Relacionamentos e Sexualidade
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Homens que só mascam na internet mas não tem coragem de chegar perto na vida real

Quando falamos que a forma de se relacionar, inclusive afetivamente, foi completamente revolucionada pelas novas tecnologias, não estamos falando unicamente do Tinder e outros aplicativos de pegação.

Existimos na rede através de uma persona virtual, construída a partir da seleção do que achamos ser melhor em nós ou queremos mostrar aos outros. O que acontece na internet realmente afeta a “vida real”.

Ou melhor, uma vez que hoje em dia essas esferas estão tão intimamente imbricadas (afinal dormimos e acordamos conectados) ainda faz sentido fazer essa distinção entre vida online e vida real?

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Um amigo, bem gatinho aliás, outro dia veio fazer graça comigo que me viu no Tinder, e falar como é engraçado encontrar conhecidos por lá. Também acho. Criei um Tinder mas nunca consegui usar direito.

Às vezes passo as caras como num cardápio, só pra ver quê que tá rolando no “mercado”. Mas não consigo render conversa com ninguém e nunca saí com nenhum match.

Gosto de gente diferente e única. Eu não sei se é por causa da localização, ou da leitura que o aplicativo faz de mim, mas só aparecem opções do mesmo padrão, que sinceramente não me dão onda.

Mas enfim, ainda que eu não use de fato o Tinder, atire a primeira pedra quem nunca usou o Facebook como uma ferramenta de paquera, adicionando aquele ou aquela gatinha que interessa, dando like em todas as fotos do crush até 2012, ou usando o whatsapp pra adiantar os trâmites da conquista.

Até aí beleza. Homens e mulheres fazem isso.

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O que começou a me assustar/irritar profundamente é a quantidade de homem que fica naquele lero lero na internet, e na vida real muitas vezes não tem coragem nem de olhar na cara e trocar uma ideia decente.

Eu sou muito direta e não tenho saco pra joguinho. Quando quero, quero; quando não quero, não quero. Se eu dei abertura pra pessoa, e ela ficou só na enrolação pelo teclado, das duas uma:

1) a chance deu perder a paciência e mandar tudo pro alto é gigante;

2) se eu insistir na paciência zen-budista e continuar trocando ideia – ou porquê eu gostei do papo da pessoa ou porquê tô afim messssmo – a conversa vai ficando cada vez mais íntima, a tensão sexual vai aumentando, a expectativa vai chegando às alturas… e a chance de se frustrar ao vivo também.

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Curiosa com essa situação, joguei a pergunta no meu Facebook:

“homens, respondam aí, com sinceridade
qual a graça de ficar mascando uma mulher na internet
e não ter coragem de chegar perto dela na vida real?

é só pra alimentar o ego de vocês? cês tem medo, quê que pega?”

À princípio os homens ficaram bem inseguros de responder. Como sempre quando questionados, (alguns) se sentiram atacados e partiram pra agressiva, ops ato falho defensiva. Uns vieram responder na moral no inbox e eu os incentivei a compartilharem seus pensamentos.

“Não vejo sentido nenhum nessa obrigação de ser o homem que chega, no entanto, a obrigação existe e é internalizada no comportamento masculino desde de sempre… Mas te dar uma ideia na real: chegar em mulher é um saco! É divertido com 18 anos, depois cansa um tanto… Não tenho dispô nenhuma de sair atrás de mina, acariciando os ego de ser a dona do rolé.

É puro ego dos dois lados, egos criados numa estrutura de comportamento que cê surta se não consegue arcar com as responsabilidades do seu sexo… Sei lá, se pá sou só eu fugindo da culpabilidade masculina, só não quero ser obrigado a nada. (…) É um ponto que se pá precisa ser discutido entre os seres portadores de pênis… essa dicotomia: moleque frouxo/homem destemido; isso é um veneno pra “personalidade masculina”

Eu acho massa deixar os homens falarem por quê isso opera quase um sentido terapêutico sobre eles. Achei massa vários apontarem as cobranças patriarcais sobre o papel de “macho alfa” que eles foram ensinados e são cobrados a ocupar, assim como várias críticas a forma cheia de jogos, rituais e tempos próprios (inclusive virtuais) com que funciona a paquera hoje em dia.

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É importante ressaltar, entretanto, que a discussão não é sobre por quê mulheres não chegam (até por quê a gente chega sim!) mas o por quê desse comportamento que na linguagem virtual é um, bem solto na distância segura dos teclados, e completamente travado na linguagem corporal na hora do vamo-vê, ainda que a gata em questão tenha dado toda a abertura necessária.

