Relacionamentos e Sexualidade
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Notas sobre términos: Amar é, de quando em quando, rasgar o ego em vinte e seis mil pedacinhos

De vez em quando, principalmente quando tô passando por algum perrengue, gosto de vir ao blog e reler algum dos textos que eu mesma escrevi sobre relacionamentos amorosos. É massa rever meu ponto de vista, a linha de raciocínio, lembrar do que passou, de como meu coração estava na época, das lições que foram aprendidas.

Acredito que os textos têm sim alguma sabedoria, mas se engana (e muito) quem a partir deles me lê como uma mulher calma e evoluída, blindada dos vermes da insegurança e do ciúmes. O que se passa é que na maioria das vezes que eu escrevo sobre temas como esses, o faço depois de um longo período de reflexão, no espaço-tempo de calmaria que sucede uma boa tempestade.

A verdade é que apesar de saber que os budistas recomendam a eqüanimidade, e que ninguém completa a gente e que o verdadeiro amor reside dentro e etc, etc, etc… Vira e mexe eu ainda vou ao inferno e volto por causa do amor.

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É muito fácil falar de amor livre quando a gente tá solteira e não tá gostando de ninguém; difícil mesmo é quando aparece uma pessoa que a gente se apaixona e sente vir à tona todo aquele arsenal mental de posse e controle – tão facilmente confudido com amor romântico – que temos profundamente arraigados em nós pela criação e até mesmo pelo sangue que herdamos de nossas antigas gerações.

É igualmente fácil pregar a não-competitividade feminina quando foi a mim que o rapaz escolheu ficar junto. É fácil falar em respeito ao espaço do outro; difícil mesmo é quando a escolha do outro leva a vida do ser amado pra um sentido oposto ao seu e você sente dificuldades em honrar o amor que sente e deixá-lo partir livremente.

Racionalmente é muito fácil perceber a contradição nisso tudo. Na verdade, ter consciência das coisas é muito fácil. No campo das ideias eu mesma já tenho consciência de um tanto de aspectos políticos, ambientais, familiares, afetivos, espirituais e daí por diante: o difícil é mudar as atitudes e pôr o que já se sabe em prática. Transformar ideias em ações!

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O blog se trata do meu processo de evolução e do que vou aprendendo no caminho. Escrevo sobre percepções e ideais que tenho a partir de minhas experiências vividas, mas definitivamente não tenho compromisso moral ou ideológico com ninguém, nem mesmo de me afirmar enquanto feminista.

Que atire a primeira pedra e me acuse de hipócrita aquele que não for composto de contradições e que já tiver transcendido toda a carga machista, racista e homofóbica recebida pela educação, sendo capaz de levar uma vida completamente coerente e um relacionamento aberto 100% saudável e feliz.

A importância de viver o término e permitir-se sentir a dor

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Metalinguagens à parte, hoje vim falar sobre términos. Ainda sou uma pessoa em muitos pontos mimada, que não aceita ser rejeitada ou preterida por uma outra pessoa. É óbvio que isso denuncia uma personalidade egóica, mas é exatamente pensando e trabalhando isso que a gente consegue mudar alguma coisa.

Quando comecei a me interessar pela espiritualidade, comecei a paradoxalmente duvidar muito dos meus sentimentos. Eu pensava “Se a verdadeira vida é a que se vive além da Terra, depois da morte, todos os problemas que tenho nessa Terra são pequenos, logo todo meu sofrimento é inválido e falso.” Tanto a premissa quanto a conclusão estavam erradas.

Com o passar do tempo, e com o maior acesso às ideias budistas, aprendi que o sofrimento é inerente à condição humana. Na Terra existe a dor, a tristeza, a doença, a velhice, a morte. Reconhecer a existência da dor e do sofrimento é o primeiro passo. Não é interessante se apegar à dor, mas é fundamental permitir-se senti-la e observá-la, perceber que ela não é você mas é um processo pelo qual você está passando e que, como tudo na vida, vai passar. 😉

Conheça as Quatro Nobres Verdades do Budismo

Dor que a gente não se permite sentir, a gente somatiza: abaixa a imunidade, vira gripe, sinusite, dor de garganta, cândida, infecção urinária… Quando varrida pra debaixo do tapete e guardada por muitos anos, pior ainda! A dor torna mais duro nosso coração e o modo que se a gente se relaciona com a vida.

