Mês: julho 2015

Mulher também gosta, faz, pensa e escuta hip hop

Fui bloqueada por trinta dias do Facebook por quê postei o link – nem foi a imagem em si! – do meu portifolio de um ensaio com duas amigas nuas. Naturalmente, não é a primeira vez que o facebook me deixa de castigo (reclusa de postar, curtir ou comentar qualquer coisa) por ter compartilhado fotos de mamilos femininos. Zuckerberg e sua equipe já chegaram a deletar permanentemente uma conta minha por causa de uma foto de uma mulher grávida de peitos de fora, depois de consecutivos avisos e bloqueios de 7 ou 31 dias. Engraçado que mamilos são vetados; mas vídeos de decaptação, tortura e incitação ao ódio, não. #lovewins Enfim, estando proibida de postar em minha conta pessoal, comecei a usar mais a página do Clitóris Livre. Apesar de amar rap, foi engraçado me observar segurando o impulso de escrever sobre o assunto, como se aqui “não fosse espaço pra isso”, como se houvesse uma fôrma pronta do que significa ser feminista ou dos assuntos sobre os quais nós mulheres nos interessamos. Na real, ser feminista não tem receita, não tem regra> …

“Adolescência Preta” – A época em que mantive fakes de minas brancas para tentar me adequar aos padrões

(Por Milena Badu) Com 14 anos eu conheci a internet de uma outra forma, parei com os jogos do ojogos.com e fui viajar nas redes sociais. O primeiro vício (o mesmo até hoje) foi o Twitter, numa época onde eu seguia Colírio Capricho, Revista Todateen e nunca achava mina negra pra seguir. Aos poucos fui percebendo o quanto eu era rejeitada pelos meninos por não estar no padrão das modelos Capricho. Pra tentar entrar no padrão “atraente” eu criei vários fakes de minas brancas pra “seduzir os caras” e sim, funcionava. Devo ter conseguido manter o caô em uns seis caras de estados bem distantes. Minhas auto estima era um lixo, eu me mutilava e não tinha amor nenhum por ser negra. Só contava pra esses caras quem eu realmente era quando eu achava que eles tinham criado um afeto por mim. A reações de todos eram exatamente iguais insultos racistas disfarçado de deboche, me diminuíam e me hipersexualizavam. A diferença no tratamento me assustava bastante, quando se tratava de uma fake branca era mensagens de amor aleatórias, …