Como comentou uma amiga minha, gênia: “Ninguém tem obrigação de nada não… Mas quando cê coloca o fubá no fogo é legal que saia um angu né… senão queima.”

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Alguns disseram que esse comportamento morde-assopra é de meninos, não de homens. Muitos afirmaram (resposta já esperada) que os homens agem assim por “medo de tomar tôco”, insegurança, timidez, etc.

“Mascar na internet é mais seguro, menos rejeição e você se expõe menos. Pode falar coisas com menos medo de sofrer qualquer tipo de sanção.” Outro ainda falou que na internet tem mais tempo de pensar no que vai responder (hahahaha, achei fofo).

“Internet geralmente é o correio elegante do presente. Cutuca, cutuca, e nada… Só que muita paquera se desenvolve na rede. Quem nunca? Ao vivo é mais desafiador, sem dúvida, com o perigo de gaguejar! Mas muitas vezes uma balada pode ser até mais dispersiva, cada qual com sua turma. A rede até permite outros encontros, trocar ideia. Fato é que a melhor rede continua sendo de algodão!”

“Pode paquerar no chat, no post, mas tem que ter intenção e sentido! Porquê senão quando rolar o ao vivo rola a decepção… mas isso acontece com as mulheres também! Acho que não é um comportamento de gênero! A mulher é super receptiva no chat… ao vivo nada! E outras nada de chat mas ao vivo é jogo de dentro igual capoeira Angola!”

(Meus amigos são mó poéticos, como se percebe)

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Alguns, entretanto, chegaram a um ponto que eu acho crucial de ser refletido.

“Nao tenho obrigaçao en chegar nas mulheres sempre por quê sou homem. Quando elas quiserem muito, também farão o mesmo. Em relação à internet, acho que é mais divertido mais pela situação do que a conclusão.

Quem faz isso ou é muito inseguro, o que é mais comum, ou tá fazendo hora, do tipo, mantendo ali o contato para uma hora que ele achar melhor tomar um iniciativa. Assim, bem mané mesmo.

A minha interpretação da questão, para um gênero e para o outro, passa por aí. Acho que a gente (principalmente os homens) faz isso para nos sentir mais queridos e desejados em um mundo em que as pessoas estão cada dia mais sozinhas e carentes.

Ainda que você não coma ninguém de fato, quanto maior sua cartela de possibilidades, melhor. Em tempos de relações fluidas, cada um masca (eu não sei se essa gíria é só de Minas ou do país todo) um tanto, mas não engole nada de fato; e quando engole, é comida mal preparada – e cheia de expectativa em cima.

No Facebook todo mundo é lindo, a melhor versão de si mesmo, todo mundo muito inteligente, muito bonito, as selfies do melhor ângulo, cheias de filtro. Na vida real não tem nada disso. As pessoas têm medo de se exporem como são realmente e serem rejeitadas, por isso muitas vezes evitam até mesmo o encontro cara à cara.

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Um tópico à parte, talvez o mais problemático de todos, seja o cara compromissado que fica de conversinha mole com os outros na internet. Uma coisa que 99,9% da população compromissada, em maior ou menor grau, faz.

Eu posso apostar um bom dinheiro que se o namorado/namorada entrar no Facebook um do outro e ler o inbox do seu conjugue, 100% das pessoas arrumariam motivo para ficarem desgostosas.

Portanto, NÃO O FAÇAM. Não entre nunca nas contas do seu ou da sua companheira, a chance de se machucar é imensa (pra não dizer certa) e o mais importante de tudo: todas as pessoas tem direito à privacidade. Ou você confia em quem você está ou não confia.

Na maioria das vezes essas conversinhas nunca se concretizam e acabam numa traição de fato. Por quê a gente faz isso então? Por quê mesmo pessoas compromissadas dão corda umas pras outras no Facebook?

Talvez pra se (nos) sentir um pouco mais livres, talvez pra experimentar aquele gostinho da paquera, de ter outras opções, de se sentir querido, alimentar o ego que tem outras pessoas que te desejam, assim por diante.

Mas isso é assunto prum próximo post…

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1 comentário

  1. Felipe diz

    Já vi muita gente mascando ao ter relacionamento fechado só pra manter o ego ou viver o limite do role, pois a pessoa não tem coragem de trair ou ainda não conversou sobre aquela aberturinha no relacionamento que muita gente deseja.

    Acredito que no restante os caras devem arrumar essa mascação para cumprirem o bate cartão do fragil ego masculino.

    No meu caso, depois de maduro, já busco ser bem objetivo e interagir com quem tem o interesse de objetividade e um passo de cada vez.

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