Por isso é melhor encarar o que dói de frente. Remediar com muita escrita, dança, sono, reflexão, meditação, comida boa (tem que comer, gatinha!) e bons amigos. Até mesmo um bom porre muitas vezes ajuda! É preciso permitir-se sentir e viver o que passa no coração, com a certeza de que somos amor e que tudo, tudo, tudo nessa vida passa.

Receita para arrancar poemas presos, da maravilhosa poeta Viviane Mosé.

Tudo é experiência e aprendizado
A importância de ser grata inclusive pelo que deu “errado”

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Como costumo escrever por aqui, tudo na vida tem sua razão de ser, nada é por acaso. A gente atrai pessoas e situações de acordo com o que a gente emana, segundo nossa necessidade de aprendizado e evolução.

Há pessoas que passam na nossa vida e nos fazem sofrer, mas até mesmo a dor carrega dentro de si poderosas lições. No mínimo, você vai aprender o que não quer pra sua vida, o que não aceita e ao mesmo tempo entender melhor o quê e quem você quer perto de você.

Por quê você está atraindo determinado tipo de pessoa ou de situação? O que essa situação triste lhe ensinou? Quais foram os sinais que a vida enviou que você estava indo pelo caminho errado ou que aquela situação oferecia perigo e que você solenemente ignorou?

Se existe lamentação, existe ingratidão.
Mas, para evoluir no processo de cura é preciso encontrar a gratidão. Se você não está podendo ser grato, trate de investigar por que. Trate de encarar seu ódio, seus ressentimentos e seus medos. Somente assim você poderá ser iluminado pela sagrada compreensão que te leva ao perdão, que por sua vez te liberta do passado. E não perca o seu mais valioso tesouro – o tempo – com reclamações, julgamentos, comparações e acusações. Isso é somente distração. A vida neste plano é como uma bolha de sabão, quando você menos espera… Foi.

– Prem Baba

Conforme Monja Coen afirmou recentemente em entrevista “A violência existe. Seu oposto, a não-violência também. Dentro e fora de cada ser humano. Quando somos capazes de transformar a raiva em compaixão, tudo cessa. Quando abandonamos um “eu” que precisa ser defendido, que não pode ser magoado​ ​e assim por diante, percebemos que estamos muito além das provocações internas e externas.”

Dizem por aí que fé é dar o próximo passo mesmo sem enxergar o degrau seguinte. Um caminho que se fecha, ou um ciclo que se encerra, são outras mil possibilidades que se abrem! Agradeço à espiritualidade que guia meus passos e abre meus caminhos, principalmente a Dona Sete Saias das Sete Navalhadas, minha fiel protetora.

A única coisa que eu posso pedir é discernimento para perceber a energia de quem se aproxima de mim e suas verdadeiras intenções; e ao mesmo tempo clareza para olhar pra dentro e não ter dificuldade em identificar meus sentimentos e vontades, de forma a me manter sempre fiel a mim mesma.

Terceiro olho aberto, coração tranquilo!
Axé

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7 comentários

  1. Aurora diz

    Moça, como foi bom ler você hoje. E todas as suas ideias, e principalmente sobre a questão de colocar as ideias em prática. Hoje temos a chance de ler e saber mais sobre uma infinidade de coisas, sobre o que suportar ou não numa relação, sabemos reconhecer machistas à distância… só não disseram-nos que ia doer tanto estar apaixonada por aquele cara que teoricamente não é legal. E a dor rasga tudo, tira a fome, afoga o amor próprio nas lágrimas, faz sentir raiva da mina que curte as coisas dele, mesmo sabendo que eu não tenho que sentir raiva dela.. maldito sentimento de posse. Ler você me faz entender que é preciso deixar essa dor sangrar até estancar, entender o que dói de verdade, em qual parte de mim a ferida se abriu e buscar suturá-la no tempo dela.
    Gratidão por compartilhar sua dor com toda a sinceridade que ela merece, por você e para quem lê. Porque é fácil falar que passa, difícil é encontrar ouvidos em alguém que sabe dizer que entre a dor e o vai passar há um caminho ardiloso e é preciso ter fé na vida, na humanidade e no que virá. Muito axé para você!

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  2. Isabela diz

    Parabéns! Que sintonia. Conforme vou lendo seu texto vou me espantando do tipo, “ela está ME lendo?”. Como é possível?! Incrível!!

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  3. Karina diz

    “A gente atrai pessoas e situações de acordo com o que a gente emana, segundo nossa necessidade de aprendizado e evolução.” Não necessariamente, acredito que podemos emanar amor e atrair pessoas com falta deste, exatamente por desejar e enxergar essa falta nele no outro.

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