que te estimula a dançar na vida, sim, é o que se realmente quer. redes sociais são um simulacro perigoso, mesmo. boa sorte aí e obrigada por compartilhar.

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  3. Maira diz

    bacana, assisti a ultima peça deles…Urgente. Tem tudo a ver com isso, né?! Se movimentar e não deixar a vida passar apenas sobrevivendo. Saí com uma sensação de angústia, de como os personagens deixaram a vida ficar tão reduzida àquilo e eu também deixo a minha. Quando viajo sempre percebo como minha vida está tão fechada e como o mundo tem tanto a nos oferecer mas somos tão limitados pelas contingências. Infelizmente me identifiquei com aquele cara que regava as flores e que assoprava as velas de aniversário sozinho no escritório e trabalhando. Trabalhamos demais e dependemos disso, como você deixou claro em seu texto. Pra piorar nossa geração se qualifica muito e geralmente ainda é mal remunerada. Infelizmente esta estabilidade é necessária e bato palmas pra quem tem coragem de viver totalmente sem estabilidade e ainda consegue ser feliz. Mas no geral é bom e importante sim até pra nossa estabilidade emocional ter uma estabilidade financeira. Exercício físico é vida mesmo. Torço para que dê tudo certo para você. Como vc disse, “Vitória sem luta é só pra playboy” ❤

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  4. Maira diz

    mas ainda há esperanças. O personagem que regava as flores foi o único a sair fora do condominio ❤

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  5. esse texto veio na hora certa, eu tô passando por tudo isso que tu passou. se eu não ficasse o dia todo no computador eu nem saberia que dia é hoje.

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    • gata, tenha fé que vai passar. tudo isso passa! se mantenha em movimento. vai ler um livro que tu goste (foda-se o que os outros falam que é bom) sai de casa, se arruma, se força a sair e a conviver com as pessoas. vai passar!

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  6. Elisa Oráculo <3 diz

    Que massa! A capricorniana em mim saúda a garra da capricorniana em você. Que o auto-conhecimento nos entregue, cada vez mais, prosperidade e realização.

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  7. Ana Elisa diz

    Eu tô vivendo ainda na fase do fundo do poço. Fazendo Teatro na universidade este ano e artes visuais também ao mesmo tempo consegui passar uma etapa: a da procrastinação.
    Tô lutando contra o tempo, o trânsito de BH e a minhas limitações para me manter nesses cursos que me dão luz. Porém nas aulas de teatro, principalmente de Expressão Vocal vejo o quanto desacredito de mim (devido a isso, por puro fator ‘psicológico’ minha voz não sai toda e ainda é seca e contida). E tenho ainda uma barreira com a professora(e com todos os meus colegas de estudo e até comigo mesma) que é a minha imagem de segurança, de “força” e de autoritária. Coisa talvez que esteja mais relacionada a minha herança ancestral e a coisas que ainda desconheço em mim… Me identifiquei muito com outro texto daqui “Quando apenas maquiar os sintomas com remédios não é o suficiente – A busca pela saúde integral” e estou procurando me mobilizar mais. Enfim. De toda forma sou muito exigente comigo e tento dar o melhor de maneira distanciada dos minhas dores e nisso tive uma crise de choro em aula de Expressão Vocal onde a professora (leonina, signo altivo como o meu) me colocou em posição em sala de aula a me expor como “não é a muralha que aparenta, dilacere-se para todos” não me deixando sair de sala de aula e persistindo pra que eu expusesse lágrimas e desespero de algo que desconheço.
    Não sei o caminho ainda mas… voltar-me para o blog agora me fez voltar a atenção pra mim. Venho me escorregando nisso tudo.
    Obrigada por escrever.

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  8. Pingback: Sobre capitalismo, frustrações, crise e oportunidades | Clitóris Livre

  9. Danielle diz

    Acabo de ler minha situação atual em suas palavras!
    Vou ler e reler quantas vezes for necessário pra eu retomar as rédeas de minha vida.
    Obg ❤

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