Relacionamentos e Sexualidade
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O bloco dos bobos que ainda não aprendeu a separar sexo de amor

Sou do grupo de pessoas que acredita que a pele é o órgão mais erógeno do corpo. Prezo o toque, o cheiro, o gosto. Na época em que eu namorei a distância, mais do que o sexo em si, eu sentia falta do carinho e dos beijos na boca, coisas que dificilmente a masturbação é capaz de suprir.

Sou chata e exigente na cama. Gozo fácil e acho que mereço gozar diversas vezes por noite. Justamente por isso, raramente vou pra cama com alguém que acabei de conhecer.

Já aconteceu, é óbvio, e em algumas dessas vezes foi maravilhoso. Pessoas que senti uma conexão muito especial, aquela química louca e pá. Mas na maioria das vezes, só me deito com pessoas que eu sinto um algo a mais, uma conexão mais forte.

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Não tô ditando regra nenhuma, obviamente sou a favor da mulher agir conforme queira. Expresso um posicionamento bem pessoal que adoto hoje em dia, depois de já ter procedido de outras formas, ou seja, transado com uns boy nada a ver e vendo que pra mim não funcionava, que por mais gostoso que o cara fosse, e por mais que eu gozasse (na maioria das vezes muito mais por mérito meu que deles), eram sempre aqueles orgasmos curtos, aflitivos e ansiosos. Ficava sempre faltando alguma coisa. Eu poderia beber o suor do cara, que não saía satisfeita.

Depois descobri que era por quê faltava amor.

Há alguns anos me desenvolvo na umbanda. Sou espiritualista e médium. Tento ter uma visão holística da vida, e lógico, do sexo. Absorvo muita energia dos outros, e dou muita energia também, e sei o quanto ter relações com uma pessoa que está com a energia desequilibrada (ou com intenções desvirtuadas) pode me deixar na pior.

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Às vezes o cara goza e parece que descarrega toda a carga do momento de vida que ele está passando em você. Em outras, quando ele só quer te comer, parece que no final leva um pedaço seu.

Como expus aqui, acredito que o sexo é além de tudo uma prática espiritual; uma força poderosa que mobiliza intensa troca de energia, algo que é tanto capaz de carregar seu perispírito de vibrações negativas (quando é feito com egoísmo, de maneira fútil) quanto limpar e alinhar todos os chackras (quando é feito com amor).

Por um bom tempo eu afirmei que era uma boba por não conseguir dissociar sexo de amor e dizia pra minhas amigas que precisava urgentemente aprender a fazê-lo. Hoje em dia, já entendo e aceito melhor meu proceder. Me respeito, acima de tudo. Sou mais ficar dois, três meses sem transar com ninguém do que me relacionar com qualquer bosta que aparece.

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Tenho muito antipatia, pra não dizer ódio, de caras que acham que porquê eu beijei eles, sou obrigada a ir pra cama ou fazer qualquer coisa. Já ouvi da boca de uns e outros: “Uai, mas você não era a feminista? Não é a dona do Clitóris Livre? Como assim não topa um relacionamento aberto? Que cu doce é esse de não querer transar no primeiro encontro?”

Eu não sei daonde tiraram isso, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Embora o feminismo lute pela autonomia e liberdade da mulher enquanto indivíduo, não há nenhuma bíblia que te mande ter essa ou aquela postura em sua vida pessoal.

Por exemplo, não é por quê você é feminista e que você é a favor do direito das mulheres abortarem, que você vá fazer um aborto se ficar grávida. Não é por quê você é feminista e a favor da liberdade da mulher de transar com quem quiser, ter relacionamentos abertos e outras mil fitas, que você pessoalmente se encaixe nesse tipo de relacionamento e queira seguir por um caminho assim… ou pelo menos neste momento.

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Vejo muitas pessoas tentando se enquadrar num modelo de relacionamento livre, antes mesmo de se permitirem sentir o que é o amor. Se você tenta se adaptar à força a um estágio que não é o seu (ainda mais para agradar homens) isso definitivamente causará sofrimento.

Na verdade, mais do que uma cartilha que dita como obrigatório o sexo casual ou relacionamentos abertos, o feminismo deve empoderar a mulher pra que ela se escute e entenda o que realmente deseja, independente das pressões sociais e/ou modismos.

Assim, compreenderá que não está aqui para arbitrariamente satisfazer ninguém a não ser ela própria.

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17 comentários

    • Eu tambem poderia ter escrito esse texto.. Pois penso e sinto assim. Mulher feminista, 26 anos e umbandista…. Chegamos a conclusões muito parecidas! Estamos conectadas. Obrigada!

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  1. Anita diz

    Oi Luísa,
    Tudo bem?
    Sou leitora assídua do Clitoris Livre e vejo em alguns posts que você fala que se desenvolve na umbanda. Gostaria de saber se você tem algum lugar para me indicar (sou curiosa em relação a umbanda, mas não sei nadica de nada, eu poderia participar de algo será?). Muito obrigada,
    Anita

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  2. Pingback: Sobre expectativas: a real é que a gente ainda espera um princípe encantado | Clitóris Livre

  3. Maira diz

    parece que as pessoas reconhecem as almas umas das outras. eu não te conheço mas penso de forma muito parecida, e de alguma forma cheguei até a antiga página no facebook e até aqui. também me identifico com o fato de amar rap e ao mesmo tempo ter que selecionar o que escuto pra tirar os mais machistas da lista… às vezes preciso traduzir as letras em inglês pra ter certeza que não estou curtindo o beat mas no fundo ouvindo um lixo e ofensas a mim mesma como mulher. você vai duvidar mas hoje eu fiz uma lista sobre o que eu queria em um homem pra ver se o universo me escutava. e agora vi um post seu que também é uma lista. Bem, a lista é diferente mas a intenção foi a mesma. Minha fase de achar que fazer sexo com qualquer bosta (como vc disse) era libertação passou depois de algumas merdas que aconteceram. Esse velho argumento do “cu doce” é insuportável e atualmente considero típico de idiotas que não tem a menor noção de relacionamento. gratidão.

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  4. Maira diz

    não salvei minha lista mas eram coisas assim: compreensão dos limites e superação juntos, crescimento mútuo, evolução, respeito, cuidado, atração eterna que se renova (praticamente impossível) ❤ infelzmente eu também não aguento homens "bonzinhos". Acho que faz parte de encontrar alguém conseguir definir o que seria uma relação bacana e também o quanto podemos contribuir pra dar certo. Acaba sendo um verdadeiro exercício de auto-conhecimento.

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  5. Raquel diz

    São 2:30 am e eu aleatoriamente me deparo com esse site incrível. Eu aqui pensando nas bads e como meus relacionamentos andam me sugando muita energia, e como se eu nunca estivesse satisfeita emocionalmente. Tem partes do texto que é como se eu mesma tivesse escrito, pois é exatamente o que acontece aqui… Parabéns por conseguir escrever coisas com delicadeza e visão.

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  6. Edneide diz

    Nossa tipo o que eu penso sobre sexo casual não consigo pq sou muito tarada e gozo muito rápido várias vezes. Mas tem q a ver um conhecido envolvimento conexão.
    👏👏👏👏👏👏👏👏👏 amei esse texto.

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  7. Pingback: Chupar é fácil, quero ver fazer massagem | Clitóris Livre

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