Relacionamentos e Sexualidade
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O medo de não conseguir fazer juz ao amor do outro

Sou de Yemanjá e tudo na minha vida tende a parecer espelho. Quando fui ao fundo do poço por terem saído de um relacionamento comigo de uma maneira que considerei descuidadosa, encontrei um espelho. Me vi saindo de namoros de maneira leviana, ignorando sentimentos alheios. O reflexo foi doloroso, me mostrou hoje acontecendo comigo o que tinha feito há anos atrás a outros companheiros e amantes.

Instant Karma, they say. Lei da ação e reação. Como julgar aquele menino se já tive sua idade e sua pressa? Como julgá-lo se eu mesma já tinha feito a mesma coisa um tempo antes? Se eu sei que o amor que tive à pessoas que já magoei inclusive é muito maior que os vacilos que eu dei, como não perdoar, se quero ser perdoada?

A gente atrai o que a gente emana, a gente recebe o que a gente dá. A gente colhe o que planta, e quando a semente que a gente planta retorna à nossa mão em forma de fruto, a gente tem a oportunidade de pensar: é isso que eu quero continuar atraindo pra minha vida? É isso que eu quero colher e plantar?

Depois de namorar alguns anos, 2015 foi o ano que voltei a ser solteira. Tive alguns rolos e acredito que sempre que a gente se relaciona com alguém, dando certo ou “errado”, durando três anos ou três meses, a gente tem a oportunidade de aprender muito sobre si mesmo (aquela onda do espelho que eu falei).

Os casos que tive esse ano duraram mais ou menos dois meses cada um. Apesar de não ser muito bonita, sou uma mulher que costuma ter “sorte” com os homens. Sorte aí é uma questão relativa né, até por quê gosto também é relativo, mas apesar de não ter muita dificuldade em pegar caras bonitos e interessantes, homens criativos e talentosos em suas funções, acaba que nesse espelho de fim do ano me percebi ainda muito presa às aparências e rodando em situações cíclicas e dolorosas graças à minha superficialidade (e ao medo de amar verdadeiramente, primeiro a mim mesma, depois ao outro, permitindo que ele também me ame e que cresçamos juntos).

Não sei se é apenas por quê meu coração ainda tá meio machucado desse último caso, ou por quê até hoje não resolvi direito as demandas do meu último namoro longo, mas não sei se estou pronta pra amar, nem se estou interessada nisso no momento, pra falar a verdade.

Talvez por isso sofra tanto pelos homens que não me quiseram, situações em que o orgulho ferido pela rejeição os pinta como amores da minha vida nos campos férteis da imaginação, sempre tão abertos à imagens de dor e  desejo; e talvez seja por isso que ainda não tenha coragem de abrir meu coração pra quem realmente gosta de mim e me abre a possibilidade de construir alguma coisa mais duradoura junto.

Com medo de magoar alguém que gosto – e não por não amá-lo no campo metafísico, mas sim porquê ainda não há no meu peito espaço hábil para amar ninguém no campo prático – prefiro me afastar de quem gosta de mim, da mesma forma que o menino que me magoou fez comigo, não por quê não gostasse de mim, mas por quê em seu coração confuso e recém-separado ainda não havia espaço suficiente nem pra ele próprio respirar direito.

Ir ao fundo do poço me mostrou o quanto eu estava depositando minha esperança de felicidade em um relacionamento, enquanto outros aspectos da minha vida estavam sendo deixados de lado; e que talvez eu estivesse agindo assim para esquivar minha atenção do fato de não estar me dedicando em criar um caminho profissional e artístico frutífero o bastante para retirar deles motivos pra ficar orgulhosa e me sentir realizada.

Tenho vênus em Aquário e pra mim a amizade é um dos pilares do relacionamento amoroso. Por um lado é fundamental ser amiga da pessoa pra querer ficar com ela; e por outro, é fundamental permanecer amiga dela depois de decidirmos descruzar nossas pernas e nossos laços. São duas faces do mesmo espelho.

Ir ao fundo do poço me mostrou que eu também tenho amigos, família, espiritualidade para me apoiar; minha própria força pra cuidar, meu próprio caminho pra percorrer. Talvez você tenha entrado na minha vida pra me mostrar isso. Te peço: não vai embora não, permanece por perto. Fica como amigo, posto que foi você mesmo que me relembrou do significado e da importância dessa palavra. Eu te amo e te agradeço.

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5 comentários

  1. Comecei me identificando no “sou de Yemanjá”. Depois com o texto maravilhoso inteiro, no momento de vida. Depois assustei no “vênus em aquário” e aí, confesso, fui stalkear quem estava por trás do texto. hahaha Ai rolou um momento “Olhaaaaa, cheguei no mundo exatamente 4 dias antes dela! tá explicado!” hahaha 🙂 Obrigada pelas palavras e pelo espelho! É bom saber que tem outras pessoas conseguindo explicar em palavras o que as vezes não conseguimos sozinhas. ❤

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  2. Pingback: Sobre expectativas: a real é que a gente ainda espera um princípe encantado | Clitóris Livre

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