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Conheça Oshun, um duo feminino de hip hop de Nova York com influências yorubá

Embora os Estados Unidos tenha sido erguido a partir da exploração de mão de obra escrava negra, tal qual o Brasil e Cuba, fora as menções à prática de vodu nas províncias do sul (como Louisiana e Nova Orleans) muito pouco se ouve falar a respeito de tradições religiosas africanas que se mantiveram vivas no processo de colonização das terras do Tio Sam.

Sendo do candomblé, isso sempre me intrigou. Qual não foi minha surpresa quando conheci esse duo feminino de hip hop chamado Oshun. Formado por  Niambi Sala e Thandiwe, duas jovens negras de apenas 19 anos residentes em Nova York, o duo referencia Oxum, a deusa yorubá das águas doces, da beleza, da riqueza, do amor e da fertilidade.

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Com inspirações musicais que vão de Nas, Lauryn Hill e Erykah Badu à John Coltrane, Miles Davis e Herbie Hancock, a musicalidade de Oshun é descrita pelo duo como iya sol, uma mistura de neo-soul e hip hop. As letras, por sua vez, são carregadas de espiritualidade e mensagens positivas de empoderamento, amor próprio e resgate às raízes.

Nem tudo na dupla, entretanto, é paz e amor. Vivendo em um contexto político explosivo, em que a comunidade negra americana se revolta frente à série de assassinato de jovens negros por policiais brancos, a dupla apresenta maturidade e consciência política, discutindo com propriedade questões sociais.

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A faixa ‘#’ que abre o primeiro EP da dupla (‘Afaye’, que pode ser baixado aqui) é incisiva em afirmar “We’re the kings and the queens and we’re taking power back! It’s over, i’m done keeping my composure, it’s time to get loud… Fuck making them proud! It’s the revolution! I declare war on you”

Na última semana de abril,  pouco depois de se apresentar ao lado de grandes nomes como Erykah Badu e Joey Bada$$ no Broccoli City Festival, em Washington, o duo lançou seu novo disco ‘Asase Yaa’, termo que significa ‘Mãe Terra’.

Segundo a dupla em entrevista à Impose Magazine o objetivo com esse álbum é “permitir que a mulher negra, assim como qualquer pessoa, atinja a transcendência. Estamos presos na escravidão mental. Através desse projeto nós caminhamos para a libertação, libertando a nós próprias e tomando consciência de quem somos.”

Com doze faixas, o disco pode ser baixado aqui.

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  3. Gabriel Reis diz

    Oi Luísa, como você disse se intrigar por não ver muito candomblé nos EUA, recomendo o livro “A utopia brasileira ou os movimentos negros” do Antônio Risério. Me ajudou bastante a entender as diferenças sócio-históricas entre a negritude e mestiçagem nos EUA e no Brasil, inclusive em relação à preservação (ou não) da religião. Não sei se você o conhecia, mas caso interessar, é esse aqui: http://www.livrariacultura.com.br/p/a-utopia-brasileira-e-os-movimentos-negros-2283703

    Curtir

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