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quando a alma pede férias do facebook

infelizmente, ainda sou do tipo de pessoa que mesmo chegando em casa com sede, fome, sono ou vontade de fazer xixi, antes de ir no banheiro abre o laptop aos pulos pela bexiga apertada para checar as últimas curtidas e atualizações no facebook.

talvez por ser um quadro relativamente novo na sociedade, as pessoas geralmente não levam muito a sério quando a gente tenta abordar a questão, entretanto, como acontece com qualquer outro vício, o vício em facebook traz consequências reais e dolorosas pra quem sofre com ele.

em mim observo picos de ansiedade; dificuldade extrema de concentração; sentimento de impotência, como se eu não tivesse controle sobre mim e autonomia de sair fora e ir fazer outra coisa, mesmo que não esteja fazendo nada que presta online; picos de humor e alteração do relógio biológico; dificuldade de dormir ainda que morta de cansaço; dificuldade de acordar e ir cumprir minhas obrigações diárias, como trabalhar, pagar contas, encontrar amigos, e assim por diante.

vício em facebook

para me controlar, já tentei aplicativos que limitam o tempo que posso ficar online (mas no meu caso o vício aprendeu a burlar os apps) e também fazer combinados comigo mesma, como por exemplo de que postaria apenas uma coisa por dia, o que deu certo no começo, mas logo também se mostrou ineficaz.

na verdade, acredito que nenhum desses métodos é em si eficaz ou falho, mas reflexo do comprometimento que firmamos com nossa intenção. uma coisa que funciona bem pra mim, e que eu já faço há algum tempo, é pelo menos uma vez por ano, ou quando necessário, tirar um mês de férias do facebook.

sozinho

não, a gente não morre sem facebook, nem fica sem emprego nem sem amigos. pelo contrário, acredito que esse período de reclusão nos oferece uma chance e tanto de re-experimentar o presente; assim como a escrita que não é uma escrita pública, mas íntima; a chance de deglutir bem os acontecimentos antes de emitir opiniões; assim se preservar daquelas toneladas de informação e notícia inútil.

uma coisa que acho deliciosa de estar afastada das redes sociais (embora dessa vez eu tenha whatsapp e instagram) é como muda nossa relação com os nossos amigos, e como passamos a dar mais valor para o momento presente e para a singularidade de cada encontro.

para vencer ou diminuir o vício em facebook, nada como provar um pouco de vida real para relembrar o que realmente importa. em abril, estou de férias. pretendo usar as muitas horas que eu ficava no facebook pra tentar uma coisa nova por dia. este blog é uma delas.

persépolis

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5 comentários

  1. Ariane Ribeiro diz

    Que ótima dica, também sou dessas que já tentou de tudo diminuir o tempo livre de uso do facebook,e sempre me burlava . Acho que também me darei férias!
    :*

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  2. Nílvya Cidade diz

    Mana, também compartilho desse vício e já ativei e desativei várias vezes, também exclui e depois fiz nova conta no facebook, entretanto percebi que não se trata (pelo menos no meu caso) de ser especificamente o facebook. Notei que quando estava sem essa rede social e sentia uma incontrolável ansiedade era só ligar o computador e abrir uma página qualquer da web. Só o fato de estar conectada de alguma forma já me tranquilizava e isso me deixou muito triste. Esse vício de estar sempre conectada é um problema sério que lamento por mim e por tod@s, pois estamos cada vez menos produtivos, mais preguiçosos, mais desatentos, com raciocínio lento, memória curta o que nos torna conhecedores de tudo um pouco mas pouco de tudo. Se conseguimos absorver tanto na nuvem provavelmente conseguimos fazer muito fora dela. Tem um versinho que um dia publiquei num zine “Tenho medo de viver na nuvem, de ser só nuvem, de chover e evaporar” é bem isso. Perdemos muito do que significa viver, fica o convite para fazê-lo verdadeiramente. Abraço.

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    • salve nilvya! obrigada pelas palavras. sinto o mesmo aperto no coração… a virtualidade não tem nem aqui nem agora, então ficar presentes é cada vez mais difícil. por outro lado, estando encarnadas nesse século XXI – e daqui pra frente – a internet é uma realidade que dificilmente conseguiremos fugir… acho que nossa geração é uma geração de teste, que se perdeu um pouco no meio disso tudo… do mesmo jeito que muitos adolescentes perderam a juventude na frente da TV na década de 90. entende? acho (torço para que) aos poucos as coisas se caminham pro lugar.

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  3. eu gosto de pensar que a humanidade não tem sabido usar bem as tecnologias que vem criando e tudo vem aparecendo num ritmo muito acelerado e nem sempre dá tempo de acompanhar. essa onda de smartphone, por exemplo, eu sempre achava uma coisa meio distante de mim até que vi que todos tinham e se comunicavam por aplicativos e eu ainda não consegui assimilar. as pessoas perguntam: ué, vc não tem o aplicativo? como assim? em que mundo vc vive? vivo no mesmo mundo que vc e às vezes me sinto excluído por não ter essa tecnologia, mas fazer o que, é meu ritmo que anda lento, a grana que anda pouca. não consegui acompanhar a velocidade disso aí. Sinto que vivemos um movimento muito forte de midiatização, em que todas as nossas mediações tem a mídia cada vez mais presente. retomando o raciocínio da tecnologia usada sem consciência: é isso, não pensamos no que significa para as nossas mediações ter essa mídia no meio, não pensamos no quão essa tecnologia está vinculada ao consumo e no quanto de recursos que ela consome. vamos aguardar. sobre o sofrimento que isso gera, acho que vem muito mais da culpa de estar o tempo conectado, não aproveitando o que está além. o que é muito normal, pois de fato há muita coisa além. vamo tentar encontrar um equilíbrio? tamo junto. beijo

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    • sim, caio, é aquela história ‘vida é aquilo que acontece enquanto você olha para o seu smartphone’… o balanço é fundamental, inclusive em termos de trampo! a internet chega como uma revolução, que muda nosso jeito de nos relacionar, nosso jeito de trabalhar.. ainda que progressivamente nos liberemos dos trabalhos fixos e passemos para o home office, quem controla o tempo que passamos trabalhando em casa? equilibrio é tudo!

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