Relacionamentos e Sexualidade
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Esquente seus dedos antes de me tocar

É engraçado como o oco úmido e quente das bocas foram feitos exatamente para o bico dos mamilos.

Cheiro. Clara era muito ligada em cheiro. Era do tipo de mulher que se sentia especialmente feliz em dormir em roupa de cama nova, com perfume de sol. Deus tinha feito a pele dela macia, a boca macia, a língua doce. Ela conhecia o amor já. Tinha experimentado um bom número de homens na vida, sabia por onde gozava mais fácil, mais fundo, sabia fazer gozar.

Quando conheceu o amor verdadeiro, soube logo assim que se deitou com ele. Fizeram amor quatro vezes seguidas. Às vezes quando uma pessoa ama muito a outra o pau não fica mole nunca, e fica-se excitado só de estar perto, respirando o mesmo ar.

Eram amigos há uns anos já, Pedro e ela. Estavam profundamente bêbados quando se beijaram pela primeira vez. Clara jura ter visto estrelas, o que até hoje interpreta como um sinal de que em sua frente estava uma alma há muito tempo conhecida sua, que era previsto reencontrar.

Ficaram juntos alguns anos. Não se sabe se por erro, escolha deles ou destino mesmo, terminaram; como todo casal de vinte e poucos anos acaba mesmo por terminar. As circunstâncias erradicaram de Clara a crença em uma alma gêmea única. Apesar da força de seu primeiro amor, ela entendeu a que Vinícius de Moraes se referia quando disse que “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro nessa vida”.

Depois de Pedro, conheceu outras pessoas que fizeram seu sangue tremer de paixão. Viveu alguns amores curtos que lhe marcaram profundamente. Experimentou na pele a velha máxima de que importa menos o tempo que dura que a intensidade que acontece. Como é de praxe de estar apaixonado, sofreu um bocado. Buscou refúgio nos poetas e se sentiu humana quando leu de Neruda que “amar é breve, esquecer é demorado”.

Tentou superar dores de amor em corpos desconhecidos, como se desejo fosse fome. Deitou com homens por desejo, por achar-lhes atraentes os corpos, bonitas as faces. Mas desses poderia beber o suor que não seria suficiente, não eram capazes de matar-lhe a sede.

Por maior que fosse o pinto, não sentia nada quando lhe penetravam do modo mecânico que ensinavam os filmes pornôs. Aqueles movimentos rápidos lhe causavam tédio e angústia. Os orgasmos existiam, mas eram curtos, aflitivos, ansiosos.

Por fim ficou boa. Depois de recobrar a saúde emocional, decidiu que não perderia mais seu chão por homem nenhum. Não era justo com ela mesma. Lembrou que amor não dói e aprendeu que às vezes o mais gostoso é ir assim, calminho mesmo, sem muita promessa nem expectativa. Passou a gostar de sua própria companhia e a preferir ficar sozinha do que mal acompanhada de homens que mal sabiam tocar-lhe o corpo.

Clara sabia que o amor é coisa que se aprende pela ponta dos dedos, pelo gosto e cheiro da pele. Muito além da buceta, gostava quando fazia amor com o corpo todo, principalmente com os olhos.

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6 comentários

  1. Bella diz

    Lindo, lindo, lindo e sensível. Cê anda viajando minha vida e fez um relatinho aqui né? hahaha só pode, cruzcredo, é desse nipe memo!

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