Mês: novembro 2015

O choque de ver Bento Rodrigues ao vivo

Há 25 dias atrás, no dia dia 5 de novembro,  o Brasil testemunhou o maior desastre ambiental de sua história. Uma barragem que continha rejeitos de mais de dez anos de mineração da empresa Samarco (uma filha das gigantes Vale e BHP) rompeu, derramando mais de 62 milhões de litros de lama extremamente tóxica no Rio Doce. Como lava de vulcão, a lama invadiu em primeiro lugar a cidade de Bento Rodrigues, causando sua imediata destruição. Localizado há 51 km de Mariana, o distrito situa-se no vale (ou seja, na parte mais baixa) de um conjunto de montanhas. A Barragem do Fundão, por sua vez, ficava no cume de uma das montanhas da região, acumulando ali uma imensa energia potencial de destruição. Quando a barragem rompeu e aquele volume imenso de lama começou a descer a muitos kilômetros por hora, engolindo tudo que via pela frente, os moradores tiveram cerca de 10 minutos para evacuar a cidade. As pessoas perderam tudo que tinham. Além dos bens materiais deixados pra trás (e fora a imensa tristeza …

Clitóris Livre significa: Eu falo do que eu bem entender! ;)

Antes de tudo, por mais piegas que possa parecer, eu gostaria de te agradecer por estar lendo esse texto. Tenho dois vícios na vida: a escrita (que ainda não sei se é vício ou virtude) e a internet, uma combinação perigosa que costumava culminar em horas e mais horas passadas na frente do Facebook.  O blog apareceu como a possibilidade de desenvolver com mais calma e carinho minha escrita, gerando um arquivo de textos que não se perde e acaba que atinge um número muito maior de pessoas. Tenho que admitir, entretanto, que o nome do blog Clitóris Livre às vezes me irrita e limita um pouco. Já aconteceu de, apesar de amar rap, por exemplo, me pegar segurando o impulso de escrever sobre o assunto, como se aqui “não fosse espaço pra isso”, como se houvesse uma fôrma pronta do que significa ser feminista ou dos temas sobre os quais nós mulheres nos interessamos. Além de feminismo gosto de outros mil assuntos na vida. Pra mim o feminismo faz parte de uma luta maior, que envolve também, por …

Lei da atração, karma e triângulos amorosos

//Antes de tudo, se você não está entendendo o que esse post faz num blog como esse, clique aqui// O Universo tem um senso de humor bem próprio, e admitamos, um tanto cruel (lembrando que a gente sempre colhe o que planta). Segundo a lei do Karma, na escola da vida as situações se repetem até que o aluno aprenda a lição, e assimilando a soma daquelas experiências consiga passar de fase e a partir de então não tenha mais que se subjugar à repetição cíclica de vivências dolorosas e similares. Pelo visto, os triângulos amorosos têm sido uma das ferramentas preferidas do Universo pra tirar uma onda com a nossa cara ensinar lições de amor e desapego. Ninguém está imune. Triângulo amoroso é o tipo da coisa que acontece nas melhores famílias, das pessoas mais safadas às de mais puro coração. Triângulos amorosos existem desde que o mundo é mundo, mas fico pensando o que muda nessa delicada configuração afetiva com o advento recente e massivo da bissexualidade. Nada é por acaso. Do pouco conhecimento espiritual que possuo, …

O diálogo como ativismo filosófico: Márcia Tiburi lança livro “Como conversar com um fascista”

https://clitorislivre.com.br/2015/10/29/o-feminismo-nao-esta-acima-de-criticas-por-uma-militancia-que-saiba-ouvir-e-dialogar/Pra mim o feminismo faz parte de uma luta maior, que envolve também, por exemplo, a justa distribuição de rendas e terras; o fim do trabalho escravo e da precarização do trabalho; o direito básico à moradia, saúde e educação; o fim da criminalização da pobreza na pretensa “guerra às drogas” que vivemos; a desmilitarização da polícia militar; o fim imediato da gestão criminosa de recursos naturais pelas mineradoras e pelo setor agropecuário; o fim do consumo desenfreado de agrotóxicos e todo tipo de venenos que nos enfiam goela a baixo todos os dias, e daí por diante. Como uma grande linha emaranhada, percebo que todas as opressões estão relacionadas, e na medida em que se afrouxa um nó, fica mais fácil desatar o outro. Encaro o feminismo como um instrumento de libertação, não um fim em si mesmo. Sou ambiciosa em minhas utopias: desejo muito mais que a libertação feminina, desejo a libertação humana; e por quê não de todos os seres, inclusive de nossa mãe terra, o solo onde se pisa e daonde provém todo …

Apesar da ampliação, discurso feminista ainda continua muito restrito à classe média

Como já escrevi por aqui antes, muito do meu despertar enquanto feminista (e mais! enquanto mulher) se deu quando comecei a perceber o papel desempenhado por minha mãe dentro de casa e, por ser mulher como ela, reconhecer-me como possuidora de um destino social análogo ao seu. De forma similar, depois de ter me assumido feminista foi novamente observando minha mãe, e o modo como apesar de meu discurso emancipador eu continuava a tratando, permitindo que ela acumulasse praticamente sozinha quase a totalidade das tarefas domésticas da casa, que comecei a questionar a validade desse meu rótulo de feminista e a despertar para a importância urgência de alinhar discurso e prática. Eu acho que você pode falar o que você quiser – ser de esquerda, bradar feminismos, anarquias e revoluções – mas enquanto não for capaz de aplicar na prática, no campo micro, o que você pensa e fala, seu discurso não vale de nada. Foi a partir desse e outros incômodos com o modo como parte da militância vem sendo levada, que escrevi o texto “O feminismo não está acima …